
Por Lavínia Kaucz, Gabriel Máximo e Victor Ohana, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça acompanhou o presidente da Corte, Edson Fachin, e votou para rejeitar a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes para suspender o julgamento da petição que aponta supostas conversas entre Alexandre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Os ministros estão analisando se Fachin poderia ter retirado Mendonça da relatoria do processo contra Moraes. A Corte também discute se deve ser aberto um procedimento contra o relator do inquérito do Master por atuação irregular à frente do caso.
Até agora, os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes acompanharam o decano, enquanto Fachin e Mendonça votaram contra. Luiz Fux também votou para manter os processos separados. O placar, portanto, está em 4 a 3 para acolher a questão de ordem. Ainda falta votar Cármen Lúcia.
Em sua manifestação, Mendonça rebateu a acusação de que teria cometido irregularidades ao pedir à Polícia Federal (PF) a identificação de quem seria o interlocutor de Vorcaro em mensagens encontradas no celular do banqueiro. Ele também reafirmou que existe uma “PF paralela” que realiza um monitoramento ilegal de autoridades.
“Entendo não haver as mesmas bases fáticas como foram referidas aqui. O que há em relação a mim foi um suposto relatório de inteligência, que a própria imprensa divulga como fake, mas mais do que isso: um relatório ilegal, com monitoramento e coleta seletiva de dados de ministro deste Tribunal, de outras autoridades da República, numa atividade própria, como já referido neste Tribunal, de uma PF paralela”, disse.
Segundo ele, o relatório apócrifo produzido pela PF sobre sua atuação e o documento elaborado pela mesma corporação que detalha o suposto elo de Vorcaro com Moraes “não são coisas comparáveis”.
O ministro Flávio Dino pediu vistas na tarde desta terça e o julgamento deverá ser adiado. “Eu estou fazendo um pedido de vista. Eu tenho que interromper esta situação porque nós temos uma questão de ordem, nós não temos condições de deliberar. O clima é daí para pior”, afirmou.
