
Da Redação
MANAUS – Em evento que confirmou Marcos Rotta (DEM) como candidato a vice-prefeito de Manaus na chapa com David Almeida (Avante) nas eleições deste ano, na manhã desta quarta-feira, 9, o presidente estadual do DEM, Pauderney Avelino, afirmou que o partido manterá o compromisso com o Avante até o fim porque ele não dá “pernada” em ninguém.
“Quem conhece a minha história de vida sabe o meu procedimento. Uma vez assumido o compromisso, nós vamos até o fim. Comigo não tem essa história de levar ou dar pernada. A chapa será registrada David e Rotta, Avante e Democrata compondo a chapa vitoriosa”, disse o ex-deputado federal.
Ao ser questionado sobre ter renunciado à candidatura a prefeito, Marcos Rotta disse que aceitou ser candidato a vice-prefeito porque compartilha das mesmas ideias de David. Segundo o vice-prefeito de Manaus, a situação de hoje se diferencia da de 2016, quando ele foi candidato a vice do atual prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), porque “dessa vez eu escolhi”.
“Em 2016, eu tinha tudo para ser candidato. Mas o destino fez com que eu procurasse uma composição. Me tiraram a oportunidade de ser candidato em 2018. Mas se tem uma coisa que eu adquiri foi a experiência”, afirmou.
Rotta também disse que não se sente diminuído por estar novamente na condição de vice. “Eu acho que nós escolhemos essa opção não pensando no nosso partido, na condição política ou partidária. Mesmo porque eu me sinto muito representado naquilo que o David pensa sobre a administração de Manaus, problemas que a gente tem para enfrentar”, disse Rotta.
“Nós temos aqui um fato que diferencia tudo que eu já vivia no passado. Eu escolhi estar aqui hoje com meu querido deputado Pauderney. Desta vez eu me sentei na cabeceira com o David para escolhermos essa composição”, afirmou.
David Almeida lembrou dos anos em que atuou como deputado estadual ao lado de Marcos Rotta e disse que “com amizade entrosamento, os interesses ficam menores”. “O que une David e Rotta? Manaus. Os nossos princípios estão acima dos interesses. O maior interesse que nós temos é fazer essa cidade crescer”, disse.
Almeida também afirmou que a saída do ex-deputado federal Pauderney Avelino do cargo de representante do Governo do Amazonas em São Paulo expõe a isenção e independência da chapa. “O homem mais preparado desse estado para defender os interesses da Zona Franca de Manaus e está fazendo falta na Câmara Federal”, afirmou Almeida.

“Pernadas”
As surpresas e “pernadas” em véspera de eleição são comuns na política amazonense. Em 2012, Rebecca Garcia era candidata a prefeita de Manaus até o penúltimo dia do prazo para as convenções, mas foi obrigada a renunciar à candidatura e seu grupo indicou a então senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB). Um dos principais articuladores da pernada em Rebecca foi o senador Eduardo Braga (MDB).
Em 2016, foi a vez de Marcos Rotta ser tirado do também pelo senador Eduardo Braga. Rotta aparecia bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto, mas foi obrigado a virar vice na chapa de Arthur nos últimos dias para o fim das convenções.
Nesse mesmo ano, o atual governador Wilson Lima levou uma pernada do PSD, no último dia das convenções. Ele era candidato a vice-prefeito na chapa de Marcelo Ramos (PR), mas uma aliança costurada pelo senador Omar Aziz (PSD), o tirou do páreo. Wilson Lima foi substituído por Josué Neto, que era do PSD.
Em 2017, uma surpresa e uma pernada. Adversários históricos, Amazonino Mendes (então no PDT) e Arthur Virgílio Neto (PSDB) se uniram com o apoio de Omar Aziz, em torno da candidatura do primeiro, que venceu a eleição suplementar para governador do Amazonas.
Naquele mesmo ano, Marcelo Ramos, que em 2016 travou uma disputa acirrada com Arthur no segundo turno para prefeito, foi traído pelo dirigente do PR, o então deputado federal Alfredo Nascimento, e obrigado a ser vice na chapa de Eduardo Braga (MDB). Marcelo Ramos era candidato a governador até às vésperas do fim das convenções.
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