
MANAUS – Vou iniciar o artigo respondendo a pergunta: simplesmente, porque gente grata é mais saudável e feliz.
A prática da gratidão é, frequentemente, subestimada, embora tenha o potencial de transformar a maneira como percebemos nossa vida. Vivemos em uma era de insatisfação constante, onde frequentemente falhamos em reconhecer as coisas boas que nos cercam, incluindo as pessoas que nos fazem bem. Cultivar a gratidão, seja pelo que as pessoas nos proporcionam, seja pelo que conquistamos no dia a dia, sejam eles pequenas ou grandes feitos, não é apenas um exercício emocional, mas também um caminho para um maior bem-estar.
De acordo com o filósofo William James, um dos criadores da Teoria do Pragmatismo, “a maior descoberta de qualquer geração é que um ser humano pode alterar sua vida alterando suas atitudes”. A gratidão, nesse sentido, é uma poderosa mudança de atitude que transforma a maneira como interpretamos nossa realidade. Quando praticamos a gratidão, passamos a focar no que é bom, naquilo que nos traz felicidade e satisfação, em vez de sermos dominados pelas dificuldades.
A maioria das pessoas tende a acreditar que a felicidade está sempre um passo à frente e vive em uma busca constante dela. Essa atitude pode nos levar a uma eterna insatisfação e nos impedir de apreciarmos o presente e as pequenas coisas que, realmente, trazem felicidade.
Trata-se de uma condição da espécie humana, chamada adaptação hedônica. Refere-se à nossa tendência de nos acostumarmos rapidamente com o que é bom, deixando de reconhecer o valor dessas experiências. Como resultado, estamos sempre em busca de mais e mais, negligenciando as bênçãos que já temos.
Por outro lado, quando enfrentamos dificuldades ou experiências negativas, tendemos a supervalorizá-las. Mesmo que noventa por cento do nosso tempo sejamos felizes, os dez por cento de contratempos no meio da jornada podem gerar um impacto devastador. Essa ênfase no negativo pode nos levar a crer que “nada funciona” e que “nada é bom”, o que, por sua vez, atrai mais negatividade. Quem assistiu “Divertida Mente”, reconhece a personagem que reflete essa condição.
Como destaca o psicólogo Martin Seligman, um dos pioneiros da Psicologia Positiva e autor de mais de 20 livros como “Felicidade Autêntica” e Aprenda a ser Otimista”, a felicidade não reside em grandes conquistas isoladas, mas nas pequenas coisas que, somadas, criam um estado constante de alegria, motivação e bem-estar. Reconhecer e valorizar essas pequenas experiências cotidianas nos permite construir uma visão mais equilibrada da vida.
Focar no positivo é um exercício de resiliência e consciência, permitindo que sejamos mais saudáveis emocionalmente e menos suscetíveis às oscilações de humor causadas pelos nossos desafios diários.
Brené Brown, professora, pesquisadora e palestrante americana, autora de vários livros comportamentais, afirma que “a gratidão é a prática que mais muda nossa perspectiva sobre o que temos, permitindo que vejamos abundância em vez de escassez”.
Na prática de mindfulness (meditação), um dos métodos mais recomendados para praticar a gratidão é tirarmos um tempo do nosso dia para refletir e escrever sobre as pessoas e situações que nos fizeram bem, e pelas quais somos gratos. Esse simples ato de registrar nossos pensamentos e experiências numa espécie de “Diário da Gratidão” tem um impacto importante em nossa percepção.
Pesquisas científicas mostram que escrever sobre nossas experiências aumenta a conscientização e o impacto emocional dessas vivências. Quando traduzimos pensamentos em palavras, damos forma e estrutura ao que sentimos, revivendo a emoção positiva e fortalecendo nossos sentimentos de gratidão. O ato de escrever sobre as coisas boas que nos acontecem pode alterar nossa percepção sobre a felicidade, gerando uma visão mais clara de nossa vida e nos conectando a um senso de propósito.
Indivíduos que praticam a gratidão regularmente tendem a ser mais saudáveis e felizes. Estão mais propensos a reconhecer as bênçãos em meio às adversidades e têm uma maior capacidade de lidar com os desafios de maneira positiva. Como resultado, essas pessoas experimentam níveis mais altos de bem-estar emocional, o que, por sua vez, impacta positivamente sua saúde física. Afinal, a gratidão, ao mudar nosso foco para o positivo, pode literalmente reprogramar nosso cérebro para a felicidade.
Em suma, praticar a gratidão é uma ferramenta poderosa para nos reconectarmos com o que há de melhor em nossas vidas, melhorando nossa saúde mental e emocional. Como diria Seligman, “Você não encontrará felicidade se não souber onde procurá-la”. Portanto, ao nos acostumarmos a reconhecer e valorizar as coisas boas, criamos uma base sólida para uma vida mais plena e satisfatória.
Roseane Mota é jornalista, formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e aluna do programa mentorado Bússola Executiva. É servidora pública do quadro efetivo do Estado e coordenadora de Comunicação na Unidade Gestora de Projetos Especiais - UGPE, do Governo do Amazonas.
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