
Do ATUAL
MANAUS — Familiares de Ana Paula Barbosa de Souza, de 28 anos, e de Hevilyn Kalena de Souza Solart, de 25 anos, que desapareceram junto com os filhos em Tefé (a 523 km de Manaus), encontraram mais ossadas humanas no local onde vivia Alexsandro da Silva, conhecido como “Branco”, principal suspeito dos desaparecimentos. A descoberta ocorreu no dia 30 de agosto, quando as famílias foram a um lago do município prestar homenagem aos parentes.
O primeiro achado foi no dia 24 de julho. Na ocasião, familiares, com apoio de moradores, identificaram o local e acionaram a Polícia Civil de Alvarães. Na época, foram encontrados ossos humanos e uma cabana equipada com motor de energia elétrica onde estavam pertences de Branco e de Ana Paula, reconhecidos por familiares.
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Na volta ao local um mês depois, as famílias levaram um padre, acenderam velas e oraram com aspersão de água benta e colocaram uma cruz. Uma familiar de Ana Paula relatou ao ATUAL que durante a visita perceberam um urubu sobrevoando a área, o que os levou a entrar na mata próxima, onde encontraram mais ossadas.
“Se depararam com um crânio de um adulto, o crânio possuía alguns dentes e junto dele tinham vários ossos menores espalhados, assim como as costelas da ossada, inclusive algumas alinhadas, deixando a entender que o corpo havia sido descartado ali. Mais adiante foi encontrado o fêmur”, relatou uma familiar, que prefere não se identificar.
Ela contou que, ao retornarem à cidade, entregaram os ossos à delegacia. O material foi recebido por um investigador da carceragem. Ele afirmou que o material seria enviado para perícia.
A mulher também reclama da falta de transparência nas investigações e nas informações sobre a fuga de Branco, que escapou do presídio de Tefé no dia 14 de julho. “Não sabemos informar quanto aos avanços da busca pelo foragido. Até então não recebemos nenhuma resposta do presídio”.
Em 23 de julho, a família protocolou um pedido ao Ministério Público solicitando reforço policial, equipe especializada e esclarecimentos sobre a fuga, mas ainda não obteve retorno. A família pede que a população denuncie se souber alguma informação sobre o paradeiro de Branco.

Além de Ana Paula, estão desaparecidos os filhos dela – Kauã Miguel Barbosa de Sousa, 10 anos, e Maria Ísis Barbosa de Sousa, de 7 anos, vistos pela última vez em abril de 2024.
Outro caso
Alexsandro da Silva também é investigado em outro inquérito relacionado ao desaparecimento de Hevilyn e dos filhos dela Yuri Kalel da Silva, de 4 anos, e Hanna Sophia Solart, de 9 anos, que sumiram em outubro de 2024, quando viajavam de Tefé para Manaus.
O delegado Marcelo Lopes explicou que o caso de Hevilyn começou a ser investigado pela Deops (Delegacia Especializada em Ordem Política e Social). Quando a ligação entre a jovem e Alexsandro, seu ex-namorado, foi confirmada, foi aberto um novo inquérito específico. Familiares de Hevilyn também prestaram depoimento e manifestaram suspeitas sobre o envolvimento de Branco.
O que diz a polícia
Ao ATUAL, o delegado Marcelo Lopes disse que na localidade Acaituba, onde foram encontradas das ossadas, foram realizadas três missões coordenadas pela Polícia Civil. Nas três, foram identificados fragmentos de ossos e encaminhados para perícia.
“Na última semana, a família se deslocou até a localidade e encontrou novamente mais ossos, isso ocorre devido o nível do rio está baixando e os locais, antes alagados, ficam expostos. O material recolhido pelos familiares foi levado à delegacia e feito um auto de exibição dos objetos recolhidos para, em seguida, ser encaminhado a perícia”, explicou.

Conforme o delegado, pessoas “que estavam prestando auxílio material ao foragido após a fuga” foram presas. Ainda de acordo com Lopes, foram ouvidas aproximadamente 31 pessoas, cumpridos mandados de busca em cinco residências e feitas quatro representações por prisão temporária e preventiva.
“As investigações seguem no sentido de identificar as ossadas, através de confrontação genética, mas já há outros indícios que ligam o autor ao desaparecimento de outras pessoas”, disse, citando que “a eficiência de uma investigação está diretamente relacionada ao sigilo das medidas”.
“Coletamos informações através do Disque-Denúncia, verificamos a veracidade e executamos diligências. Assim tem sido feito por equipes de Alvarães e Tefé, de forma incessante desde a fuga do presídio de Tefé”, explicou o delegado.
A reportagem solicitou nota da Seap-AM (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Amazonas) na época em que Branco fugiu para saber as circunstâncias da fuga; recentemente um novo pedido de informação foi feito à secretaria. Até a publicação da matéria não houve resposta. A família alega que houve facilitação na fuga.
