
MANAUS – Na jornada humana, enfrentamos um constante embate entre duas forças internas que moldam nossa maneira de ser, agir e perceber o mundo: o Eu maior e o Eu menor. Este conceito, amplamente explorado por especialistas em desenvolvimento pessoal e autoconhecimento, oferece uma perspectiva poderosa sobre como nossas escolhas e estados mentais influenciam não apenas nossa experiência individual, mas também o impacto que temos sobre os outros.
O Eu menor representa a parte de nós que opera sob o controle do medo, do egoísmo e da ilusão de escassez. Ele busca incessantemente o ganho individual, mesmo que isso implique perdas para os outros. Como observa a especialista em Ciência da Felicidade, Lucia Barros, “ele compara, critica e julga a si e aos outros; nutre uma mentalidade de exclusão e de crescimento parcial; é reativo e reage impulsivamente ao mundo exterior”. Essa parte de nossa personalidade está enraizada em certezas inflexíveis, nas quais o aprendizado é uma possibilidade distante e a evolução está constantemente bloqueada.
De forma similar, o jornalista e escritor Paulo Wagner descreve em seu artigo para o site site www.hnt.com.br o Eu menor (Ego) como um ser sofredor, preso ao peso ancestral de comportamentos que perpetuam uma visão limitada e negativa. Para ele, as dificuldades, que poderiam ser valiosas mestras, tornam-se apenas mais um fardo. “Muitas vezes, as situações mais difíceis são as que mais possuem a capacidade de ensinar o caminho da paz, o caminho da superação, o caminho de ver além de nós mesmo”.
Em contraste, o Eu maior (Self) emerge quando cultivamos a curiosidade, a compaixão e a consciência plena. Este é o lado de nós que busca soluções ganha-ganha, reconhecendo que o crescimento é pleno apenas quando inclui a todos. Segundo Lucia Barros, “funcionamos a partir desse Eu maior quando estamos em presença plena. E cultivamos a presença plena através do atentamento e da intimidade com nós mesmos”.
A escritora Helena Blavatsky, cofundadora da Sociedade Teosófica, em suas reflexões sobre o Eu superior, aponta que é o apego à vida inferior que nos impede de entrar na dimensão elevada de consciência. Esse Eu maior é caracterizado pelo contentamento e pela aceitação da realidade tal como é, sem resistência ou descontentamento.
Alcançar um estado de presença plena exige prática e disposição para o aprendizado contínuo. Práticas como a gratidão, a compaixão e a mentalidade de crescimento são ferramentas fundamentais para fortalecer o Eu maior. Essas práticas nos ajudam a superar o julgamento impulsivo e a criar espaço para o discernimento.
Outro aspecto essencial é a resiliência, que nos permite navegar pelas adversidades com coragem e flexibilidade. Como enfatiza Lucia Barros, é preciso celebrar e compartilhar cada passo da jornada, abraçando o novo com maravilhamento.
Uma escolha diária
O conflito entre o Eu menor e o Eu maior é uma realidade constante. No entanto, cada momento oferece uma oportunidade de escolha. Podemos optar por reagir impulsivamente, alimentando nosso Eu menor, ou agir com consciência, permitindo que o Eu maior nos guie.
Como nos lembra Paulo Wagner, é preciso olhar para os desafios com os olhos da sabedoria e da compaixão, reconhecendo que, mesmo nas situações mais difíceis, há um potencial de luz e aprendizado. Essa é a essência de viver com integridade, conectados à nossa verdadeira natureza.
Acima de tudo, a jornada entre o Eu menor e o Eu maior é um processo de autodescoberta e evolução. Ao cultivar, através da meditação, hábitos que promovem a presença plena, aprendemos a equilibrar nossas tendências reativas com a sabedoria inclusiva do Eu maior. Nesse caminho, descobrimos que a verdadeira abundância não está em acumular, mas em compartilhar e crescer juntos, encontrando a paz na harmonia entre nosso mundo interior e exterior.
Roseane Mota é jornalista, formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e aluna do programa mentorado Bússola Executiva. É servidora pública do quadro efetivo do Estado e coordenadora de Comunicação na Unidade Gestora de Projetos Especiais - UGPE, do Governo do Amazonas.
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