
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – A democracia interna do PT no Amazonas é ilusória, incapaz de seduzir até os menos atentos, e joga por terra a fama do partido de ser o mais democrático entre as legendas partidárias. A reeleição de Sinésio Campos presidente do diretório estadual e de Valdemir Santana presidente do diretório municipal de Manaus reforça esse argumento, que é recorrente entre membros do partido.
O PT no Amazonas é um arremedo mal feito do partido nacional, que em 2022 venceu a eleição para presidente do Brasil e levou Lula ao terceiro mandato. Por aqui há um PT desfigurado, distante das lutas sociais, sem militância e atolado no fisiologismo.
Em 2022, não conseguiu reeleger o único deputado federal do Amazonas pela legenda, José Ricardo, muito pela falta de apoio da direção estadual. Em 2024, nas eleições municipais, Sinésio virou às costas ao candidato do partido em Manaus, Marcelo Ramos, e se refugiou nos municípios do interior do Estado para não ser cobrado.
Faz muito tempo que o partido evita candidaturas majoritárias no Estado, muito em função da falta de querer da direção estadual, que usa o partido como moeda de troca com os grupos políticos que lideram o processo eleitoral. Aliás, uma moeda valiosa, porque o PT dispõe de uma generosa fatia do horário eleitoral em função da bancada na Câmara dos Deputados. Mas diga-se, sem qualquer contribuição do Amazonas.
As decisões sobre o processo eleitoral nas eleições gerais e nas municipais são tomadas pelos delegados partidários, que estão, em sua maioria no grupo de Sinésio Campos e Valdemir Santana. Não há como vencer o grupo, que sempre consegue se impor nas instâncias decisórias.
Nas eleições como a do último domingo, também prevalece a vontade do grupo, que dispões de recursos financeiros para fazer campanha em todo o Estado. A reeleição de Sinésio, assim como a de Valdemir, já era esperada. Os demais candidatos sabiam de antemão que não tinham chance de vencer.
Há que se dizer também da culpa da direção nacional, onde são tomadas as decisões que regem as eleições dos diretórios, por permitir reeleições ilimitadas. Qualquer organização que preza pela democracia permite a renovação nos postos de comando, sob pena de se criar castas autoritárias.
Não é saudável um partido político ter um dirigente que dialoga apenas com o seu próprio grupo político; não é saudável uma organização que dificulta a alternância de poder entre seus membros.
Enquanto o Congresso Nacional discute o fim da reeleição para cargos majoritários, o partido que prega a democracia se fecha para essa discussão no âmbito da legenda. É um contrassenso até a reeleição para cargos proporcionais (deputado federal, deputado estadual e vereador), porque permite o carreirismo político em um ambiente em que a representação popular deveria ser a mais plural possível, com a renovação periódica dos representantes.

