O Amazonas Atual utiliza cookies e tecnologias semelhantes, como explicado em nossa Política de Privacidade, para recomendar conteúdo e publicidade. Ao navegar por nosso conteúdo, o usuário aceita tais condições.
Confirmo
AMAZONAS ATUAL
Aa
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Aa
AMAZONAS ATUAL
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
Pesquisar
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Siga-nos
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
© 2022 Amazonas Atual
Márcia Oliveira

O canto dos pássaros no Parque Nacional do Viruá

19 de outubro de 2022 Márcia Oliveira
Compartilhar


Em um contexto tenso de avanço da destruição da Amazônia permitido e incentivado por políticas de desmatamento e incêndio da floresta, grilagem de terras, invasão de territórios indígenas, avanço da lavra garimpeira ilegal e violação dos direitos dos povos da floresta, surge um sinal de alento e esperança.

A tese doutoral intitulada ‘A revoada e o canto dos pássaros no Parque Nacional do Viruá, Roraima: manifestação simbólica e equilíbrio ambiental’ de autoria de Shigeaki Ueki Alves da Paixão, recentemente defendida no Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA), da Universidade Federal do Amazonas, retoma o sentido de todas as formas de vida na Amazônia simbolizado na simplicidade e beleza dos pássaros e na gratuidade da melodia de seus cantos.

Fundamentada nos sistemas simbólicos e manifestações socioculturais na Amazônia, linha de pesquisa 01 do PPGSCA, a tese foi orientada pela professora doutora Iraildes Caldas Torres e contou com uma banca examinadora formada por estudiosos/as da Amazônia.

Nos quatro anos de estudos, o recém doutor sistematizou diversos aspectos da sociobiodiversidade no território do Parque Nacional do Viruá, localizado na região centro-sul do Estado de Roraima, no Município de Caracaraí, a 200 Km de Boa Vista. Enfatizou a importância da atuação de agentes socioambientais no cuidado e proteção de territórios estratégicos. Nessa perspectiva reconhece a importância das comunidades tradicionais que vivem no entorno do parque e o árduo trabalho dos funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A tese apresenta importante relevância social e antropológica. De acordo com o pesquisador “os moradores do entorno do Parque Nacional do Viruá estabelecem com a natureza viva e circundante dos pássaros, seus cantos, revoadas e função ecológica, aspectos fundamentais para o equilíbrio do ecossistema”. E afirma ainda que “os principais resultados revelam que a relação entre os pássaros e os moradores do Parque Nacional do Viruá representa uma sinergia, reciprocidade e integração natureza/cultura em relação ao equilíbrio do planeta”.

Os povos tradicionais são apresentados como “moradores do entorno”. O pesquisador confere aos povos tradicionais o título de “guardiões do Viruá” numa relação de “respeito pelas normas sociais estabelecidas com a natureza” e observa que “a manutenção da vida e da permanência destes habitantes no entorno do parque é fundamental para a proteção ambiental”, conferindo-lhes importante protagonismo.

Os povos tradicionais também são apresentados na tese como sujeitos políticos: “Encontramos esta lógica de cuidado e proteção nos modos de vida dos povos tradicionais que habitam as florestas e as margens do rio Branco do Parque Nacional do Viruá […] que marcam as ações políticas e identitárias”. E os centraliza numa relação de reciprocidade ao afirmar que “os moradores do entorno do Parque Nacional do Viruá sobrevivem da agricultura local, especialmente a roça de mandioca, milho, banana, que são alimentos básicos da dieta alimentar da região”.

Os povos tradicionais representam a categoria de análise mais aprofundada na tese que estabelece uma relação ampla para além do parque. São apresentados como interlocutores da pesquisa e como agentes ambientais ativos e efetivos na relação com o Parque do Viruá e afirma que “para os povos tradicionais da Amazônia, a floresta em sua completude é o centro vital cósmico da existência e da resistência”.

De grande relevância política e social, a tese sustenta a importância “dos mecanismos de manejo ambiental dos ecossistemas que permeiam a unidade, levando-se em conta a interatividade entre os povos tradicionais que são moradores do entorno do parque com os animais e a natureza de modo geral”. Insiste que “as aves têm extrema importância para o meio ambiente em sua revitalização e equilíbrio ambiental” para muito além da sua beleza física e do interesse dos ornitólogos (estudiosos dos pássaros). No caso do Viruá, as aves representam o equilíbrio do ecossistema e “atraem pessoas do mundo todo porque só são encontradas no ecossistema do Parque Nacional do Viruá”.

Com destemida coragem, Shigeaki da Paixão interpela o governo federal a rever sua relação com a questão ambiental na Amazônia e afirma que “a responsabilidade pública do Governo Federal por este bem socioambiental é parte constitutiva da política do patrimônio natural do país, mas não só isso. Esta reserva é também estratégica para a gestão pública, porque passa a ser um campo piloto para a implementação de novos modelos sustentáveis e possibilidades de estruturação de novas concepções bioeconômicas”.

Dada a sua relevância científica a tese apresenta o “Canto dos Pássaros” primeiramente como uma provocação ao debate socioambiental naquela perspectiva da Laudato Si’, a encíclica do Papa Francisco publicada em maio de 2015 que trata do cuidado com o meio ambiente e com todas as pessoas. É uma carta pública do Papa dirigida a “toda pessoa que habita este planeta” que propõe a Ecologia Integral como um modo de vida e recorda que “tudo está interligado como se fôssemos um/uma”.

Em um estado fundado no extrativismo mineral, obcecado com a extração comercial ilegal do ouro e de outros minérios de valor comercial, que deixa um rastro de destruição e contaminação em todo território, o pesquisador ousa apresentar “a revoada dos pássaros como recurso/bem natural a ser cuidado e multiplicado”. Nesse contexto essa proposta representa uma verdadeira revolução na questão socioambiental em Roraima.

A banca examinadora sugeriu que a tese fosse publicada para garantir maior circulação do conhecimento produzido. Enquanto isso, poderá ser lida no banco de teses da UFAM disponível em: https://tede.ufam.edu.br/ bem como em artigos publicados com os desdobramentos em novos estudos da temática. Vida longa ao novo doutor em Sociedade e Cultura na Amazônia!


Marcia Oliveira é doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia (UFAM), com pós-doutorado em Sociedade e Fronteiras (UFRR); mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia, mestre em Gênero, Identidade e Cidadania (Universidad de Huelva - Espanha); Cientista Social, Licenciada em Sociologia (UFAM); pesquisadora do Grupo de Estudos Migratórios da Amazônia (UFAM); Pesquisadora do Grupo de Estudo Interdisciplinar sobre Fronteiras: Processos Sociais e Simbólicos (UFRR); Professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR); pesquisadora do Observatório das Migrações em Rondônia (OBMIRO/UNIR). Assessora da Rede Eclesial Pan-Amazônica - REPAM/CNBB e da Cáritas Brasileira.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

Notícias relacionadas

Lula defende exploração com responsabilidade na Foz do Amazonas

Ciência não é futebol, não dá para escolher um lado, diz divulgador científico

Nova tecnologia fortalece estudos sobre contaminação por mercúrio no Amazonas

Luz para Todos prioriza mulheres e povos tradicionais

Amazônia: potencial desperdiçado também no setor aéreo

Assuntos Amazônia, pássaros
Cleber Oliveira 19 de outubro de 2022
Compartilhe
Facebook Twitter Pinterest Whatsapp Whatsapp LinkedIn Telegram Email Copy Link Print
Deixe um comentário

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

Poços da Petrobras na Faixa Equatorial: mais petróleo em alto-mar (Arte: Petrobras/Divulgação)
Economia

Lula defende exploração com responsabilidade na Foz do Amazonas

19 de maio de 2026
Divulgador Pedro Loos diz que combate conspirações sem entrar em embate direto (Imagem: YouTube/Reprodução)
Dia a Dia

Ciência não é futebol, não dá para escolher um lado, diz divulgador científico

18 de maio de 2026
Barco-laboratório
Especial Publicitário

Nova tecnologia fortalece estudos sobre contaminação por mercúrio no Amazonas

15 de maio de 2026
Dia a Dia

Luz para Todos prioriza mulheres e povos tradicionais

11 de maio de 2026

@ Amazonas Atual

  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos

Welcome Back!

Sign in to your account

Lost your password?