
Por Floriano Lins, especial para o ATUAL
PARINTINS (AM) – A desestatização dos rios da Amazônia, os serviços oferecidos nos transportes de passageiros dos transportes fluviais e o descaso aos/às empobrecido(a)s, desvalido(a)s, encarcerado(a)s, florestas, águas, bichos, microrganismos e todas as formas de vida em situação de exclusão foram assuntos debatidos por lideranças de movimentos populares, professores das universidades Federal e Estadual do Amazonas e militantes políticos no começo da noite de domingo, 7 de Setembro, no “Círculo dos Excluídos”, uma alusão ao evento Nacional “Grito dos Excluídos”, versão especial do Círculo Sagrado de Saúde em reverência à Lua Cheia de Setembro.
Participantes do ato enfrentaram o temporal e a chuva que atingiram a região, mas depois retomaram a programação com vários pronunciamentos em forma de “grito”.
Para a organização do evento “o Círculo dos Excluídos, na Praça São Benedito, em Parintins, a 369 km de Manaus, destacou a urgência da vida em primeiro lugar”. Em mensagem de esclarecimento dos objetivos da Criação do Círculo Sagrado de Saúde, a religiosa Maria José Belém, da Congregação Filhas da Caridade, reforçou a importância de se “Cuidar da Casa Comum e da Democracia”.
“É luta de todo dia; é a urgência de enfrentar a crise climática, proteger o meio ambiente, reafirmar a democracia e a soberania nacional. Os excluídos são todos os que vivem em estado de vulnerabilidade. São pessoas em situação de rua, mulheres, ribeirinhos, indígenas, idosos, animais abandonas e espécies em extinção na Amazônia”, disse.
Outras pautas foram expostas e discutidas pelas lideranças, como a morte do planeta, da Amazônia, e de todos os seres vivos afetados pela desumanidade, pelo lucro desenfreado. Entre os clamores fez-se referência à Mãe Terra – base da vida de todos os seres que se abrigam em seu Ventre. Reforçando-se a consciência de que somos UNOS: “Do pó viemos; ao pó voltaremos”.
Nas falas, fortaleceu-se a necessidade de um esforço conjunto que inclua política de conservação e combate ao desmatamento, como criação de unidades de conservação e o apoio às comunidades locais, além do combate às ações humanas, como a exploração de madeira, a expansão da pecuária e a mineração, construção desordenada de barragem e outras ações que provocam extrema seca, incêndios e o colapso da Amazônia.
Um panfleto com uma imagem das redes sociais e o tema “Por um Brasil Justo, Soberano e Combatente a Todas as Formas de Exclusão!” foi distribuído durante o ato e postado nos grupos de WhatsApp para ampliar os debates sobre a exclusão.

Outros participantes do ato protestaram às ameaças internacionais, levantaram as vozes em defesa da soberania nacional, do meio ambiente e contra anistia para golpistas, lembrando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no pleno do Supremo Tribunal Federal – STF. Também pela redução da jornada de trabalho e inserção de imposto de renda para quem ganha até 5mil.
Entre as propostas lançadas está a luta por políticas públicas em proteção ao que ainda resta da Amazônia. “Amazônia é vida para nós: É a maior reserva natural de água doce. Os ribeirinhos, as populações locais dependem das florestas, dos rios. Precisamos construir modelos produtivos que promovam a economia Verde e o incentivo à recuperação da floresta. Implementar políticas públicas de desmatamento zero. Valorizar o conhecimento e a participação das comunidades locais; fortalecer a fiscalização contra crimes ambientais. Juntos podemos trabalhar essa VUNERABILIDADE de forma diferente, resgatando a VIDA”, assinala a coordenação do evento.
