
Do ATUAL
MANAUS – A vacinação é considerada muito importante para 82,7% dos brasileiros, informa pesquisa realizada pelo Instituto Opinião. Apesar da aceitação, os números do Ministério da Saúde mostram que as taxas de vacinação no Brasil estão abaixo dos 80%. O pior índice foi registrado em 2016, com apenas 50,44%.
“Considero encorajador verificar que grande parte da população brasileira considera a vacinação importante para que possamos evitar o retorno de doenças preveníveis por vacinação. Para mim, isto é um indicador de que este país pode voltar a se orgulhar de sua história, pela qual retirou do território brasileiro as doenças que tanto provocaram dores, sequelas/defeitos e mortes”, afirma Lurdinha Maia, coordenadora do Departamento de Assuntos Médicos de Bio-Manguinhos e do projeto PRCV (Pela Reconquista das Altas Coberturas Vacinais).
Os dados mais recentes do Datasus, no Ministério da Saúde, mostram uma preocupante cobertura vacinal de 47,93% até a última atualização em 2023. Esse é um cenário alarmante para um país que já foi considerado um exemplo global em termos de imunização.
“É importante verificarmos agora quais as causas que levam a mais de 80% de brasileiros acreditarem nas vacinas e este número não ter a mesma representatividade nas coberturas vacinais”, diz Lurdinha.
Em recente entrevista à Agência Brasil, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, disse que o PNI permitiu ao país enfrentar mais de 20 tipos de doenças. “Erradicamos a varíola, eliminamos a poliomielite, a rubéola, a síndrome da rubéola congênita e o sarampo. Com a queda nas coberturas vacinais nos últimos anos, infelizmente, o sarampo retornou, e temos de fazer de tudo para evitar o retorno da poliomielite”, disse Nísia Trindade.
Segundo a pesquisa, um fator que parece contribuir para essa disparidade entre a percepção pública e a realidade da cobertura vacinal é a disseminação de desinformação.
“Campanhas de desinformação que se espalharam pelas redes sociais têm impactado negativamente a confiança da população nas vacinas. A crise política que teve início em 2013, questionando a legitimidade das instituições do país, e o ambiente de polarização política exacerbado, contribuíram para a erosão da confiança no sistema de saúde e nas vacinas”, disse Arilton Freres, sociólogo e diretor do Instituto Opinião, que tem sede em Curitiba.
As vacinas são vitais na prevenção de doenças e mortes, fortalecendo o sistema imunológico e combatendo vírus e bactérias. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece cerca de 20 imunizantes gratuitamente à população, seguindo as recomendações da OMS.
A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) informou que a partir de 2024 produzirá a vacina hexavalente, que combina seis vacinas individuais para proteção contra várias doenças: difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae B, poliomielite e Hepatite B.
