
Por Felipe Campinas, da Redação
MANAUS – Os membros da CPI da Saúde da ALE (Assembleia Legislativa do Amazonas) aprovaram, na manhã desta sexta-feira, 3, um requerimento para recomendar ao governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), o exoneração das secretárias de Saúde, Simone Papaiz, e de Comunicação, Daniela Assayag, pela suposta participação delas em esquema de fraudes na Saúde.
De acordo com o Delegado Péricles, o esposo de Daniela Assayag, o empresário Luiz Carlos Avelino Júnior, teve uma cota social do dia 1º de janeiro ao dia 5 de junho deste ano na empresa Sonoar, a loja de vinhos que vendeu 28 respiradores para a Susam (Secretaria de Estado de Saúde) por R$ 2,9 milhões.
Em relação a Simone Papaiz, o presidente da CPI da Saúde citou a prisão dela pela Polícia Federal na Operação Sangria, deflagrada na terça-feira, 30. Papaiz foi presa por não auxiliar os órgãos de controle na apuração de irregularidades na compra de 28 respiradores por R$ 2,9 milhões e dificultar a fiscalização do TCE (Tribunal de Contas do Amazonas).
Leia: Governador Wilson Lima é alvo de busca e bloqueio de bens em operação da PF e MPF
O deputado Doutor Gomes (PSC), único da base do governo na comissão, disse que o pedido de afastamento de Assayag é “muito precipitado” porque Luiz Carlos Avelino Júnior é apenas suspeito de ser sócio da empresa que vendeu os respiradores superfaturados para o Governo do Amazonas.
“Eu gostaria de que essa CPI apurasse a fundo todos os atos que porventura foram praticados em relação a questão dos respiradores. Porém, eu acho muito precipitado o pedido de afastamento da secretária Daniela Assayag simplesmente pelo fato de que o seu esposo pretendia ser sócio. Nós ainda não temos provas”, disse Doutor Gomes.
O autor do requerimento, deputado Delegado Péricles, disse que “não há suspeitas”, mas uma afirmação da CPI da Saúde de que o empresário Luiz Carlos Avelino Júnior era sócio da Sonoar no período da aquisição dos respiradores. “São fatos concretos, documentos que nós temos, legítimos, de que ele era sócio da empresa. Tanto que no dia 5 de junho ele passou a cota dele para a senhora Luciane, que ficou com 100%”, disse Péricles.
Leia: CPI da Saúde apura que loja de vinhos revendeu respiradores à Susam por R$ 496 mil a mais
Na última quarta-feira, 1, Daniela Assayag disse que é “mentira” a acusação de que ela participou de uma reunião de servidores da Saúde para saber especificamente sobre a compra dos 28 respiradores por R$ 2,9 milhões e que o nome dela está sendo usado para atingir o governo Wilson Lima. Segundo a secretária, ela participou da reunião para se inteirar sobre assuntos relacionados à Saúde.
“Ele (Rodrigo Tobias, ex-secretário de Saúde) tinha um gabinete de crise da secretaria onde algumas pessoas se reuniam e eu fui para saber quais eram as providências que estavam sendo tomadas (para combater a Covid-19), não em relação especificamente a respiradores, mas em relação a todos os assuntos que na época o governo era acusado de não tomar providências cabíveis”, disse Assayag.
Sobre a participação de Luiz Carlos Avelino Júnior como sócio da Sonoar, Assayag confirmou o marido dela assinou um contrato de interesse de compra de venda, mas desistiu quando soube do escândalo dos respiradores. “Ele chegou a assinar como interessado, onde ele queria comprar parte dessa empresa. O negócio não chegou a ser efetivado. Não é que ele tinha um contrato de gaveta e que não chegou a ser colocado o nome dele lá”, disse.
Ainda de acordo com a secretária, o marido dela pagou a primeira parcela da compra. “O negócio não chegou a ser efetivado pelo simples fato que logo quando ele ia pagar a segunda prestação, chegou a pagar a primeira prestação de compra, mas diante de tudo isso que aconteceu, sem saber que tava sendo feito a venda (dos respiradores), até porque a venda foi para o Estado não para terceiros, ele fez absolutamente o destrato imediatamente”, disse.

