Dignidade humana 2

É a capacidade de viver qualidades e regras humanas, cumprindo direitos e deveres, com vistas a promover as condições de humanização e da efetividade da vida digna para todos.

Sem o compromisso de todos para com o sentido de humanização e da coexistência digna em sociedade, direitos fundamentais terminam por serem violadas e desrespeitados, carecendo de eficácia social. 

Ser digno é ter o mérito de viver com coerência ética as regras (direitos e deveres) e os valores humanos. Ser digno é ser claro, autêntico, verdadeiro e, ainda que simples e humilde, naquilo que é, no que diz e no que faz. Ser digno é exercitar a empatia, a compaixão e a solidariedade, fazendo do altruísmo lúcido um fator de desenvolvimento ético, técnico, econômico, político e cultural.

Ser um humano digno é ser merecedor do melhor da humanidade. Ser coerente com a consciência humana e ser responsável pelas consequências advindas da escolha de viver segundo regras e valores humanos, não sujeitados à lei da selvageria, da barbárie, das sórdidas lutas pelo poder. É ser capaz de perceber a rota e mudar de rumo quando necessário ao bem de todos. 

Ser um humano digno é não se mover pela primazia da vantagem a qualquer preço ou a todo custo, é não prejudicar os demais nos objetivos que busca alcançar, é não sucumbir às práticas viciadas e delinquentes nem ser cúmplice de ações que promovam uma cultura das vantagens sem méritos, alianças ao crime e aos delírios de poder. 

Ser um humano digno é vivenciar, ainda que no silencioso anonimato, os essenciais valores e regras que promovem o que é humano e permite conferir dignidade às instituições e organizações sociais, comunidades e sociedades. 

Ser um humano digno é não repassar os fardos nem os ônus pelas escolhas que se faz, mas conduzir o próprio peso com convicção serena. Ser um humano é promover a humanidade em todas as esferas e espaços, sejam públicos sejam particulares sejam no âmbito da privacidade. Ser um humano digno é ser coerente e transparente sem necessidades de subterfúgios, esconderijos, endereços múltiplos, bipolaridades, fingimentos, arapongagens, maledicências, invejas e assassinatos de reputações. 

Ser digno é ser leve e ajudar aos que precisam aprender a fazer a jornada em direção à dignidade humana. É evitar ser pesado ou custar tanto para os outros e para a sociedade. É ter retos meios de vida e viver honestamente segundo os mesmos. É evitar converter-se num fardo oneroso é desumano a ser carregado pelos demais. É estar ciente de que a maneira como se contraem os bens e o modo como se conquistam as coisas é muito mais importante do que as próprias coisas, bens, riquezas e eventuais poderes. É saber perdoar e perceber quando o perdão tem efeito transformador. É ser simplesmente humano com todas as liberdades, responsabilidades e consequências que a dignidade implica. 

Ser humano é promover a dignidade humana como princípio, como meio e como fim. É ser guiado com consciência pela causa, perceber e avaliar os efeitos.  É ser portador de um Logos essencialmente humano que se revela na práxis do cotidiano e para toda a experiência vivenciada. Ser um humano digno é se conduzir e ajudar na caminhada para a dignidade humana. 

Embora esteja prevista na Constituição Federal e seja o esteio comum de todas as normas, valores e instituições republicanas, muito pouco se ensina a entender, a viver e a conviver segundo as regras e os valores da dignidade humana. Não se ensina a pôr, em primeiro lugar, a o sentido da dignidade em toda parte, seja na família, na escola, no trabalho, na comunidade, na sociedade e muito menos nas esferas públicas e privadas de poder. Ao invés de progredir no ensinamento e na coexistência do humano, ensina-se primeira, e às vezes tão somente, a progredir nos consumismos, nas ovações públicas e na “esperteza” de levar vantagem em tudo e sobre todos. Então prevalece o logospirata, a lei do mercado selvagem, do trabalho desumanizador, da corrupção sistêmica e institucionalizada, da violência, da criminalidade e seus terríveis efeitos sobre a ordem pública e social, inviabilizado a própria convivência humana, fazendo enfim prevalecer o caos e logospirataria sobre o cosmos. Um ciclo de horrores que parece sem fim, dos quais alguns ainda tiram proveito, mas que somente aqueles que fazem opção pela autêntica vivência dos valores e regras humanas é capaz de quebrar e suplantar. O problema é precisamente este: como formar mais cidadãos comprometidos com a vida digna e os alicerces da dignidade humana? 

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