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@zmanchete

‘Velhinho’ José Melo teve movimentação financeira desproporcional a renda, diz PF

21 de dezembro de 2017 @ zmanchete
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O ex-governador José Melo foi preso na manhã desta quinta-feira pela Operação Estado de Emergência (Foto: Valdo Leão/Secom)

Da Redação

MANAUS – Com salário de R$ 17 mil por mês, o ex-governador do Amazonas, José Melo (Pros), tem um imóvel avaliado em R$ 7 milhões e fez movimentação financeira desproporcional à renda dele, disse o delegado Alexandre Teixeira, do Departamento de Combate ao Crime Organizado, Corrupção e Lavagem de Dinheiro da PF (Polícia Federal) no Amazonas.

Melo, que era citado como ‘Velhinho’ em gravações de conversas telefônicas, foi preso na manhã desta quinta-feira, 21, na Operação ‘Estado de Emergência’ por suspeita de integrar quadrilha que desviou mais de R$ 110 milhões com fraudes em contratos de serviços de saúde pública no Estado. A operação é a terceira fase da ‘Maus Caminhos’, deflagrada em setembro de 2016.

“O ex-governador tinha um patrimônio em 2014 e hoje ele tem outro patrimônio. E há uma grande incompatibilidade entre a renda desse agente público e o patrimônio acumulado em pouco tempo”, disse o delegado, em entrevista coletiva no início da tarde desta quinta. “Ele mantinha um alto padrão de vida em uma discrepância com seus rendimentos”, completou.

A PF apreendeu ainda três veículos, joias e R$ 90 mil em dinheiro na casa do ex-governador. Os agentes federais também fizeram busca e apreensão em um salão de beleza da mulher de Melo, Edilene de Oliveira. O estabelecimento e outra empresa da qual Edilene é sócia também apresentaram movimentação financeira suspeita, revelou Alexandre Teixeira. Foi preso no sítio dele, o único com acesso asfaltado em uma área de propriedades sem vias pavimentadas.

Alexandre Teixeira disse que a investigação identificou repasses de dinheiro para o ex-governador considerado propina. “Um dos valores foi de R$ 80 mil”, revelou Teixeira, ao afirmar que a prisão do ex-governador não tem base em delação premiada de outros implicados, mas em provas.

O mandado de prisão temporária foi determinado pela Justiça Federal no Amazonas, após parecer favorável do MPF, em razão dos fortes indícios de que José Melo recebeu recursos em espécie de Mouhamad Moustafa, médico e empresário preso em 2016 pela Operação Maus Caminhos. Além da prisão, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em sete imóveis residenciais e comerciais localizados na Região Metropolitana de Manaus.

Conforme Relatório de Inteligência Financeira do Ministério da Fazenda, a movimentação financeira do ex-governador foi considerada incompatível com a renda dele, tendo sido detectados indícios de ilicitudes, como realização de saques e depósitos em valor atípico em relação à atividade econômica ou capacidade financeira de José Melo, realização de saques em espécie em contas receptoras de transferências eletrônicas de várias origens em curto espaço de tempo, além de movimentação reiterada de recursos de alto valor em benefício de terceiros.

As investigações apontam que o ex-secretário de Estado de Administração e irmão do ex-governador, Evandro Melo, era uma espécie de intermediário entre Mouhamad e José Melo. Evandro Melo foi preso no dia 13 deste mês, durante a deflagração da Operação Custo Político, relacionada ao envolvimento de agentes públicos em esquema de pagamento de propina com recursos públicos destinados à saúde do Estado.

Patrimônio

Análises realizadas pela CGU indicam que houve um aumento do patrimônio do ex-governador considerado incompatível com a renda dele, tendo em vista que o salário mensal de governador. Em nota técnica, a CGU (Controladoria Geral União) cita indícios de enriquecimento ilícito de José Melo, especialmente em virtude da aquisição de um imóvel de alto valor, além de reformas vultuosas no sítio também de sua propriedade.

A Polícia Federal interceptou diálogo entre Mouhamad Moustafa e a advogada Priscila Marcolino, também denunciada no esquema de desvios na saúde, em que ele pedia a ela que sacasse R$ 200 mil, para que Mouhamad ficasse com R$ 500 mil em casa, pois havia recebido um pedido direto do ‘Velhinho’, termo utilizado por ele para se referir a José Melo. Em outra ocasião, utilizando aplicativo de mensagens, Mouhamad pede novamente à Priscila que realize um saque, pois o “Gov e o irmão” estavam implorando pelo recebimento de uma quantia de R$ 80 mil.

Maus Caminhos

Em 2016, a Operação Maus Caminhos desarticulou um grupo que possuía contratos firmados com o governo do estado para a gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales, em Manaus; da Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga; e do Centro de Reabilitação em Dependência Química (CRDQ) do Estado do Amazonas, em Rio Preto da Eva. A gestão dessas unidades de saúde era feita pelo Instituto Novos Caminhos (INC), instituição qualificada como organização social.

As investigações que deram origem à operação demonstraram que dos quase R$ 900 milhões repassados, entre 2014 e 2015, pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao Fundo Estadual de Saúde (FES), mais de R$ 250 milhões teriam sido destinados ao INC. A apuração indica o desvio de R$ 50 milhões em recursos públicos, além de pagamentos a fornecedores sem contraprestação ou por serviços e produtos superfaturados, movimentação de grande volume de recursos via saques em espécie e lavagem de dinheiro pelos líderes da organização criminosa.

No dia 13 deste mês, foi deflagrada a Operação Custo Político, que prendeu 12 pessoas, entre elas ex-secretários estaduais de pastas como Saúde, Fazenda, Administração e Casa Civil, além de um coronel da Polícia Militar. Conforme as investigações, o grupo recebeu, pelo menos, R$ 20 milhões em propina. Um dos secretários de saúde, à época de seu mandato, chegou a receber pelo menos 14 pagamentos de R$ 133 mil para favorecer o INC, desde a qualificação do instituto como organização social. Outro pagamento identificado, também envolvendo um ex-secretário, totaliza R$ 5,6 milhões, pagos durante 18 meses em repasses de R$ 300 mil.

(Colaborou Patrick Motta)

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Assuntos Afonso Lobo, Evandro Melo, Instituto Novos Caminhos, José Melo, Maus Caminhos, Mouhamad Moustafa, Operação Custo Político, Salvare, Susam, Total Saúde, Wilson Alecrim
Cleber Oliveira 21 de dezembro de 2017
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3 Comments
  • joll disse:
    21 de dezembro de 2017 às 17:48

    Felizmente algo está sendo feito para punir os assaltantes dos cofres públicos. Torço para que chegue também aos municípios do interior onde a quadrilha está ramificada com prefeitos eleitos a custa de compra de votos. milhões e milhões foram desviados para alguns municípios, com prefeitos aliados do “velhinho” integrantes da quadrilha e aplicados em obras que só iniciaram apenas para levar o dinheiro roubado. Ainda é preciso que os prefeitos envolvidos também sejam punidos.

    Responder
  • Estou de Olho disse:
    22 de dezembro de 2017 às 08:52

    Um passo importante que deveria ser dado de forma contínua pela policia federal é a analise comparativa do patrimônio físico e financeiro de agentes públicos e empresários ligados a eles, que se vangloriam de tal situação nos quatro cantos do amazonas, especificando que o remédio para seus maus atos está na justificativa que o mesmos recursos calam qualquer esfera da justiça, assim como noticiários e desafetos, inserindo na mente de toda uma população que as coisas são assim mesmo e que temos que nos conformar, pois passam a manobrar os que não pensam política de forma correta, querendo com isso igualar a eles pessoas que realmente querem o melhor para a sociedade, quando vemos algo no amazonas acontecer que infelizmente não era normal acreditamos que DEUS realmente está ouvindo o Clamor de seus verdadeiros adoradores, que o adoram em Espirito e em Verdade.

    Responder
    • Público disse:
      24 de dezembro de 2017 às 11:32

      Importante reiterar que a PF faça o mesmo com todos os políticos do nosso Estado, afinal, todos enriqueceram ocupando cargos públicos e muitos deles já estão na 3a geração e continuam “mamando” nos cofres do Estado.

      Responder

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