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Roseane Mota

A mente que divaga é infeliz

31 de julho de 2024 Roseane Mota
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MANAUS – A frase “A mente que divaga é infeliz”, atribuída originalmente ao filósofo, matemático e escritor francês Blaise Pascal, que viveu no século XVII, reflete uma verdade fundamental sobre a condição humana. Em sua obra “Pensées”, ou “Pensamentos”, o inventor da calculadora explora a natureza da mente humana, que, segundo ele, vive constantemente no passado ou no futuro em uma busca incessante por significado e felicidade.

É verdade que a habilidade de pensar sobre o que não está acontecendo no momento é uma conquista cognitiva, mas ela também tem um custo emocional. Um estudo publicado na revista científica Science demonstrou que aproximadamente 47% do tempo estamos distraídos, e tal distração coincide com momentos de ansiedade, insatisfação e sofrimento. “A mente humana é uma mente dispersa, e uma mente dispersa é uma mente infeliz”, também concluíram os psicólogos Matthew Killingsworth e Daniel Gilbert, da Universidade Harvard, autores da pesquisa.

A tese mostra que a ideia de que a mente que vagueia é infeliz é especialmente relevante no contexto moderno, onde a dispersão de atenção se tornou um problema comum. A presença parcial, ou a falta de atenção plena, é um dos maiores desafios enfrentados pelas pessoas no dia a dia.

Imagine-se assistindo a uma aula, conversando com alguém ou tentando se concentrar em uma tarefa importante. De repente, sua mente começa a divagar, pensando nas tarefas do dia seguinte, revivendo eventos passados ou imaginando futuros possíveis. Essa experiência é universal. Todos nós, em algum momento, nos vemos perdidos em pensamentos, longe do presente momento. Essa falta de atenção plena é um fenômeno comum, mas que tem um impacto significativo em nossa felicidade e bem-estar.

Conforme o estudo de Harvard, vivemos grande parte de nossas vidas no “piloto automático”, onde nossas ações e pensamentos são realizados sem plena consciência. A jornalista Lúcia Barros, especialista em Ciência da Felicidade, descreve essa condição como o ciclo do esforço inconsciente. Nele, realizamos muitas atividades de forma mecânica, sem a devida atenção, o que resulta em um esforço considerável com pouco retorno. “Esse ciclo é particularmente devastador para pessoas ansiosas, que frequentemente se veem presas em pensamentos catastróficos sobre o futuro ou remoendo erros do passado”, afirma em seu curso on line sobre Reprogramação Geral da Presença (RGP).

A ansiedade exacerba o ciclo do esforço inconsciente, pois a mente ansiosa tende a focar no negativo. Em vez de aproveitar o momento presente, a pessoa ansiosa se preocupa com possíveis desastres futuros ou lamenta decisões passadas. Essa projeção de catástrofes impede que se viva plenamente o agora, o único momento sobre o qual temos controle e onde podemos realmente agir para mudar nossas circunstâncias.

A mente que divaga é infeliz porque não está presente no único momento em que a vida acontece: o agora. Estar presente no momento atual é crucial para a realização e a felicidade. Quando nos concentramos no presente, somos capazes de agir de maneira mais eficaz, tomar decisões melhores e aproveitar as experiências de forma mais plena.

Rompendo o Ciclo do Esforço Inconsciente

Embora a tendência de divagar seja um traço desenvolvido ao longo de anos de evolução, não estamos condenados a uma vida de distração e infelicidade. Podemos romper o ciclo do esforço inconsciente e construir o ciclo do compromisso consciente. Para isso, é fundamental desenvolver a consciência e a atenção plena.

A atenção plena, ou mindfulness, é a prática de estar plenamente presente e engajado no momento atual. Essa prática não apenas aumenta a produtividade, mas também melhora a qualidade de vida. A meditação é uma das ferramentas mais eficazes para desenvolver a atenção plena. Ao meditar regularmente, podemos treinar nossa mente para se concentrar no presente e reduzir a tendência de divagar.

A felicidade está intimamente ligada à nossa capacidade de estar presente. A mente que divaga é infeliz porque perde a riqueza do momento. A solução para esse problema é simples, mas poderosa: cultivar a consciência e a atenção plena. Práticas como a meditação e o mindfulness nos ajudam a desenvolver essas habilidades, permitindo-nos viver de forma mais plena e satisfatória.

A vida é curta e um presente em todos os sentidos. Quando perdemos tempo focados em outro tempo e espaço que não seja o agora, estamos desperdiçando nossa própria vida.


Roseane Mota é jornalista, formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e aluna do programa mentorado Bússola Executiva. É servidora pública do quadro efetivo do Estado e coordenadora de Comunicação na Unidade Gestora de Projetos Especiais - UGPE, do Governo do Amazonas.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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