
Da Redação
MANAUS – Manaus ocupa a 6ª posição no ranking das capitais brasileiras com maior número de pessoas obesas, segundo a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) realizada pelo Ministério da Saúde. Em Manaus, 19 % da sua população de 2,5 milhões de habitantes são de obesos. A média nacional é de 17%. No Brasil, 52% da população tem excesso de peso. A falta de atividades físicas e de consumo adequado de frutas e hortaliças são fatores decisivos para o ganho de peso dos manauaras, conforme o estudo.
Embora esteja relacionada a fatores genéticos, a obesidade passa também pelo sedentarismo e alimentação inadequada. Em Manaus, conforme a pesquisa, somente 16,8% da população consome a porção diária de vitaminas recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
O aumento da obesidade gerou maior procura por cirurgias de redução do estômago. Somente no Instituto Victor Dib – especializado em Obesidade e Aparelho Digestivo –, são realizadas, em média, 25 cirurgias bariátricas por mês, de acordo com a nutricionista integrante da equipe Multidisciplinar do Instituto, Celme Barroncas. “Nunca são operadas menos de 20 pessoas e o mês corrido tem 26 dias. Tem a questão genética, mas os excessos são determinantes no ganho de peso. É preciso cuidar da alimentação, fazer substituições. A cirurgia muda completamente a vida da pessoa. É necessário que se pense muito bem antes de tomar essa decisão”, enfatizou Barroncas.
Um indicador preocupante, segundo a nutricionista, é o consumo exagerado das gorduras saturadas, dos refrigerantes e das frituras, além da resistência ao exercício físico. “A culinária amazonense é cheia de peculiaridades. Embora o peixe seja considerado carne magra, acabamos consumindo o alimento vindo dos viveiros, repletos de hormônios, o que acaba sendo prejudicial. Por ser muito quente, as pessoas em nossa região têm o hábito de tomar bebidas geladas durante e após as refeições, o que acaba enrijecendo a gordura”, destaca.
Cafés calóricos
Celme Barroncas chama a atenção para o valor calórico dos cafés regionais. Somente um X-Caboquinho, ressalta, é recheado com banana frita, tucumã, queijo coalho, o que torna o alimento calórico e determinante para o ganho de peso.
Até mesmo a tapioca, considerada um alimento ‘fit’, sem muitas calorias e a preferida pelos brasileiros na hora de substituir o temido pão francês, pode ser um perigo na culinária amazonense. Os recheios com castanha, banana frita, queijo coalho e tucumã, com o acréscimo da gordura hidrogenada contida na margarina, são fatais para que as pessoas engordem. “Em geral as pessoas não conseguem comer somente a macaxeira cozida e o cará cozido. A frita é sempre mais atraente”, diz a especialista.
O estresse e a dificuldade econômica também são fatores que levam ao ganho de peso, conforme Celme Barroncas. “É complicado fazer dieta com pouco dinheiro, e, por conta disso, as pessoas acabam consumindo o que for mais barato. Tem ainda a questão hormonal, a insônia, o sal que ajuda a reter líquido, o açúcar que se transforma em gordura. É um conjunto de fatores”, explica.
Determinação
Para a especialista, o compromisso do obeso com ele mesmo é o primeiro passo para perder peso. “A pessoa tem de querer emagrecer. A partir do momento em que ela toma uma decisão, os hábitos serão modificados”, aconselha.
Algumas mudanças, como trocar o peixe frito pelo assado ou grelhado, o refrigerante pelo suco ou pela fruta, reduzir a quantidade de pães e mastigar mais podem trazer grandes resultados tanto no emagrecimento quanto na saúde do indivíduo, ressalta a nutricionista. “Quem mastiga mais come menos. Mas não pode retirar tudo da alimentação, do contrário, as pessoas ficam com deficiências e adoecem”, alerta.
A nutricionista Vanessa Pollari, também integrante da equipe multidisciplinar do Instituto Victor Dib, destaca que alimentação é a base de tudo, podendo evitar e causar uma infinidade de doenças. “Saber combinar os alimentos e comer na hora certa é fundamental nesse processo. O nutricionista é o profissional que vai direcionar essa alimentação, de acordo com a rotina de cada paciente, de forma personalizada”, enfatizou.
