
Da Redação
MANAUS – A organização criminosa que desviou R$ 150 milhões da Saúde Pública do Amazonas descoberta pela Operação Maus Caminhos planejava dominar a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) que tem contratos milionários de gestão dos presídios. Também pretendia expandir a ação para outros estados, de acordo com a denúncia do MPF (Ministério Público Federal) apresentada à Justiça na segunda-feira, 25. As negociações eram feitas por um ‘núcleo jurídico’ que prestava consultoria aos envolvidos no esquema de desvio de dinheiro público.
Conversa gravada do médico e empresário Mouhamad Moustafa, principal implicado no caso, revela que o grupo pretendia nomear, por meio de influência política, uma pessoa de confiança para o cargo de secretário-executivo da Seap.
A conversa, segundo denúncia do MPF, foi com o advogado e ex-deputado Lino Chíxaro. O nome sugerido para o cargo na Seap foi de Keitiane Evangelista, que atuava como diretora executiva do FES (Fundo Estadual de Saúde). O médico, no entanto, não concordou com a sugestão porque, segundo o MPF, a saída dela do FES poderia ameaçar o esquema. O esquema funcionava a partir de convênios das empresas do médico com o Fundo Estadual de Saúde.
Chíxaro nega qualquer relação ilícita no serviço de assessoria jurídica.
O MPF afirmou que o grupo também planejava expandir a atuação criminosa para outros Estados, entre eles Mato Grosso do Sul. Em mensagens obtidas pelo MPF, o advogado Josenir Teixeira e Mouhamad Moustafa falam sobre transformar o INC (Instituto Novos Caminhos), uma das empresas do médico, em Organização Social do Estado.
Nas mensagens, Josenir Teixeira diz que a ida a Campo Grande foi “muito proveitosa” e que haviam conversado com representantes do governo e do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso do Sul). “O Odenildo (MPF não identificou quem é a pessoa citada) foi bem recebido por todas essas pessoas, que mostraram simpatia a ele. Parece ser a pessoa certa, realmente. É a primeira impressão, pelo menos. Estou com a minuta da lei de organização social do estado e vou fazer alguns sugestões”, diz Josenir em uma das mensagens.
Em outras, Josenir e Mouhamad comemoram a “qualificação” do INC como Organização Social em Mato Grosso do Sul. Apesar de lamentarem que “os Estados estejam quebrados”, os dois afirmam que é “interessante” entrar pelo menos em um serviço pequeno para “garantir espaço quando as coisas melhorarem”.
