
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS – Janderson Cabral Cidade, de 20 anos, Lucas Lima, de 35 anos, e Davi Souza da Silva, de 23 anos, serão julgados no próximo dia 3 de outubro pela morte do jovem indígena Melquisedeque Santos do Vale, o ‘Mélqui’, que tinha 20 anos. O crime ocorreu no dia 16 de dezembro de 2021 em um ônibus da linha 444, em Manaus, quando o jovem voltava do trabalho.
No fim de agosto, a justiça realizou audiência para ouvir testemunhas, mas três policiais que atuaram na ocorrência não puderam comparecer. O promotor de justiça Francisco Campos relatou que estava insatisfeito com as provas produzidas e, por isso, insistiu na oitiva dos agentes, que foi marcada para outubro, ocasião em que o trio será julgado pelo crime de latrocínio.
De acordo com a promotora de Justiça Leda Mara Albuquerque, que assina a denúncia do MP-AM (Ministério Público do Amazonas), no dia do assassinato o trio entrou no ônibus vestido de gari para roubar celulares e dinheiro de passageiros. Enquanto Lucas e Davi ameaçavam e recolhiam os pertences das vítimas, Janderson atirou na cabeça de Mélqui, que morreu instantaneamente.
A denúncia relata que, após Janderson disparar contra Mélqui, o trio exigiu que o motorista do ônibus parasse o veículo para que eles descessem e fugissem por um matagal. Conforme a promotora de Justiça, o “comparsa que conduzia o automóvel destinado ao auxílio e fuga dos denunciados também evadiu-se”.

Lucas foi preso no dia 16 de março em uma rua do bairro Cachoeirinha, na zona sul de Manaus, e apontou Janderson como autor do disparo contra Mélqui. No dia seguinte, 17 de março, policiais militares localizaram e prenderam Janderson em uma casa no bairro Monte das Oliveiras, na zona norte de Manaus, após denúncia anônima.
Janderson e Lucas foram denunciados pelo MP no dia 4 de abril, ocasião em que Leda Mara solicitou à polícia que localizasse e interrogasse Davi, que havia sido mencionado por Janderson. No dia 7, acompanhado de uma advogada, Davi compareceu à Derfd (Delegacia Especializada De Roubos, Furtos e Defraudações) para prestar depoimento.
Documento da Polícia Civil que o ATUAL teve acesso aponta que, em depoimento, Davi confirmou a participou na ação criminosa que resultou na morte de Mélqui. Ele disse que Lucas era o “cabeça do grupo” e foi quem deu a ideia de fazer assalto no veículo. Também afirmou que foi Janderson quem disparou contra o jovem indígena usando uma arma caseira.
Ainda conforme o documento, Davi negou que o motorista que deu suporte ao grupo estava em um carro Renault/Symbol, da cor vermelha, como apontaram denúncias anônimas que levaram policiais militares até Emerson Arevalo, no dia 17 de dezembro. Segundo David, o motorista estava em um carro Classic, de cor preta.
No dia 7 de abril, o delegado Ismael Schettini Trigueiro, da Derfd, indiciou Davi como um dos autores do crime contra Mélqui após o jovem de 23 anos ter confessado participação na ação criminosa no ônibus da linha 444. Davi foi incluído pelo Ministério Público na denúncia contra Janderson e Lucas no último dia 10 de abril.
