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Política

Veto parcial de Lula à Lei da Ficha Limpa abre brecha para favorecer políticos cassados

1 de outubro de 2025 Política
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m Manaus, as ocorrências foram por tentativa de compra de votos (Foto: Antonio Augusto/Ascom TSE) (Foto: Antonio Augusto/Ascom TSE)
Mudança na Lei da Ficha Limpa abre brecha para favorecer político cassado nas eleições (Foto: Antonio Augusto/Ascom TSE)
Por Raisa Toledo, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Entidades que atuam no combate à corrupção avaliam que o veto parcial do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao projeto que altera a Lei da Ficha Limpa, pode abrir caminho para que políticos cassados ou condenados tentem voltar à vida pública. A Lei Complementar nº 219 foi sancionada na segunda-feira (29), com veto a alguns pontos do projeto aprovado no Congresso Nacional.

Para o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), o veto presidencial é “irrelevante” e ameaça a aplicação da Lei da Ficha Limpa. “Essa alteração fragiliza a moralidade eleitoral e abre caminho para o retorno de políticos condenados às disputas, inclusive com o risco de maior influência de grupos ligados ao crime organizado”, diz o MCCE na nota.

“As mudanças centrais – a redução generalizada dos prazos de inelegibilidade e a flexibilização de sua contagem – foram integralmente mantidas. Em outras palavras, os vetos não alteraram o núcleo da alteração, que manteve o limite de oito anos e a impossibilidade de aplicação cumulativa das penas em casos de múltiplos processos”, afirma a entidade.

O Inac (Instituto Não Aceito Corrupção) afirmou que, ao passar alterações que “desfiguram o coração” da lei, “legisla-se em causa própria visando abreviar o retorno à vida política dos violadores da lei”. Segundo o instituto, trata-se de “verdadeiro ato de abuso do poder de legislar, a exemplo da PEC da Blindagem”.

O comunicado lembra que a lei foi fruto de mobilização popular e menciona que a aprovação da mudança ocorre pouco tempo depois das manifestações contra a PEC da Blindagem. “Ato de desrespeito e escárnio ao povo”, diz.

A nova Lei Complementar nº 219 unifica a contagem do prazo de oito anos de inelegibilidade previsto na Lei da Ficha Limpa, reduzindo na prática o tempo de afastamento das urnas. Além disso, o período máximo de inelegibilidade é fixado em 12 anos, mesmo em caso de múltiplas condenações.

Se antes um deputado, senador, prefeito, governador ou vereador cassado pelos pares ficava inelegível pelo resto daquele mandato e mais oito anos seguintes, fica agora impedido apenas pelo prazo de oito anos, sem considerar o período que falta para que o mandato termine.

Em seu veto, Lula barrou trecho que previa a aplicação retroativa da norma, o que beneficiaria de forma imediata quem já foi condenado. Mesmo assim, a avaliação é que o novo formato pode gerar disputas na Justiça.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, por exemplo, pode tentar voltar ao cenário político. Ele ficou preso durante a Lava Jato e foi cassado em 2016, mas, pelas novas regras de contagem, já ficou inelegível por oito anos.

Tanto o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral como o Instituto Não Aceito Corrupção mencionam que vão pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que declare a lei inconstitucional.

Na terça-feira (30), o Partido Rede Sustentabilidade protocolou uma ação no Supremo pedindo a suspensão das alterações na Lei da Ficha Limpa.

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Assuntos corrupção, Lei da Ficha Limpa, políticos, projeto de lei
Cleber Oliveira 1 de outubro de 2025
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