
Do ATUAL
MANAUS – Agentes da Polícia Federal e militares do Exército Brasileiro cumpriram, na manhã desta terça-feira (27), mandado de busca e apreensão contra um tenente-coronel do Exército suspeito de repassar a criminosos informações sobre operações contra crimes ambientais na região do município de Japurá, no Sul do Amazonas. O nome do tenente não foi divulgado.
A ordem de busca e apreensão foi cumprida no âmbito da Operação Jurupari, que investiga uma série de crimes, como extração ilegal de minério, uso de substância perigosa ou nociva à saúde ou ao meio ambiente (mercúrio/cianeto), organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A ação policial ocorreu nas cidades de Manaus, Porto Velho (RO) e Ponta Grossa (PR), onde mora o tenente.
“A investigação identificou que existe um militar que estava repassando informações sobre operações tanto da Polícia Federal como operações conjuntas que aconteciam entre ICMBio, Polícia Federal e o próprio Comando do Exército”, afirmou o delegado Adriano Sombra, chefe da Força Tarefa de Segurança Pública Ambiental da Polícia Federal.
O delegado não explicou como o militar tinha acesso às informações da Polícia Federal, órgão independente das Forças Armadas. Ele disse que as investigações estão em sigilo.
Para Adriano Sombra, a ação do tenente colocou em risco a segurança dos militares designados para as operações policiais no Sul do Amazonas.
“A região de Japurá é um local de difícil acesso. Para você chegar é necessário um forte empenho tanto de pessoal como de valores financeiros. Já existe essa dificuldade de chegar naquela região e quando a gente consegue, de fato, ir até aqueles locais ainda existe pessoas colocando em risco tanto a segurança dos integrantes da equipe como também da operação”, completou Adriano.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações iniciaram em 2020, após a prisão de duas pessoas que transportavam ouro avaliado em R$ 18,6 mil em Ji-Paraná/RO. Uma delas foi assassinada dias após sair da prisão.
Após quebra de sigilo telefônico de um dos presos, os investigadores tiveram acesso a informações que indicam a existência de uma organização criminosa em Japurá.
Adriano Sombra afirmou que os criminosos retiravam o ouro e vendiam para empresas de fachada, que comercializavam o minério em Porto Velho (RO).
As investigações apontam que outros de militares de alta patente recebiam dinheiro através de uma empresa de importação e exportação de minérios. “Também ficou constatado a participação de militares das Forças Armadas. Por isso que os mandados foram cumpridos com auxílio da Justiça Militar”, afirmou Adriano Sombra.
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