
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS – O reitor da Ufam, Sylvio Puga, atribuiu à pandemia de Covid-19 e ao baixo orçamento da instituição o atraso na entrega da Casa do Estudante, localizada no bairro Coroado, zona leste de Manaus. A construção foi concluída em 2019 e a obra inaugurada em 2021, mas até hoje os alojamentos estão vazios. Puga afirmou que o local será ocupado nos próximos 30 dias.
“Assumi o cargo de reitor em 2017 e encontrei a obra embargada. Eu desembarguei em 2018 e a construtora retomou a obra e fez o que faltava no prédio. E veio a pandemia, que parou tudo em 2020. Quando nós retomamos, em 2021, eu entreguei o prédio”, afirmou Puga.
A ocupação dos apartamentos depende da aprovação do regimento interno da moradia pelo Consad (Conselho de Administração da Ufam), que decide sobre as questões institucionais. Os membros dessa comissão foram escolhidos em eleição ocorrida nesta terça-feira (28) e, segundo o reitor, se reunirão na segunda quinzena de março para votar as regras da residência estudantil.
“Eu só estou esperando recompor o Conselho. Eu já pautei [a votação do regimento]. Vamos aprová-lo e ocupá-lo o mais rápido possível”, afirmou Puga. “Aprovou, já temos regimento, casa está pronta, com ar-condicionado, então, os alunos do edital vigente [alunos que recebem auxílio-moradia de R$ 400] vão para a casa”, completou o reitor.
Na segunda-feira (27), o ATUAL publicou que a construção da moradia foi concluída há quatro anos e o local ainda não está sendo usado pelos alunos vindos do interior do Amazonas e de outros estados em situação de vulnerabilidade econômica. Puga discordou da publicação e disse que entregou a obra no “tempo certo”, considerando a pandemia e o baixo orçamento.
O reitor disse que, ao assumir o primeiro mandato, em julho de 2017, encontrou a obra paralisada, em razão de embargo pelo Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas). Em 2018, a universidade firmou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para resolver as questões ambientais e teve autorização para retomar os trabalhos.
“Na época, a minha assessora para assuntos ambientais era a professora Therezinha Fraxe, que hoje é a vice-reitora. E eu a designei para fazer as tratativas com o Ipaam, e fizemos um acordo de cooperação, um TAC, com o Ipaam. Nesse termo de ajustamento de conduta nós desembargamos a obra. A obra foi retomada e concluída”, disse Puga.
Ainda de acordo com o reitor, após concluir a construção do prédio, em 2019, a Ufam enfrentou dificuldades para comprar a mobília em razão da pandemia de Covid-19, que afetou a maioria dos serviços em 2020. Em junho do ano seguinte, ao adquirir os beliches e colchões, a instituição inaugurou a Casa do Estudante, mas o local ainda não tinha aparelhos de ar-condicionado.
“Nós fizemos a inauguração da parte de engenharia do prédio. Depois, fomos licitar os aparelhos de ar-condicionado e resolver uma pendência de luz. Qual o status hoje? Nós já resolvemos a questão da luz, terminamos de receber os aparelhos e em dezembro do ano passado eu pautei na reunião do Conselho [Consad] o regimento da casa”, afirmou Puga.
Baixo orçamento
Ao ser questionado a respeito da não inclusão dos aparelhos de ar-condicionado na licitação que comprou a mobília da Casa do Estudante, Puga justificou com a falta de dinheiro. “O meu problema na época era orçamento. Eu tinha que ir comprando. O que eu precisava? Primeiro os beliches e os colchões. Depois compro o ar-condicionado”, disse o reitor.
De acordo com Puga, nos últimos anos, a Ufam teve o orçamento diminuído pelo governo federal. “O nosso orçamento de custeio ao longo dos anos diminuiu. Custeio e investimento diminuíram. A questão básica é orçamentária”, afirmou o reitor, que tem esperança que o novo governo crie “outro cenário para as universidades” públicas.
Auxílio-moradia
A Casa do Estudante tem 38 apartamentos, dois deles são reservados para estudantes com deficiência física. Conforme a instituição, o local tem capacidade para abrigar 112 estudantes, sendo três ocupantes por apartamento, exceto no caso de pessoas com deficiência, em que dois alunos dividirão um alojamento.
De acordo com Puga, a casa será ocupada pelos estudantes que hoje recebem o auxílio-moradia de R$ 400, e os alunos que não conseguirem vaga na residência estudantil receberão a ajuda de custo da instituição. Além disso, a Ufam abrirá todos os anos edital para preencher as vagas no local, conforme critérios estabelecidos pela instituição.
“Temos alunos que recebem o auxílio hoje. A partir do momento que a casa inaugurar, esses alunos estarão automaticamente dentro da casa. Agora, claro, eu tenho que fazer todo ano processo seletivo”, disse Puga.
Ao ser questionado sobre a ampliação de vagas para estudantes em Manaus, o reitor disse que a prioridade da gestão dele é a construção de moradias estudantis em Coari e Humaitá, que ainda não têm essas residências. “Eu tenho que construir casas no interior. Tem dois municípios que não tem Casa. Se o senhor me perguntar, onde eu construiria? No interior”, declarou Puga.
Puga disse, ainda, ao ser questionado sobre o tempo da obra, que iniciou há doze anos, que não responde pelas gestões anteriores. “Eu não posso responder de 2011. Eu só posso responder de 4 de julho de 2017 pra cá. Nós fizemos o TAC em 2018. Eu tive 2018 e 2019. Em 2020 veio a pandemia. Então, eu entreguei no tempo certo”, disse Puga.
