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Política

Ex-secretária rebate diretor e diz que OS não ofertou 100% de leitos em Manaus

31 de agosto de 2020 Política
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Ex-secretária executiva de Saúde da Capital prestou depoimento na CPI da Saúde (Foto: ALE/Reprodução)
Por Felipe Campinas, da Redação

MANAUS – A ex-secretária executiva de Saúde da Capital Dayana Mejia disse, em depoimento à CPI da Saúde da ALE (Assembleia Legislativa do Amazonas), nesta segunda-feira, 31, que o INDSH (Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano), Organização Social responsável pela gestão do Hospital Delphina Aziz, não ofertou 100% dos leitos na unidade durante o pico da pandemia, como afirmou o diretor executivo da OS, José Luiz Gasparini, na sexta-feira, 28, aos deputados da comissão.

“Essa oferta de 100% não aconteceu. O senhor pode pedir um relatório da regulação, peça o mapa de leitos do período de abril. Eu não sei qual a data que vocês querem pedir para analisar, mas, desculpa, eu tinha a noite 90 pacientes aguardando remoção. Eu tinha 150 pacientes aguardando remoção. Às vezes, 120 pacientes. No dia 21 de abril, quando fui exonerada, pela manhã eu recebi o mapa e havia 91 pessoas aguardando remoção. Se eles estavam aguardando remoção, é porque não havia para onde eles serem enviados. Ninguém deixa um paciente aguardando remoção ao bel prazer”, afirmou Mejia.

De acordo com a CPI da Saúde, na época a quantidade de leitos era de 352, mas 176 não estavam sendo ocupados naquele momento. Na sexta-feira, 28, o presidente da comissão, Delegado Péricles (PSL), afirmou que os deputados investigarão o fato de que a OS tem recebido valores cheios por serviços não executados em sua integralidade.

No mesmo dia, Gasparini afirmou que a Susam (Secretaria de Estado de Saúde) usou apenas 50% dos leitos disponibilizados no Hospital Delphina Aziz. “A questão é aquela velha discussão: pelo contrato a gente oferta todas as vagas para o complexo regulador e o médico vai fazer o encaminhamento dos pacientes, porque nós, OS, não saímos capturando os pacientes pra cá. O nosso papel é deixar o leito preparado e o complexo fazer essa remoção”, disse Gasparini.

Nesta segunda-feira, 31, questionada pelo deputado Serafim Corrêa (PSB) sobre a disponibilização de leitos para os pacientes com coronavírus em abril, Mejia respondeu que não tinha acesso ao que estava sendo pago ou comprado pela secretaria e que apenas solicitava o que as unidades de Saúde estavam precisando.

“Nós disparávamos a demanda: ‘preciso de tantos respiradores, tantos respiradores’. Foi um movimento tão grande na rede. Nós movimentávamos equipamentos, pessoas, ambulâncias, na tentativa de diminuir o impacto que essa doença pudesse trazer à população do estado do Amazonas. Então, existiam outras equipes por trás com planejamento financeiro, com dotação orçamentária”, disse a ex-secretária executiva.

Dayana Mejia afirmou que um suposto imbróglio administrativo, do qual não deu mais informações, impediu a ampliação de leitos de UTI no Hospital Delphina Aziz. “Quando nós recebemos a consultoria do Sírio-Libanês e ficou previsto pelo cálculo epidemiológico uma necessidade de 780 leitos de alta complexidade, que seriam leitos de UTI e de semi-intensiva, nós vimos que o Delphina não teria capacidade de absorção de todos esses leitos. (…) Existia um atraso no pagamento, o que impedia que fosse feito essa ampliação de leitos de maneira muito rápida”, afirmou.

A ex-secretária executiva também alegou que a limitação orçamentária da Susam dificultou a ampliação do Hospital Delphina Aziz. “Esses movimentos demoravam muito. Em fevereiro até março eles demoravam muito. Eu levava a demanda, ‘gente eu preciso ampliar leitos e nós não temos orçamento’. A gente vai ter que trabalhar com essa limitação orçamentária que nós temos”, disse.

“Diante da negativa por falta de orçamento de ampliação do Delphina, que essa foi a primeira situação em que eu estive, que me foi colocado. Tanto o secretário executivo quando o secretário diziam que nós não tínhamos orçamento para ampliar o Delphina. Foi aí que nós tomamos a decisão de ajustar a rede de forma que as pessoas não morressem. Então, os SPAs que não tinham respiradores, receberam respiradores, quem tinha dois ficou com um, quem tinha três ficou com dois, então, a gente fez esse movimento de ajuste na rede para que nós pudéssemos ganhar tempo”, disse Dayana Mejia.

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Assuntos Covid-19, Dayana Mejia, Hospital Delphina Aziz, leitos de UTI, manchete
Felipe Campinas 31 de agosto de 2020
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