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Política

Simone Papaiz foi presa porque dificultou fiscalização do TCE, diz ministro

2 de julho de 2020 Política
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Secretária da Susam, Simone Papaiz
Secretária da Susam, Simone Papaiz, dificultou trabalho do TCE, diz ministro (Foto: Secom/Divulgação)
Por Felipe Campinas, da Redação

MANAUS – Ao determinar a prisão temporária da secretária de Saúde do Amazonas, Simone Papaiz, na Operação Sangria, o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Francisco Falcão afirmou que ela não auxiliou os órgãos de controle na apuração de irregularidades na compra de 28 respiradores por R$ 2,9 milhões e dificultou a fiscalização do TCE (Tribunal de Contas do Amazonas).

“Embora tenha assumido após o início dos procedimentos de dispensa de licitação investigados, há indícios no sentido de que (Simone Papaiz) não buscou sanar as irregularidades noticiadas, mas ao contrário, dificultou a atuação dos órgãos de controle, o que levou o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas a recomendar seu afastamento do cargo”, escreveu Falcão.

O fato citado pelo ministro ocorreu no dia 13 maio em razão da recusa da Susam em prestar informações sobre a compra de 28 respiradores por R$ 2,9 milhões. Na ocasião, Papaiz foi multada em R$ 75 mil por graves infrações às normas legais no processo de dispensa de licitação para compra dos equipamentos e por omissão em atender a determinações do TCE.

A recusa na entrega de documentos à Corte de Contas foi citada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) para pedir a prisão temporária da secretária. No parecer enviado ao STJ, a procuradoria alegou que após assumir o cargo Simone “aderiu aos propósitos do grupo criminoso e passou a agir de modo a acobertar os crimes praticados”.

A PGR também citou que a secretária “chegou a desacreditar da ação dos órgãos de controle” no dia da Operação Apneia, deflagrada pelo MP-AM (Ministério Público do Amazonas). Na ocasião, conforme noticiado pelo ATUAL, Papaiz disse que não havia possibilidade de prisões de servidores porque o “processo administrativo para requisição transcorreu dentro do que é previsto em lei”.

“Tamanha a confiança da atual secretária nas ações levadas a efeito pelo grupo para encobrir os ilíticos praticados que em entrevista coletiva recente, por ocasião da “Operação Apneia”, deflagrada pelo MP/AM, chegou a descreditar da ação dos órgãos de controle, descartando a ocorrência de prisões em razão das investigações”, alegou a PGR.

Leia mais: Há 20 dias Simone apoiou operação do MP e disse que não havia chances de prisões

Na terça-feira, 30, o superintendente da Polícia Federal do Amazonas, Alexandre Saraiva, disse que Papaiz havia sido presa porque os investigadores apontaram inadequação do equipamento comprado e a Susam é responsável por dar “o posicionamento técnico para aquisição de material médico”.

“O que nós percebemos nessa operação é que, além do superfaturamento do preço, havia também uma inconsistência, uma inadequação do equipamento que seria comprado para utilização para socorrer as vítimas da Covid-19. Por isso que o delegado entendeu por bem representar pela prisão dela”, disse Saraiva, em entrevista coletiva.

Na ocasião, o delegado não explicou o motivo de Papaiz ter sido alvo da operação, uma vez que a homologação da compra dos 28 respiradores por R$ 2,9 milhões foi feita no dia 8 de abril pelo ex-secretário executivo João Paulo Marques. Em depoimento aos membros da CPI da Saúde da ALE (Assembleia Legislativa do Amazonas), o ex-secretário disse que nesse dia Papaiz ainda não era secretária.

Na Operação Sangria, os investigadores afirmam que Papaiz é quem dava as ordens para o ex-secretário executivo de Saúde João Paulo Marques, que “prestou um importante auxílio a Wilson Lima e à Orcrim como um todo, zelando para que os processos físicos de despesas nas quais tenham ocorrido irregularidades sejam devidamente manipulados, de modo a mascarar os ilícitos”.

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Assuntos fiscalização, manchete, Operação Sangria, Simone Papaiz, STJ, Susam
Felipe Campinas 2 de julho de 2020
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