
Do ATUAL
MANAUS — O Hospital Universitário Getúlio Vargas, em Manaus, coordena estudo para avaliar o uso da tecnologia Brain4care no monitoramento cerebral não invasivo. A pesquisa envolve pacientes dos hospitais 28 de Agosto e Dr. João Lúcio Pereira Machado.
“A possibilidade de monitoramento contínuo e não invasivo pode transformar a forma como lidamos com pacientes neurológicos e melhorar significativamente os desfechos clínicos”, afirmou o neurocirurgião e pesquisador do estudo, Robson Amorim.
A pesquisa é conduzida pelo Centro de Pesquisa Clínica e Inovação Tecnológica da Amazônia do HUGV em parceria com a empresa Brain4care. Inclui a integração entre ensino, pesquisa, inovação tecnológica e assistência no Sistema Único de Saúde.
Os hospitais participantes atuarão como unidades de média e alta complexidade, contribuindo para avaliar a aplicabilidade e a utilidade da tecnologia na rotina assistencial.
As unidades de saúde receberam quatro dispositivos com estações de trabalho completas. “Este estudo busca responder questões fundamentais para a incorporação da tecnologia na prática clínica, como sua viabilidade, a utilidade das informações geradas na definição de prioridades e seu impacto na indicação de exames complementares. Caso os resultados sejam positivos, poderão subsidiar a adoção da tecnologia de forma estruturada no SUS”, disse Robson Amorim.
A conclusão está prevista para dezembro de 2027. Participam da iniciativa Daniel Vieira Pinto e Bruna Rodrigues, da Gerência de Ensino e Pesquisa do HUGV.
A tecnologia permite monitorar, de forma não invasiva, a dinâmica intracraniana, fornecendo informações fisiológicas em tempo real sobre alterações no cérebro. O exame é realizado com um sensor externo, posicionado como uma tiara na cabeça do paciente, e os dados são processados, gerando relatórios que auxiliam a tomada de decisão médica, especialmente em situações de urgência.
Diferentemente do método convencional, que exige procedimento cirúrgico para inserção de um cateter, a nova tecnologia dispensa intervenções invasivas. A análise é rápida, com duração média de cinco a dez minutos. O equipamento pode ser utilizado em casos como traumatismo craniano, acidente vascular cerebral (AVC), suspeita de edema cerebral e rebaixamento do nível de consciência.
Para o diretor-geral do CHS, Hernani Vaz Kruger, a iniciativa fortalece o sistema público de saúde. “Essa integração entre assistência, pesquisa e inovação traz benefícios diretos para o SUS e melhora a qualidade do atendimento à população”, afirmou.
Segundo Rodrigo Andrade, diretor de Inovação e Tecnologia da Brain4care, a solução contribui para reduzir desigualdades no acesso ao diagnóstico. “O HUGV e a Ufam são centrais, pois Manaus, embora referência, reflete o desafio nacional: em muitos municípios vizinhos, faltam meios para determinar gravidade. Ao possibilitar essa triagem precoce, a tecnologia não apenas encurta essa distância, mas também permite identificar quais pacientes realmente necessitam desse encurtamento, contribuindo para a definição mais assertiva do que configura uma emergência neurológica”, explicou.
