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Dia a Dia

MPF aciona Polícia Federal para apurar contaminação de rios no AM

29 de maio de 2026 Dia a Dia
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Água turva no Rio Tiaraju: indígenas alegam que é efeito de poluição por mineradora (Foto: ACWA/Divulgação)
Água turva no Rio Tiaraju: indígenas alegam que é efeito de poluição por mineradora (Foto: ACWA/Divulgação)
Da Agência MPF

MANAUS – O PMF (Ministério Público Federal) requisitou à Polícia Federal (PF)investigação sobre possível contaminação de rios na Terra Indígena Waimiri Atroari, em Presidente Figueiredo (a 117 quilômetros de Manaus). Segundo o MPF, o pedido é para verificar se as atividades desenvolvidas pela Mineração Taboca na região têm relação com as graves alterações ambientais documentadas na região.

Entre as ações estão perícias em amostras de água e sedimentos e coleta depoimentos de ribeirinhos e indígenas. O MPF enfatiza que , de acordo com a Constituição Federal, a degradação do meio ambiente sujeita os poluidores à responsabilização em três esferas distintas: cível, administrativa e criminal.

No pedido à PF, o Ministério Público afirma que exames feitos pela empresa contratada pela Associação Comunidade Waimiri Atroari revelaram a presença de metais pesados na bacia hidrográfica local. Foram encontradas altas concentrações de alumínio, chumbo e mercúrio nas águas dos rios Tiaraju e Alalaú e do igarapé Jacutinga.

De acordo com o laudo da consultoria, a quantidade de alumínio na água chegou a um nível 37 vezes maior do que o limite máximo permitido pela legislação brasileira para rios e lagos. No fundo dos rios, os técnicos também acharam altos níveis de ferro e chumbo.

Vistoria do Ibama

No mesmo despacho, o MPF requisitou ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente do dos Recursos Naturais Renováveis) a realização imediata de uma vistoria presencial minuciosa nas instalações do complexo minerário e nos rios atingidos.

Paralelamente, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) informou ao MPF que, embora os rios investigados na terra indígena não drenem para a Reserva Biológica do Uatumã, cerca de 47% das áreas impactadas pela atividade de mineração de aluvião da empresa correm em direção à bacia do Rio Pitinguinha, afluente do Rio Uatumã, onde foi detectado um aumento substancial da turbidez da água.

O Ibama havia sinalizado, a partir de análises prévias de imagens de satélite, a existência de indícios de que as operações de lavra da Mineração Taboca podem estar ultrapassando os limites territoriais legalmente autorizados pelas licenças vigentes, atingindo o limite físico da própria Terra Indígena Waimiri Atroari. Diante disso, o MPF determinou que a autarquia ambiental realize a coleta de novas amostras de campo assegurando a participação direta das lideranças indígenas e dos fiscais ambientais do povo Kinja, para que os próprios moradores possam indicar os pontos mais críticos.

Saúde e na alimentação

Em audiência extrajudicial no dia 27 de abril, lideranças da ACWA relataram um cenário crítico ao MPF. Segundo os depoimentos, o transbordo de resíduos da mineradora ocorre de forma recorrente nos períodos de chuva, modificando a coloração e o sabor da água. Foram encontrados peixes, peixes-boi e quelônios mortos, além de registros de problemas de pele e alergias em membros da comunidade que tiveram contato com os rios.

Na reunião, os indígenas criticaram os exames feitos pela própria mineradora. Eles denunciaram que a empresa costuma recolher água em locais estratégicos, longe de onde a lama e os rejeitos realmente se acumulam. Por isso, as lideranças exigiram que as novas fiscalizações oficiais sejam acompanhadas de perto pelos fiscais Kinja, que conhecem os pontos mais críticos de poluição.

Acordo financeiro

Segundo o MPF, a Mineração Taboca nega a responsabilidade pelos danos e sustenta que os parâmetros de qualidade da água cumprem as exigências legais e que o excesso de lama foi causado por uma chuva atípica no início de abril. Para contestar o laudo da empresa contratada pela associação da comunidade, a mineradora contratou outras consultorias técnicas.

No entanto, apenas dois dias após a audiência extrajudicial em que os indígenas manifestaram desconfiança sobre as análises, a mineradora firmou diretamente com a ACWA um termo de cooperação que prevê repasses financeiros superiores a R$ 12 milhões à comunidade para ações de apoio e alimentação.

O Ministério Público afirma que acordo foi celebrado sem o conhecimento da instituição e sem que a empresa assumisse a responsabilidade jurídica pelos danos ambientais. O procurador da República André Luiz Porreca, que atua no combate ao garimpo ilegal, alertou que esse pagamento não exime a empresa de investigações cíveis e criminais relacionadas ao meio ambiente.

O prazo fixado pelo MPF para que a Polícia Federal e o Ibama comprovem o cumprimento das requisições e apresentem os primeiros resultados das vistorias e diligências é de 30 dias. Inquérito Civil é de nº 1.13.000.002675/2025-46.

Confira a íntegra do despacho.

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Assuntos contaminação de rios, manchete, Mineração Taboca, MPF, poluição, Waimiri Atroari
Cleber Oliveira 29 de maio de 2026
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