
Por Cleber Oliveira, da Redação
MANAUS – Em um discurso firme e direto ao reagir aos ataques do presidente Jair Bolsonaro, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que “é uma covardia atacar a Justiça Eleitoral por falta de coragem para atacar o Congresso que é quem decide a matéria” sobre o voto impresso.
“Quem decidiu que não haveria voto impresso não foi o TSE foi o Congresso Nacional. Foi o Congresso Nacional e não o TSE que recusou o voto impresso. E aliás fez muito bem. A verdade realmente liberta, mas só aqueles que a praticam”, disse Barroso, na manhã desta quinta-feira (9).
Luís Barroso citou três movimentos políticos que, segundo ele, ganham força em vários países, incluindo o Brasil, para rebater o presidente Jair Bolsonaro: o populismo, o extremismo e o autoritarismo. Segundo o ministro, esses fenômenos se amparam na mentira para manipular as pessoas. “A repetição da mentira não cria a impressão de que ela se tornou verdade. É muito triste o ponto a que chegamos”.
“O populismo ocorre quando líderes carismáticos manipulam as necessidades e os medos da população apresentando-se como antiestado e prometendo soluções simples e erradas para problemas graves”, explicou.
“Quando o fracasso bate à porta, porque esse é o destino do populismo, é preciso encontrar culpados, bodes expiatórios. O populismo vive de arrumar inimigos para justificar o seu fiasco. Pode ser o comunismo, pode ser a imprensa, podem ser os tribunais”, prosseguiu.
Ao discorrer sobre o extremismo, Barroso disse que se manifesta pela intolerância, agressividade e ataque às instituições e às pessoas. “É a não aceitação do outro. O esforço para desqualificar ou destruir aqueles que pensam de maneira diferente”.
Quanto ao autoritarismo, o presidente do TSE disse que “é a tentação permanente daqueles que chegam ao poder”. “Ditaduras vêm com intolerância, violência e perseguições. Uma das estratégias é criar um ambiente de mentiras no qual as pessoas já não divergem quanto às suas opiniões, mas contra os próprios fatos”, afirmou.
“Uma das manifestações do autoritarismo é a tentativa de desacreditar o processo eleitoral e as instituições para, em caso de derrota, poder alegar fraude e deslegitimar o vencedor”, completou.
Voto impresso
O ministro afirmou que “a alma da democracia é o voto”, como prega o presidente Jair Bolsonaro. Mas discordou sobre as alegações de Bolsonaro. “O voto é elemento essencial da democracia representativa. Outro elemento fundamental é o debate público, permanente e de qualidade que permite que todos os cidadãos recebam informações corretas, formem a sua opinião e apresentem livremente os seus argumentos”.
Segundo o ministro, “quando esse debate é contaminado por discursos de ódio, campanhas de desinformação e teorias conspiratórias infundadas a democracia é aviltada”.
“Conhecerás a mentira e a mentira te aprisionará”, afirmou.
Roberto Barroso reafirmou que as urnas eletrônicas são totalmente seguras, pois não são acessíveis remotamente. “O sistema é inseguro para quem acha que o único resultado possível é a própria vitória. Para maus perdedores não há remédio na farmacologia jurídica”, disse.
“Contagem pública manual de voto? É como abandonar o computador e regredir não à máquina de escrever, mas a caneta tinteiro. Seria um retorno ao tempo da fraude e da manipulação”, comparou.
“Se tentam invadir o Congresso e o Supremo Tribunal Federal imaginem o que não fariam com as sessões eleitorais. Salvo os fanáticos que são cegos pelo radicalismo e os mercenários que são cegos pela monetização da mentira todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nesta história”, concluiu.
