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Valmir Lima

Copa 2014: mais uma promessa à beira do caminho

25 de novembro de 2013 Valmir Lima
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Em artigo, Valmir Lima lembra os legados da Copa do Mundo de 2014 prometidos e que estão ficando para trás

A Arena da Amazônia, a grande promessa de ser um estádio sustentável, não terá mais o sistema de captação de energia solar / Foto: Chico Batata/Agecom

MANAUS – Eu estava na reportagem de política do Diário do Amazonas quando o ex-governador Eduardo Braga (PMDB) chegou com a conversa de que o Amazonas só tinha a ganhar se Manaus se tornasse cidade-sede da Copa do Mundo de 2014. Na caixa de argumentos, ele tinha dezenas de boas promessas de legado para a população de Manaus. Os custos eram altos, mas valeria muito a pena, dizia ele e seus secretários responsáveis por vender o peixe. O povo, animadíssimo, foi à rua, no dia do anúncio oficial das cidades-sede. A festa em Manaus foi feita em frente ao finado Vivaldo Lima, o estádio que foi demolido para dar lugar à mais moderna arena da Copa.

Hoje, o UOL Esporte traz a notícia de que a Arena da Amazônia não terá toda a modernidade prometida, pelo menos até a Copa. O governo terá muito pouco interesse em concluir qualquer serviço no estádio candidato a elefante branco depois da Copa. Não há mais tempo, de acordo com a Fifa, de construir o sistema de alimentação de energia solar. A promessa de estádio mais sustentável do país para a Copa ficou pelo caminho.

Mas não foi a única promessa que caiu por terra. Quem não se lembra do sistema de transporte público, da melhoria do sistema de saúde, da melhoria do trânsito, da construção de um parque para o público assistir aos jogos da Copa em telões oficiais da Fifa e tantas outras?

O sistema de transporte foi um dos primeiros a cair. O monotrilho capenga, servindo apenas um lado da cidade, com passagem em frente ao estádio da Copa, começou errado e terminou com uma decisão da Justiça suspendendo os trabalhos, que sequer haviam começado. O sistema BRT, que a Prefeitura de Manaus faria do outro lado da cidade, para complementar o monotrilho, nem chegou a ser colocado no papel. O projeto do ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT) deve ser abandonado pelo prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB). Para a Copa, pretende-se decretar feriado e fazer campanha para que o povo que não vai ao estádio evite sair de casa nos dias de jogos. Um sistema especial de ônibus será montado para atender ao público dos jogos. O legado para a população ficará para depois da Copa.

Na saúde, a promessa era criar uma rede de atendimento de urgência e emergência no entorno do estádio, o que incluía uma reforma do Hemoam e até a transformação do hospital de sangue em unidade de atendimento de emergência. Nada foi feito. Tudo será improvisado para as duas semanas de jogos.

As ruas de Manaus, com seu trânsito congestionado, estão cada dia piores. A população terá que se conformar com uma camada de asfalto no que a Prefeitura de Manaus está chamando de “quadrilátero da Copa”. E só. Nenhuma rua aberta, nenhuma obra de arte para melhorar o trânsito. Nada!

O Fan Park que seria criado em Manaus tombou faz tempo. Em dezembro de 2011, o governo do Estado apresentou a uma comitiva da Fifa o local onde será instalado o Fan Park. Era uma área às margens do rio Negro, em frente ao encontro das águas, na zona leste, no local conhecido como Mirante da Embratel. De acordo com o coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP Copa), Miguel Capobiango Neto, o Estado iria construir no local o Memorial Encontro das Águas, com projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. Este ano, o projeto foi abandonado e a Fifa decidiu que Fan Park, rebatizado de Fifa Fan Fest, será instalado na Ponta Negra.

Das dezenas de projetos, só o estádio será concluído e não se sabe com que qualidade. As obras estão em atraso e o prazo de conclusão deve ser revisto. Ainda falta muito para o governo cumprir a promessa de entrega-lo em dezembro deste ano.

 


Valmir Lima é jornalista, graduado pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas); mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia (Ufam), com pesquisa sobre rádios comunitárias no Amazonas. Atuou como professor em cursos de Jornalismo na Ufam e em instituições de ensino superior em Manaus. Trabalhou como repórter nos jornais A Crítica e Diário do Amazonas e como editor de opinião e política no Diário do Amazonas. Fundador do site AMAZONAS ATUAL.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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