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Política

PT ataca ‘republicanismo’ sobre escolhas de nomes para a PGR, STF e PF

17 de junho de 2017 Política
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Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ministro de governo da Bolívia, Carlos Romero, durante encontro para tratar da cooperação nas áreas, entre outras, de repressão ao tráfico de drogas (Foto: Valter Campanato/ABr)
O ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, discorda da avaliação do PT sobre nomeações para a PGR, STF e PF (Foto: Valter Campanato/ABr)

 

Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Texto aprovado pelo PT no 6º Congresso Nacional do partido, realizado na semana retrasada, em Brasília, diz que o ‘republicanismo’ dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff levou a “decisões equivocadas” na escolha de nomes para a PGR (Procuradoria-Geral da República), STF (Supremo Tribunal Federal) e o comando da PF (Polícia Federal).

A crítica petista ocorre justamente no momento em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, virou alvo de bombardeio do governo Michel Temer depois de determinar a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa por parte do presidente.

Segundo o PT, o ‘republicanismo’, sempre grafado entre apóstrofo, dos governos Lula e Dilma é um dos motivos pelos quais o partido tem sido atingido pela Lava Jato e foi atingido pelo escândalo do mensalão. “Sem aquele tipo de ‘republicanismo’, a Operação Lava Jato e antes dela a Ação Penal 470 (mensalão) não teriam conseguido instalar a ‘justiça de exceção’ organizada com o objetivo de destruir o PT e Lula”, diz o projeto de resolução aprovado pelo congresso petista.

A postura criticada pelo PT faz parte, há anos, do discurso petista de combate à corrupção. Tanto Lula quanto Dilma costumam se vangloriar por nunca terem interferido no comando da PF, aprovado a criação de um arcabouço legal que permitiu, por exemplo, o avanço das delações premiadas que marcaram a Lava Jato, indicado para o STF ministros sem vinculação partidária e, principalmente, por terem sempre nomeado para a PGR o primeiro colocado da consulta interna aos integrantes do Ministério Público Federal (MPF), ao contrário de governos anteriores.

Em seus discursos, Lula sempre se refere ao ex-procurador-geral Geraldo Brindeiro como “engavetador-geral da República”, que nunca foi o primeiro da lista do MPF, mas ocupou a chefia da PGR por quatro mandatos consecutivos no governo Fernando Henrique Cardoso.

Crítica

José Eduardo Cardozo e Tarso Genro, os dois petistas que ocuparam o Ministério da Justiça nos governos Lula e Dilma, discordam da posição do PT. “O partido tem a sua opinião. Nas condições que estavam dadas, as escolhas foram corretas”, disse Cardozo.

A crítica ao ‘republicanismo’ faz parte do capítulo sobre ‘balanço’. Ironicamente, a reavaliação dos 13 anos de governos petistas era um pleito das correntes de esquerda do PT que esperavam usar o 6.º Congresso para um acerto de contas interno em relação aos casos de corrupção que levaram o PT à maior crise de sua história. “Infelizmente aconteceu o contrário. Barraram a autocrítica e culparam nossos acertos”, disse um dirigente petista.

Os projetos de resolução foram aprovados na íntegra pelo PT, mas ainda devem passar por mudanças na redação até o final da próxima semana.

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Assuntos Eduardo Cardoso, partido dos trabalhadores, Tarso Genro
Cleber Oliveira 17 de junho de 2017
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