

Por Milton Almeida, do ATUAL
MANAUS – “Ele não é mais de direita do que eu, porque do jeito que ele apoiou o Bolsonaro eu também apoiei”, disse o prefeito David Almeida (Avante) em uma emissora de TV, após o resultado do primeiro turno, sobre o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), adversário no segundo turno das eleições em Manaus.
Para Lino João de Oliveira, professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e mestre em Antropologia Social, os dois candidatos representam duas versões do bolsonarismo; uma com comportamento radical (Alberto Neto) e outra “disfarçado” (David Almeida).
“Com as eleições deste ano, eu vejo que o bolsonarismo está bastante forte [em Manaus]. E isso é muito ruim para o quadro democrático, porque o pensamento bolsonarista não é nada democrático. É um pensamento radical e tirânico”, diz.
“Então, para mim, não há alternativa. O que existe é uma mesma questão, duas faces de uma mesma moeda. Quero frisar que a extrema direita expressa em suas proposições políticas uma reacionária gestão de política pública”, afirma.
A segurança pública, tema de campanha de Alberto Neto, segundo o antropólogo, não pode ser confundida com a violência e o ódio. “A bandeira do bolsonarismo reacionário não é a da segurança pública, a bandeira é a da violência, do ódio. A segurança pública parte por uma perspectiva da não-agressão. Aí [nas propostas] não há nada de segurança pública. Aí há de violência social. Existe a proposta clara de armar a população para enfrentar o medo. E armar a população não é segurança pública”, diz Lino.
Para Luiz Antonio Nascimento, sociólogo, doutor em História Social e professor da Ufam, os governos federal e estadual, que são os responsáveis por enfrentar as questões da violência, “não têm dado respostas à altura” e há políticos que aproveitam a oportunidade para apresentar uma “salvação mágica”.
“Por isso que quando aparece um político e diz que vai resolver na bala e na bota [os problemas de segurança], as pessoas veem nele, como viram no Bolsonaro, uma espécie de opção de salvação mágica, ungida pela vontade de Deus”, afirma.
Para Nascimento, a primeira situação que a população de Manaus deve considerar é o da “desigualdade” e que as soluções para os problemas podem ser “politizados”. “Embora governos anteriores tenham feito muito, hospitais foram criados, unidades básicas de saúde foram implementadas, concessões de bolsas foram oferecidas e aumentadas, não houve uma politização dessas políticas públicas”, diz.
Nascimento fala da “politização” no sentido de reconhecer a importância do pensamento ou da ação política, de ser “consciente”. “O que eu quero dizer com isso – e não estou a confundir com partidarização – é que quando uma pessoa recebeu uma casa, do programa Minha Casa Minha Vida, por exemplo, ela não foi conscientizada daquilo que é o resultado de uma política pública, implementada por um partido de esquerda que ouviu a demanda da população e atendeu”, complementa.
Para o sociólogo, quando a população recebe um benefício, entende que “teve sorte” e não percebe que é o resultado de uma política pública de um governo. “Ninguém percebe aquilo como resultado de uma política pública, implementada pelos partidos de esquerda. Isso é culpa do eleitor? Não! É culpa dos partidos de esquerda, que não conseguem politizar as suas ações”, afirma.
O Partido Liberal (PL), do ex-presidente Jair Bolsonaro, é a sigla que disputa mais prefeituras nas 15 capitais que tem segundo turno das eleições municipais de 2024, entre elas Manaus. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pensamento Arcaico e com claro viés político partidário de militância do PT. As análises claras e sem viés político partidário deveriam ser de pessoas totalmente imparcial