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Economia

União entre Estado, empresas e academia alavanca inovação no Nordeste

29 de agosto de 2019 Economia
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pesquisa
Um dos projetos discutidos, o programa Cientista Chefe, foi criado no ano passado pela Funcap (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Foto: Keiny Andrade/Folhapress)
Por Guilherme Botacini, da Folhapress

SÃO PAULO – O Nordeste vem tentando superar os baixos níveis de investimento em ciência e tecnologia na região com parcerias entre setor público, empresas e academia. Algumas iniciativas desse tipo foram apresentadas apontadas pelos debatedores do 3º Seminário Inovação no Brasil, ocorrido na quarta-feira, 28, no auditório do jornal Folha de S.Paulo.

Um dos projetos discutidos, o programa Cientista Chefe, foi criado no ano passado pela Funcap (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

“Buscamos nas universidades as parcerias para que doutores, mestres e estudantes possam estar dentro das secretarias e construir ferramentas inovadoras para a vida prática da população”, afirmou Camilo Santana (PT), governador do Ceará e um dos debatedores. “Investimos R$ 21 milhões, por ano, nessa parceria.”

O programa seleciona pesquisadores com destaque na produção acadêmica para criar projetos em sete áreas consideradas estratégicas pelo governo estadual: recursos hídricos, recursos renováveis, saúde, educação, segurança pública, pesca e análise de dados.

O cientista selecionado recebe uma bolsa vinculada à Funcap e discute diretamente com as secretarias responsáveis a aplicação dos conhecimentos gerados na gestão pública. Ele continua trabalhando na universidade.

O governador citou como exemplo de bom resultado o Spia, na área da segurança pública.

“Colocamos 112 especialistas dentro da secretaria de segurança. Criaram o Sistema Policial Indicativo de Abordagem, de monitoramento e rastreamento de veículos. Recuperamos 96% dos veículos roubados. Está sendo copiado pelo Ministério da Justiça para ser aplicado no resto do Brasil”, disse.

No Recife, o parque tecnológico Porto Digital, um dos principais do país, é focado na ciência da computação e no desenvolvimento de softwares.

Criado em 2000 com apenas duas empresas, hoje o polo abriga mais de 320, e revitalizou o centro histórico da cidade. O projeto é gerido por uma organização social privada sem fins lucrativos, o Núcleo de Gestão do Porto Digital.

“É ao mesmo tempo um projeto de recuperação histórica e de geração de emprego e renda”, afirmou Pierre Lucena, presidente do Porto Digital e professor de finanças da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

A ideia inicial do projeto era absorver a mão de obra qualificada, especialmente em ciência da computação, formada no estado.

O curso de ciências da computação da UFPE possui nota máxima na avaliação de cursos de pós-graduação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), mas os jovens formados, de acordo com Lucena, deixavam o estado.

O Porto Digital tem 10 mil trabalhadores e o plano é chegar aos 20 mil em até cinco anos.
Para ele, apesar da participação fundamental do poder público, o setor privado é quem vai tocar as atividades de inovação. “Todas as nossas empresas [do Porto Digital] são privadas e fazem questão de vender para o setor privado”, disse.

Ele avalia que o caminho para a inovação e o desenvolvimento do país está na tecnologia de ponta. “Temos grande oportunidade de colocar o Brasil no século 21 definitivamente. O jogo do digital está sendo jogado agora, ainda dá tempo de entrar”, afirmou.

Apesar das iniciativas citadas pelos debatedores, desigualdades regionais ainda são um entrave para o desenvolvimento a longo prazo do Nordeste, segundo Carlos Gadelha, doutor em economia pela UFRJ e coordenador das ações de prospecção da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

“Temos um hiato na questão regional. O Nordeste tem 28% da população [do país] e 14% do PIB. A participação nas patentes produzidas é de 5%. (…) Se este é o cenário, nós vamos aumentar a desigualdade regional brasileira se não tivermos uma visão nacional.”

Além disso, o financiamento público em ciência, tecnologia e inovação no país vem caindo. Foi consenso entre os debatedores que isso impede a inovação tanto no setor público, quanto no privado. “Inovador no Brasil, privado e público, está com medo. E inovador medroso não vai adiante”, afirmou Gadelha.

A preocupação reflete o ambiente de cortes de investimentos do governo federal, que ameaça a continuidade de trabalhos em ciência e tecnologia.

“Precisamos do Estado trabalhando junto e fomentando. (…) A preocupação que temos é que os instrumentos de fomento estão todos paralisados”, apontou Lucena.

O seminário realizado pela Folha de S.Paulo contou com o apoio do governo do estado do Ceará, da Secretaria de Transportes Metropolitanos do estado de São Paulo e do Instituto Coca-Cola Brasil.

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Assuntos Nordeste, pesquisa
Redação 29 de agosto de 2019
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