
Por Murilo Rodrigues e Feifiane Ramos, do ATUAL
MANAUS – Alexsandro da Silva, conhecido como “Branco”, de 36 anos, foi encontrado morto na manhã deste sábado (13) na margem direita do rio Tefé, próximo à Comunidade do Piraruaia, no município de Tefé (a 529 quilômetros de Manaus).
Segundo a Polícia Militar, “um morador em atividade de pesca teria avistado o corpo e informado que poderia se tratar do foragido da justiça, vulgo Branco”. O delegado de Alvarães, Marcelo Lopes, disse ao ATUAL, que os policiais que atenderam a ocorrência confirmaram que o corpo é de Alexsandro da Silva.

Branco era suspeito do desaparecimento de Ana Paula Barbosa de Souza, de 28 anos, e de Hevilyn Kalena de Souza Solart, de 25 anos, que sumiram com os filhos em Tefé. Além disso, segundo o delegado, recentemente ele também era investigado por mais dois sumiços. Um deles era de uma filha do suspeito.
Alexsandro tinha antecedentes por estupro de vulnerável, violência doméstica e apropriação indébita, havia sido preso em 23 de maio, mas escapou da unidade prisional de Tefé; Ele fugiu da prisão no dia 14 de julho.
Após a fuga de Branco, familiares de Ana Paula e Hevilyn Kalena saíram em busca de informações sobre o suspeito. Eles encontraram ossadas humanas no local onde vivia Alexsandro da Silva, em uma área de mata. A descoberta ocorreu no dia 30 de agosto, quando as famílias foram a um lago do município prestar homenagem aos parentes.
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O primeiro achado foi no dia 24 de julho. Na ocasião, familiares, com apoio de moradores, identificaram o local e acionaram a Polícia Civil de Alvarães. Na época, foram encontrados ossos humanos e uma cabana equipada com motor de energia elétrica onde estavam pertences de Branco e de Ana Paula, reconhecidos por familiares.
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A família acredita que Paula e os filhos tenham sido assassinados. Em nota, comunicou que a morte de Alexandro impossibilita saber o motivo do crime. Eles também informaram que tem esperança que as ossadas encontradas sejam da mãe e dos filhos, para que possam garantir sepultamento digno.
“A família Barbosa e Costa vem, por meio desta nota, confirmar as informações e as imagens divulgadas sobre a morte de Alexandro da Silva, conhecido como “Branco”. Jamais teremos como compreender plenamente as motivações que o levaram a cometer tamanha crueldade contra Paula e seus filhos.
O que ele fez permanecerá como uma ferida aberta. No entanto, é inevitável expressar o alívio em saber que esse monstro não fará novas vítimas.
Neste momento, nossa esperança se volta para que, entre as ossadas encontradas, alguma possa ser identificada como sendo de Paula e/ou de seus filhos, para que finalmente possamos dar a eles um sepultamento digno e o descanso que tanto merecem.
A dor permanece, mas seguimos em busca da verdade e de justiça.”
Caso Ana Paula
Ana Paula e os dois filhos desapareceram desde agosto de 2024, mas o boletim de ocorrência sobre o sumiço foi registrado após nove meses.
Ana era natural do município de Alvarães (distante 531 quilômetros de Manaus) e havia se mudado para Tefé, onde vivia com o marido [Branco] e os dois filhos: Kauã Miguel, de 10 anos, e Maria Ísis, de 7 anos.

A mãe da jovem, Shirley da Costa, de 54 anos, relatou que viu a filha pela última vez, quando ainda morava em Alvarães. Desde então, não teve mais notícias.
A irmã, Ana Cássia Barbosa, contou ao ATUAL que a família procurou por Ana Paula em Tefé, indo, inclusive, na escola onde estudava o filho dela e no endereço onde Ana Paula dizia estar morando, mas no local foi informado que ela havia saído de lá.
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Caso Hevilyn Kalena
O delegado Marcelo Lopes, responsável pelas investigações em Alvarães, disse que a investigação no caso de Ana Paula revelou indícios de envolvimento de Alexsandro no desaparecimento de Hevilyn Kalena de Souza Solart, de 25 anos, vista pela última vez em outubro de 2024 quando viajava de Tefé para Manaus. Os filhos dela, Yuri Kalel da Silva, 4 anos, e Hanna Sophia Solart, de 9, também estão desaparecidos.

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Segundo Marcelo Lopes, surgiu a ligação entre ela e Alexsandro — apontado como ex-namorado da jovem — foi instaurado um novo inquérito. A polícia também ouviu familiares, que reforçaram suspeitas sobre o envolvimento dele no caso.
Sobre a fuga de Branco, o ATUAL solicitou por duas vezes nota da Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) do Amazonas sobre as circunstâncias, pois as famílias alegam que Branco teve “ajuda de dentro do presídio” para fugir, mas a secretaria não se manifestou.
