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Dia a Dia

Manaus está há oito anos entre as 20 cidades com pior saneamento

22 de março de 2022 Dia a Dia
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estação de tratamento
Esgoto despejado na orla de Educandos, no Centro de Manaus (Foto: Valter Calheiros/Divulgação)
Da Redação

MANAUS – Manaus está novamente entre as 20 piores cidades do Brasil na 14ª edição do Ranking de Saneamento Básico do Instituto Trata Brasil, em parceria com GO Associados. O relatório, que analisa os indicadores do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), de 2020, com foco nos 100 maiores municípios brasileiros, mostra que a capital do Amazonas ficou entre as 20 cidades em pior situação nos últimos oito anos.

Os indicadores de atendimento total de água e atendimento urbano de água em Manaus apresentam índices de cobertura altos, 97,5% e 98%, respectivamente. Mas os percentuais sofrem uma redução significativa quando se referem ao esgoto. Os indicadores de atendimento total de esgoto, de atendimento urbano de esgoto e de esgoto tratado referido à água consumida são de 21,95%, 22,06% e 24,14%, respectivamente.

O investimento total no setor na capital, nos últimos cinco anos, foi de R$ 657 milhões. O investimento anual médio por habitante é de R$ 59,20. A população estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é de 2,2 milhões de habitantes.

saneamento básico
As 20 piores cidades em saneamento básico (Fonte: GO Associados/Instituto Trata Brasil)

Para efeitos de comparação, na cidade de Santos (SP), que é a primeira no ranking de saneamento básico do país, os indicadores de atendimento total de esgoto, de atendimento urbano de esgoto e de esgoto tratado referido à água consumida são de 99,93%, 100% e 97,6%, respectivamente.

O investimento total em saneamento em Santos, nos últimos cinco anos, foi de R$ 119,79 milhões e o investimento anual médio por habitante é R$ 55,25. A população estimada pelo IBGE é de 433,7 mil habitantes.

saneamento básico
As 20 melhores cidades em saneamento básico (Fonte: GO Associados/Instituto Trata Brasil)

Ao analisar as 20 melhores cidades contra as 20 piores, o relatório revela que enquanto 99,07% da população das 20 melhores tem acesso a redes de água potável, 82,52% da população dos 20 piores municípios tem o serviço.

Já a porcentagem da população com rede de coleta de esgoto é ainda mais discrepante: 95,52% da população nos 20 melhores municípios tem os serviços; e somente 31,78% da população nos 20 piores municípios são abastecidos com a coleta do esgoto.

O Instituto Trata Brasil avalia que os dados mostram que o país ainda tem dificuldade com o tratamento do esgoto, do qual somente 50% do volume gerado são tratados. Isso significa que mais de 5,3 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento são despejadas na natureza diariamente.

O relatório também chama atenção para os investimentos feitos em 2020, que atingiram R$ 13,7 bilhões, valor insuficiente para que seja cumprido as metas do Novo Marco Legal do Saneamento – Lei Federal 14.026/2020.

O estudo mostrou que as piores cidades de saneamento básico no país investem em média 340% a menos do que municípios com quase acesso total aos serviços.

“Em 2020, foi sancionado o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, um importante passo no sentido de promover investimentos no setor, e, consequentemente, direcionar o país à universalização. Contudo, 2020 também foi o primeiro ano da pandemia de Covid-19 no Brasil, fato que escancarou a lentidão com que avançam os principais indicadores de saneamento básico”, disse Gesner Oliveira, sócio da GO Associados.

saneamento básico
As 20 piores cidades em saneamento básico em oito anos (Fonte: SNIS/ Elaboração: GO Associados)

Gesner Oliveira considera muito preocupante que nove capitais estejam entre os piores colocados de novo. “É uma população somada de 10 milhões de habitantes exposta a condições subumanas. É preciso fazer mais do que isso”, alertou.

Nos últimos oito anos do Ranking, 30 municípios distintos chegaram a ocupar as 20 piores posições. Desses, 16 estiveram nas últimas colocações em pelo menos sete edições.

Observou-se que 13 municípios se mantiveram desde 2015 dentre os últimos colocados, sendo três no Pará e três no estado do Rio de Janeiro. Além disso, Porto Velho (RO), Ananindeua (PA), Santarém (PA) e Macapá (AP) estiveram sempre nas 10 últimas colocações dentre as 100 maiores cidades do país.

“Essa edição de 2022 evidenciou uma estagnação dos municípios que sempre estão nas piores posições. O que nos assusta é que estas cidades, mais uma vez, são da região Norte do país, aonde o acesso ao saneamento ainda é mais deficitário do que em outras regiões. Há capitais que estão trabalhando nos últimos anos para saírem dessa posição, mas não é a regra, é a exceção”, afirmou Luana Siewert Pretto, presidente executiva do Trata Brasil.

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Assuntos instituto trata brasil, manchete, Saneamento Básico, tratamento de esgoto
Redação 22 de março de 2022
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