
Da Agência BNDES
RIO DE JANEIRO – O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Socia), em parceria com o Instituto Phi e o Instituto Phomenta, lançou nesta quarta-feira (1º), em Belém (PA), o edital BNDES Periferias Fortes – Norte, iniciativa que vai beneficiar organizações sociais de periferia que atuam no Amazonas e em outros estados da Região Norte, além do Maranhão.
Com investimento de R$ 17,5 milhões, o programa selecionará até 82 Organizações Sociais de Periferia de pequeno e médio porte. As entidades participarão de um curso com duração de dois anos, que inclui formação imersiva, mentorias, capacitações em gestão, comunicação e captação de recursos para implementação de seus planos de fortalecimento.
As iniciativas selecionadas poderão receber aportes de até R$ 100 mil, no caso das organizações de pequeno porte, e de até R$ 300 mil, no caso das de médio porte. O programa também prevê bolsas de incentivo para apoiar a permanência das lideranças durante a formação.
O edital integra a estratégia BNDES Periferias, principal plataforma do Banco para impulsionar o desenvolvimento integrado de favelas e comunidades urbanas.
“O desenvolvimento do Brasil passa pelas periferias. Esses territórios têm potência econômica, capacidade empreendedora, lideranças comunitárias fortes e soluções construídas por quem conhece de perto os desafios locais. O papel do BNDES é ajudar essas iniciativas a ganharem escala, gerando renda, oportunidades e inclusão produtiva onde elas são mais necessárias”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Levantamento do Instituto Phomenta identificou que a escassez de recursos financeiros é o principal desafio para 86% das organizações brasileiras ouvidas. Na Região Norte, esse percentual chega a 92%.
“O propósito do Instituto Phomenta é descentralizar recursos e apoiar organizações pequenas para que continuem existindo e gerando impacto. O BNDES Periferias Fortes Norte nos dá escala para isso em território que concentra 12,1% da população brasileira, mas apenas 9% das organizações formalizadas do país”, disse Rodrigo Cavalcante, diretor executivo do Instituto Phomenta.
“Esses números escondem os coletivos e os projetos que não possuem CNPJ, que geram impacto real e estão em lugares onde as políticas públicas e grandes organizações não chegam. Nosso objetivo com o programa é fortalecer estas organizações e ampliar o impacto nas comunidades periféricas”, acrescentou.
Quem pode participar
Podem participar organizações sociais de periferia dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além do Maranhão.
Serão selecionadas 25 organizações de médio porte, formalizadas, com orçamento anual entre R$ 80 mil e R$ 300 mil e pelo menos sete anos de atuação. Outras 57 vagas serão destinadas a organizações de pequeno porte, formalizadas ou não, com arrecadação mínima anual de R$ 20 mil — ou R$ 30 mil em um dos últimos três anos — e pelo menos quatro anos de atuação.
O programa contempla organizações formalizadas e também coletivos que ainda não possuem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Para esses casos, a iniciativa oferecerá apoio financeiro e assessoria especializada para a formalização, etapa necessária para o acesso aos recursos destinados à implementação dos planos institucionais.
“O que vimos foi que a dificuldade das instituições locais era que precisavam de desenvolvimento institucional, algum grau de formalização para acessar recursos não só do BNDES”, afirma Ana Cristina Costa, superintendente da Área de Desenvolvimento Social e Gestão Pública do BNDES.
As organizações devem atuar em territórios periféricos urbanos e desenvolver ações voltadas à promoção de benefícios para populações de baixa renda, especialmente em áreas como geração de emprego e renda, educação, saúde, cultura, esporte, justiça, meio ambiente, serviços urbanos e desenvolvimento regional.
BNDES Periferias
Desde 2024, o BNDES Periferias disponibilizou R$ 355 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental do Banco para apoiar ações em favelas e comunidades urbanas. Atualmente, a iniciativa tem 12 operações aprovadas, com resultados esperados em 97 favelas e comunidades urbanas.
A estimativa é apoiar 9.160 empreendedores periféricos, incluindo mais de 6 mil mulheres, 4.777 pessoas pretas e pardas e 2.822 jovens. Também estão previstos R$ 11,4 milhões em capital semente para 4.142 empreendedores, além do apoio a 167 organizações periféricas do Norte e do Nordeste com ações de desenvolvimento institucional.
