
Por Felipe Campinas e Soraia Joffely, do ATUAL
MANAUS – O governador Wilson Lima reafirmou, em entrevista do ATUAL nesta quarta-feira (14), que o estado não tem condições de conceder reajuste salarial além da capacidade do estado para pagar. Segundo o governador, ele estaria cometendo crime [de responsabilidade], inclusive sujeito a cassação, se gerasse despesa superior ao orçamento do estado.
“Se eu desse, por exemplo, um reajuste além do que me permite o orçamento do estado eu estaria ensejando em um crime e inclusive sujeito a cassação. Então, aqui tudo o que a gente faz é com muita responsabilidade, entendendo aquilo que a gente pode fazer. E eu não vou assumir nenhum compromisso que eu não possa cumprir”, disse Lima.
O governador respondeu a questionamento sobre o reajuste de 15,19% reivindicado pelos professores. O governo vai conceder apenas 8%.
Em entrevista à Rede Amazônica, o governador disse que o restante referente às datas-bases atrasadas é “conversa que em outro momento” ele terá com a categoria.
“O governo havia assumido o compromisso de garantir 8% de reajuste para professores de imediato e isso eu já estou cumprindo. Há um outro entendimento que a gente precisa ter com a categoria sobre os outros 3% e também com relação aos percentuais do ano que vem, mas essa é uma conversa que em outro momento a gente vai ter”, disse Lima.
O percentual de reajuste gerou impasse entre o Sinteam (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas) e representantes do governo desde a primeira reunião, no dia 18 de maio, um dia após o início da greve da categoria. O sindicato reivindicava 25%, referente às datas-bases de 2022 e 2023 e resquícios de 2020 e 2021, mas o governo comunicou que só poderia dar 8%.
No dia 31 de maio, professores saíram de uma reunião na sede do governo com a proposta de 15,19% escalonado. Mas, no dia seguinte, ao falar pela primeira vez sobre o pleito dos professores, o governador Wilson Lima anunciou que iria conceder apenas 8% retroativo a março deste ano e declarou que os professores estavam sendo usados como “massa de manobra”.
A presidente do Sinteam, Ana Cristina, declarou, no mesmo dia, que a proposta de 15,19% era “ponto pacífico”, mas que acreditava que o governador havia se chateado com áudios de uma reunião em que os professores o chamavam de “autoritário”. “Defendemos, mas também dissemos a verdade, que era um governo de certa forma ditador e autoritário”, disse Rodrigues.
No dia 7 deste mês, em entrevista ao programa “O A da Questão”, do AMAZONAS ATUAL, Ana Cristina afirmou que os professores tentariam obter os 15,19% escalonado através de emendas de parlamentares. Eles prometeram pressionar os seis deputados que participaram da reunião em que foi proposto o percentual maior.
Nesta quarta-feira, Lima disse que o orçamento do estado não permite a concessão de reajuste no percentual superior a 8%. “Eu queria poder conceder 25%, mas o limite do estado não permite que isso aconteça. Essa situação de reajuste já está resolvida. Eu anunciei recentemente, e inclusive já encaminhei a lei para a Assembleia Legislativa”, disse o governador.
“É muito justo [o pleito dos professores]. Eu acho que o professor, no Brasil como um todo, ainda é pouco reconhecido. Eu queria poder dar um reajuste de 25%, mas eu não consigo ir além do que é limite do estado. Se eu desse, por exemplo, um limite além do que me permite o orçamento do estado eu estaria ensejando em um crime e inclusive sujeito a cassação”, completou Lima.
Na terça-feira (13), o deputado estadual Wilker Barreto (Cidadania) apresentou uma emenda ao projeto de lei que concede reajuste salarial aos servidores da Seduc para garantir o pagamento escalonado de 15,19%. O parlamentar disse que a emenda busca garantir “aquilo que foi proposto pelo governo em mesa de negociação com o Sinteam no dia 31 de maio de 2023”.

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