
MANAUS – O Amazonas é o quarto estado mais violento do Brasil e Manaus é a terceira capital mais violenta.
Essas informações foram divulgadas semana passada com dados do Atlas da Segurança Pública 2024, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Os dados são alarmantes. O número de homicídios, no Amazonas, cresceu 31,8% entre 2012 e 2022, enquanto isso a média nacional reduziu em 18,6% no mesmo período.
Segundo a pesquisa, outros estados da região norte tiveram crescimento, sendo a maior parte dos crimes associados ao narcotráfico e disputas entre facções criminosas.
Além do narcotráfico, o Atlas da Violência destaca que o Amazonas sofre com a combinação desse crime com outros como tráfico de armas, grilagem de terra, exploração ilegal de madeira e minérios, garimpo, lavagem de dinheiro, trabalho análogo à escravidão, exploração sexual, invasão de terras indígenas e diversos crimes ambientais.
Jovens são a maioria dos assassinados. Na faixa entre 15 e 29 anos, representam 54% das vítimas de homicídios.
Apesar de uma queda, os assassinatos ainda são muito elevados no Estado. Em 2019 foram 1.592, 2021 foram 1.816 e em 2022 foram 1.771. Reduziu muito pouco. São quase 2.000 pessoas assassinadas.
Os dados também mostraram que Manaus é a terceira capital mais violenta, com alta taxa de homicídios comparada as outras capitais de Estados. Há uma concentração da violência na capital.
Tudo isso mostra a falta de segurança pública em Manaus e no Amazonas, e o descaso das estruturas públicas. A população vive com medo nos bairros.
O estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que entre 2013 e 2023, no Amazonas o contingente de policiais civis e militares reduziu 11%, passando de 11.571 para 10.281 policiais.
Não há dúvida de que precisa ser investido mais em segurança pública. Mas não basta somente em polícia, armamentos e estruturas físicas e humanas.
Talvez o maior investimento deva ser em prevenção, ações que reduzam a criminalidade.
Se os jovens são as maiores vítimas, o caminho é por ai, investir em ações que criem oportunidades para os jovens.
E é no município onde mais políticas de prevenção podem ser realizadas. Creches, escolas infantis, escolas de ensino fundamental de qualidade, escolas de tempo integral que funcionem, mais arte, cultura. Mais espaços para música, dança, esporte, convivência. Tem bairros inteiros que não tem uma praça, não tem uma instituição cultural ou de esporte.
E o trabalho, primeiro emprego, cursos, estágios, bolsas, trabalho como caminho de cidadania, oportunidades que podem mudar a vida do jovem, para que o seu caminho não seja as drogas, a criminalidade, a cadeia, mas sim a vida e a felicidade.
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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