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Enock Nascimento

A artimanha do chocolate marrom

26 de janeiro de 2017 Enock Nascimento
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Houve um tempo, na década de 1980, em que o show musical mais desejado era o da banda Van Halen. Era também muito lucrativo, o que agradava plenamente os empresários do show business. Especialmente os adeptos da teoria publicitária que afirma: “Não existe propaganda ruim. Só propaganda”.

De fato, as notícias de farras, quebra-quebras e orgias promovidas pela banda só faziam aumentar o interesse do público pelos roqueiros.  Assim, por ser bastante requisitado pelos promotores de shows, era até natural que o Van Halen fizesse exigências. Algumas delas, bem extravagantes.

Muitos afirmam inclusive que o Van Halen foi quem começou a mania diva, hoje estabelecida, das demandas e pedidos exóticos feito por artistas.  A banda Marilyn Manson, por exemplo, já chegou a solicitar a presença de prostitutas desdentadas.

Antes, as imposições das estrelas eram, basicamente, receber adiantado metade do valor do cachê e, informalmente, alguns pedidos por substâncias ilegais.

Por isso, chamou a atenção quando se soube que os contratos das turnês do Van Halen tinham um anexo de 53 páginas. Entre as especificações exigidas, comidas especiais que deveriam ser servidas em dias ímpares ou pares e até pedidos por lubrificantes íntimos.

A punição para o descumprimento de qualquer uma das numerosas cláusulas era o cancelamento do show com compensação integral.

Na página 40, aparecia o pedido que foi considerado por muito tempo o mais excêntrico da história da música: no camarim deveria ter tigelas cheias de chocolate M&M, mas dentro dos potes não poderia ter nenhum exemplar da cor marrom.

Até apareceram algumas notícias de que os roqueiros teriam quebrado todo o camarim e cancelado shows apenas por terem encontrado alguma unidade de M&M marrom.

Qual seria a razão dessa exigência? Algum integrante teria se engasgado com um doce marrom? Sadismo dos roqueiros que condenava algum infeliz a ficar catando e separando o chocolate pelas cores? Superstição? Ou parte de algum pacto maligno?

Apenas muitos anos depois, o vocalista da banda, David Lee Roth, explicou o verdadeiro motivo daquele pedido aparentemente maluco e esquisito.

Os concertos do Van Halen contavam com cenários deslumbrantes, som potente e belos efeitos de iluminação. A maior parte das 53 páginas do contrato da banda contava justamente com especificações para garantir a estrutura adequada para a montagem dos equipamentos.

O problema é que nem todos contratantes de shows se preocupavam com a qualidade e a segurança dos espetáculos. Dessa forma, explica Roth, era preciso encontrar uma forma de se certificar de que ninguém morreria por causa de um curto-circuito ou pela queda do palco.

Foi aí que veio a artimanha do chocolate marrom. Bastava verificar os M&M’s na tigela para saber se os organizadores do show haviam lido atentamente o contrato. A ausência do doce marrom era um indicativo de cuidado. Se haviam tido o zelo de retirar cada unidade da guloseima da cor indesejada, também respeitariam as minuciosas instruções de segurança. Já encontrar um chocolate marrom era um importante sinal de alerta de algo estava errado.

Não é difícil pensar em outros exemplos do conceito do M&M marrom. Algo que alerta sobre possíveis erros com antecedência. Um aviso prévio de que provavelmente algo não vai dar certo.

No futebol atual, os campeonatos estaduais viraram um exemplar de “M&M marrom” para os grandes clubes brasileiros. Se um time grande penar num Estadual, é sinal de que precisa efetuar mudanças para não comprometer seu desempenho no resto da temporada.

Há M&M marrom que serve até de aviso até sobre comportamentos morais. Os antigos sempre diziam: “Quem mente, rouba”.

E falando em crimes, as rebeliões penitenciárias em Manaus e outras cidades brasileiras mostraram que uma espécie de alerta do tipo “chocolate marrom” não foi observada: presos dispondo de aparelhos celulares.

Imprudência como dar doces demais para crianças.  E doces demais sempre geram M&M. Muita…dor de barriga.


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Redação 26 de janeiro de 2017
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4 Comments
  • Anônimo disse:
    26 de janeiro de 2017 às 18:21

    Muito bom mano muito legal parabéns

    Responder
  • Elma Souza disse:
    26 de janeiro de 2017 às 19:02

    Muito bom!! Como sempre!!

    Responder
  • Vivian Souza disse:
    28 de janeiro de 2017 às 21:24

    Texto maravilhoso!!!
    Escrever bem é uma arte!
    Parabéns!

    Responder
  • Hellen Santos-RR disse:
    28 de janeiro de 2017 às 21:29

    Parabéns! Adorei o texto

    Responder

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