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Márcia Oliveira

O Sínodo da Amazônia, a religião e o meio ambiente

23 de outubro de 2019 Márcia Oliveira
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Está chegando ao final a Assembleia Especial para a Região Pan-Amazônica, o Sínodo dos Bispos intitulado ‘Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral’. Realizado em Roma desde o dia 6 de outubro, o evento que se encerrará no próximo dia 27, tem criado muitas expectativas e muitas especulações. Como quem está participando de dentro o processo sinodal desde seu anúncio em outubro de 2017, as análises aqui apresentadas estabelecem duas importantes abordagens.

A primeira análise refere-se ao uso da Assembleia Sinodal, por parte até mesmo de católicos, ou de gente que se diz católica, para atacar a instituição e seu representante maior, o Papa Francisco. De fato, a temática do Sínodo da Amazônia e os desdobramentos do processo sinodal despertaram a preocupação de muitas pessoas que não estão acostumadas a serem questionadas sobre sua atuação pessoal, social ou institucional com relação a uma temática que realmente incomoda: a questão ambiental.

As críticas à Assembleia Sinodal se acentuaram depois que veio à tona a possível inscrição do “pecado ecológico” como resultado do Sínodo. Afinal, esta é uma questão que incomoda muita gente que se diz católica e temente à Deus, mas, que não se priva da destruição da criação e simultaneamente da humanidade. Em que consiste o pecado ecológico? Dois exemplos podem ilustrar bem.

O primeiro exemplo de pecado ecológico é o uso indiscriminado de agrotóxicos para produção de alimentos. Trata-se de uma prática muito usual nas empresas do agronegócio em toda Pan-Amazônia. Ora, os agrotóxicos contaminam a terra, o ar e as águas. Além disso contaminam os alimentos que serão ingeridos, inclusive por crianças, iniciando processos de adoecimento e morte. Causar doença e morte é pecado sem perdão.

O segundo exemplo é a prática da exploração dos recursos minerais de forma predatória e irresponsável. Um garimpo irregular, por exemplo, por mais pequeno que seja, utiliza mercúrio que contamina a terra e as águas que abastecem comunidades inteiras na Amazônia, especialmente territórios indígenas e quilombolas. Em pouco tempo, populações humanas inteiras começam a apresentar sintomas da contaminação tais como doenças na pele, diversos tipos de câncer, perca da visão. E logo vem a morte. A exploração mineral desmedida de forma predatória e irresponsável como aquela de Mariana e Brumadinho em Minas Gerais, que enterrou vivas, centenas de pessoas, também se faz presente em toda Pan-Amazônia. É pecado mortal que faz circular economias imensuráveis às custas da vida de tantas pessoas.

Como toda forma de pecado, o ecológico incomoda quem o pratica porque sabe que está agindo, ética e moralmente, contrário aos valores evangélicos que professa.  Este é dum dos fatos que tem gerado muita tensão na Assembleia Sinodal. Os endinheirados que se sentem incomodados com o pecado ecológico, resolveram usar a mídia subalterna para desqualificar o Sínodo. Chovem de críticas que jogam o povo sem informação e sem critérios de análise, contra o Papa Francisco e contra o Sínodo. Infelizmente, há muita gente que se deixa informar pela desinformação de youtubers inconsequentes e medíocres ou milicianos da internet patrocinados, e muito bem pagos, por aqueles que não querem admitir que semeiam a morte e a mercantilização da Amazônia. Ou seja, aqueles que praticam o pecado ecológico e não o querem admitir. 

A segunda abordagem refere-se aos avanços da Assembleia Sinodal que entra agora na fase da síntese das inúmeras contribuições apresentadas no plenário do Salão Paulo VI e nos subgrupos de reflexão. Esta síntese é realizada por 25 peritos, dos quais faço parte, especialistas em diversas áreas do conhecimento.  As sínteses referem-se à centenas de textos escritos nestes dois níveis de debate. Todos os escritos ficarão à disposição do público que os quiser estudar e confrontar com os resultados finais. As sínteses resultarão no relatório da Assembleia Sinodal que será lido e aprovado pela assembleia e, finalmente entregue ao Papa Francisco que, posteriormente, escreverá uma Exortação Apostólica, documento final do Sínodo, com orientações para a caminhada da igreja na Pan-Amazônia. 

Na metade dos trabalhos da Assembleia Sinodal, os participantes decidiram apresentar alguns compromissos que nasceram das reflexões do processo sinodal e que a Igreja já vem assumindo.  Seguindo a mesma metodologia sinodal, os compromissos foram escritos de forma participativa envolvendo bispos, sacerdotes, religiosos(as) e leigos(as) que participam da assembleia. Foram reunidos num documento assinado numa celebração na Catacumba de Santa Domitila, nas proximidades de Roma, na manhã do dia 20 de outubro de 2019 e entregue ao Papa Francisco no dia seguinte. A Catacumba de Santa Domilita  é considerada um lugar sagrado por ter abrigado os primeiros cristãos no período da primeira expansão do cristianismo. Por isso foi escolhido para a celebração e assinatura do documento intitulado Pacto das Catacumbas pela Casa Comum: por uma Igreja com rosto amazônico, pobre e servidora, profética e samaritana. Seguem alguns destaques dos compromissos assumidos que orientam o processo pós-sinodal na Pan-Amazônia:

  • Assumir, diante da extrema ameaça do aquecimento global e da exaustão dos recursos naturais, o compromisso de defender em nossos territórios e com nossas atitudes a floresta amazônica em pé;
  • Reconhecer que não somos donos da mãe terra, mas seus filhos e filhas, formados do pó da terra;
  • Acolher e renovar a cada dia a aliança de Deus com toda a criação;
  • Renovar em nossas igrejas a opção preferencial pelos pobres, em especial pelos povos originários;
  • Abandonar, como decorrência, em nossas paróquias, dioceses e grupos toda espécie de mentalidade e postura colonialista;
  • Denunciar todas as formas de violência e agressão;
  • Anunciar a novidade libertadora do evangelho de Jesus Cristo, na acolhida ao outro e ao diferente;
  • Caminhar ecumenicamente com outras comunidades cristãs no anúncio inculturado e libertador do evangelho;
  • Instaurar em nossas igrejas particulares um estilo de vida sinodal;
  •  Empenhar-nos no urgente reconhecimento dos ministérios eclesiais;
  • Tornar efetiva nas comunidades a nós confiadas a passagem de uma pastoral de visita a uma pastoral de presença;
  •  Reconhecer os serviços e a real diaconia do grande número de mulheres;
  •  Buscar novos caminhos de ação pastoral nas cidades;
  •  Assumir diante da avalanche do consumismo um estilo de vida alegremente sóbrio, simples e solidário com os que pouco ou nada tem; reduzir a produção de lixo e o uso de plásticos, favorecer a produção e comercialização de produtos agroecológicos, utilizar sempre que possível o transporte público;

 Colocar-nos ao lado dos que são perseguidos pelo profético serviço de denúncia e reparação de injustiças.


Marcia Oliveira é doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia (UFAM), com pós-doutorado em Sociedade e Fronteiras (UFRR); mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia, mestre em Gênero, Identidade e Cidadania (Universidad de Huelva - Espanha); Cientista Social, Licenciada em Sociologia (UFAM); pesquisadora do Grupo de Estudos Migratórios da Amazônia (UFAM); Pesquisadora do Grupo de Estudo Interdisciplinar sobre Fronteiras: Processos Sociais e Simbólicos (UFRR); Professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR); pesquisadora do Observatório das Migrações em Rondônia (OBMIRO/UNIR). Assessora da Rede Eclesial Pan-Amazônica - REPAM/CNBB e da Cáritas Brasileira.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Márcia Oliveira, Sínodo da Amazônia
Cleber Oliveira 23 de outubro de 2019
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