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José Ricardo

27º Grito dos Excluídos e das Excluídas – A vida em primeiro Lugar

7 de setembro de 2021 José Ricardo
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tiago paiva

Neste 7 de setembro de 2021, no Dia da Independência do Brasil, será realizado o 27º Grito dos Excluídos e das Excluídas, com o lema “A Vida em Primeiro Lugar”, e trazendo o debate e a luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda, já.

Já são 27 anos em que se realiza esta manifestação popular, organizada em nível nacional pela Igreja Católica, por meio das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Cáritas, em conjunto com movimentos sociais e entidades da sociedade civil. É um espaço aberto para os diversos segmentos sociais, estudantis, professores, militantes políticos e sociais se manifestarem contra as injustiças e as desigualdades sociais.

A ideia do Grito é dizer que a independência política do Brasil, em relação à Portugal, não significou completamente até hoje, no sentido de haver uma verdadeira mudança que garantisse condições justas de vida digna para toda a população brasileira. A concentração de renda, a exclusão social, a fome, a baixa qualidade de vida de milhões de brasileiros são o retrato de um país injusto e desigual, que não podemos aceitar, diante das riquezas naturais, do progresso tecnológico, das possibilidades de um futuro melhor para as populações excluídas.

O que motiva gritar em 2021 são as mais de 580 mil mortes pela Covid-19, muitas das quais poderiam ser evitadas, se não fosse a corrupção na compra das vacinas, a demora na imunização, o desmonte da saúde pública e do SUS.

O povo estará nas ruas devido ao desvio do dinheiro público do orçamento para pagamento de juros da dívida pública, ao invés de investir nas políticas sociais; devido às reformas administrativas, trabalhistas, previdenciária que estão tirando direitos dos trabalhadores.

É um grito contra a carestia e a fome que voltaram e assolam os mais empobrecidos. Tem famílias que voltaram a cozinhar a lenha, pois não podem pagar botijão de gás a mais de 100 reais. O desemprego atinge mais de 14 milhões de pessoas e 19 milhões estão passando fome.

O povo grita contra a falta de moradia e o fim do Minha Casa Minha Vida e que se agrava com os despejos de quem não pode pagar aluguel; pelos cortes de recursos na educação; pela não demarcação das terras indígenas e o grito dos indígenas contra o Marco Temporal, em julgamento no STF.

O Grito denuncia as privatizações que prejudicam o presente e o futuro do Brasil, com a venda de áreas estratégicas, como a Petrobras (petróleo e gás), Eletrobras/Amazonas Energia, Correios, aeroportos, água, que estão encarecendo os serviços e produtos e atingem os mais pobres.

É um grito que denuncia o tratamento dado aos povos em situação de rua, aos migrantes e refugiados, ao desmatamento, aos garimpos, às grilagens de terras públicas, às invasões de terras indígenas.

O Grito denuncia a cultura do ódio, disseminada pelo Governo Federal e seus aliados, que ataca os direitos humanos de mulheres, Lgbtqia+, negros/as, pessoas com deficiência, idosos, e tantos setores excluídos da sociedade.

É um grito em favor da vida, pela democracia e pela justiça social. Interessante que há 27 anos se realiza este evento. Sempre com críticas à falta de políticas públicas dos governos. Ao longo desse período, passaram os governos de Itamar Franco, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer, e todos foram cobrados para enfrentar a exclusão social e fortalecer as instituições públicas em favor dos mais necessitados.

Por isso, é um absurdo e beira ao desespero o atual presidente da República, Bolsonaro, convocar seus aliados para também irem às ruas neste dia 07 de setembro, para defender seu governo e atacar instituições e a Constituição. Todas as pesquisas mostram que é um governo sem credibilidade, que aumentou a exclusão social, e já está desesperado diante da iminente derrota eleitoral em 2022.

O Grito em Manaus é organizado pelas Pastorais Sociais e Cáritas da Arquidiocese de Manaus, com apoio da Pastoral da Juventude, Conselho de Leigos de Manaus (CNLB), Conferência dos Religiosos do Brasil – Manaus (CRB), Sares, Rede um Grito pela Vida, entidades de ciclistas, Pastoral da Comunicação da Arquidiocese, Frente Fora Bolsonaro, Fórum de entidades pela enfermagem, dentre outros, e será realizado às 16h, no Largo do Mestre Chico, na avenida Lourenço Braga, Centro de Manaus.

Estarei presente, como faço há 27 anos. Nos 10 primeiros anos, contribui na organização do evento. A vida em primeiro lugar. O povo quer comida, saúde, moradia, trabalho, quer vida.

Bom Grito a todos e todas. 


José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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