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Dia a Dia

Família aciona polícia para apurar se ossada é de mãe e filhos desaparecidos

25 de julho de 2025 Dia a Dia
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Cabana onde Branco, possivelmente, estava vivendo (Foto: Divulgação/Redes sociais)
Por Feifiane Ramos, do ATUAL

MANAUS — Familiares de Ana Paula Barbosa de Souza, 28 anos, e dos dois filhos, acionaram a Polícia Civil do Amazonas para verificar relato da presença de ossos humanos em um terreno em área de floresta próximo ao Lago Tefé, no interior do Amazonas. Ela e as crianças desapareceram em abril de 2024 em Alvarães (a 644 quilômetros de Manaus por via fluvial). O caso envolve um suspeito foragido, nenhuma pista sobre o paradeiro da família e a falta de solução por parte da Polícia Civil do Amazonas.

Familiares foram ao local anteriormente verificar informação de um morador que havia encontrado os ossos. Um parente, que pediu para não ser identificado, contou que o morador encontrou os ossos há quatro meses, mas não comunicou à polícia por medo pois a área é usada por criminosos ligados ao tráfico de drogas para desova de corpos.

Polícia divulgou fotos das crianças desaparecidas (Foto: Divulgação/PC-AM)

Leia mais: Polícia divulga fotos e prende suspeito de sumiço de enteados no Amazonas

A família solicitou ajuda a moradores da região e foi até o local indicado. Na primeira tentativa, encontraram apenas uma cabana improvisada em uma área de mata fechada, de difícil acesso. Como perceberam sinais de presença de pessoas, recuaram por segurança. Posteriormente, solicitaram apoio da polícia. “Foi quando teve a movimentação da polícia”.

Nesta quinta-feira (24), familiares retornaram acompanhados de policiais civis de Alvarães e de Tefé, além de equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. Ao chegar, notaram que a primeira cabana havia sido desmontada.

Mais adiante, porém, localizaram uma estrutura maior com suprimentos, motor de luz, bomba de água e condições para permanência de alguém. Segundo os parentes, o local era usado por Alexsandro da Silva, conhecido como “Branco”, de 36 anos, principal suspeito do sumiço de Ana Paula e os filhos. Moradores da comunidade alegam que viram Branco no local em janeiro deste ano e que, recentemente, viram movimentação de pessoas na área.

“Aparentemente, ele [suspeito] tinha acabado de sair de lá. Parece que ele tinha acabado de tomar banho, a toalha estava até molhada”, relatou o familiar. No terreno, a polícia encontrou várias ossadas humanas espalhadas. Em imagens feitas no local, também aparecem roupas que seriam de Branco. “Até uma camisa que ele está em uma das fotos que a gente divulgou dele, quando a Paula sumiu, estava na cabana”, disse a fonte ouvida pelo ATUAL.

Principal suspeito, Alexsandro da Silva, conhecido como “Branco” (Foto: Divulgação/Redes sociais)

Os familiares informaram que havia muitas peças de motocicletas espalhadas. Branco trabalhava como mecânico. O familiar relata que, com a subida e descida do rio, por se tratar de uma área de igapó, algumas ossadas podem ter sido levadas ou espalhadas na área, pois a pessoa que denunciou informou que havia diversos crânios “pequenos, que eram de crianças”.

“Só o que conseguiram encontrar até agora foram ossos de pessoas adultas e de criança. O problema é que eles estavam muito velhos, mas os bombeiros disseram que pode ter sido porque os ossos estavam debaixo d’água e a água ajuda a destruir. Os bombeiros voltarão lá para ver se encontram mais ossos”, relatou.

O material encontrado será enviado para Manaus para análise do IML (Instituto Médico Legal).

Branco havia sido preso em maio deste ano, mas fugiu no dia 14 deste mês do presídio de Tefé. Segundo a família, houve facilitação na fuga pois ele foi liberado para consertar um veículo e não retornou. Na época da fuga, foi solicitada nota da Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) sobre as circunstâncias, mas não houve retorno.

Falta de ajuda

A família afirma que as buscas contam com pouca estrutura e relatam dificuldades enfrentadas durante as diligências. Segundo um parente de Ana Paula, no dia em que souberam sobre as ossadas foi preciso que eles mesmos providenciassem alimentação e água para os policiais que acompanharam a ação.

“Todas às vezes eles falam que não tem reforço. Inclusive, no dia das buscas, tivemos que correr atrás de alimentação e água que eles [polícia] queriam. Encontrar essa pista das ossadas foi graças aos esforços da nossa família, pois não vamos parar até que ele [Branco] seja encontrado e diga o que aconteceu com a Paula e as crianças”, afirmou o familiar.

Segundo ele, a família tinha informações sobre a área onde os restos mortais foram encontrados havia cerca de duas semanas. “A gente relatou para a polícia, mas a polícia disse que tinha que ter suporte, que não tinha lancha, que não tinha isso, não tinha aquilo. Aí a família se mobilizou para ir até o local por conta própria”, disse.

Ainda conforme o parente, o que a família solicita agora é mais presença das forças de segurança. “A única coisa que a gente pede no momento é reforço da polícia. Reforço para auxiliar nas buscas contra ele [Branco]”.

Ele acrescenta que o objetivo é ter uma resposta sobre o paradeiro de Ana Paula e das crianças. “O que a gente quer é justiça. Que a polícia encontre esse homem, prenda ele e que faça o que tiver de fazer com ele e que dê uma resposta pra gente, porque nós, enquanto família, estamos atrás de resposta”.

E acrescenta: “A gente vai se deparar com uma resposta boa ou ruim, mas a gente precisa que esse sofrimento acabe, esse pesadelo acabe logo, que é para gente descansar e seguir a nossa vida mesmo com sofrimento, porque não é fácil viver uma situação dessa”. O parente faz um apelo para as autoridades enviarem reforço e intensifiquem as buscas pelo suspeito.

Outro caso

Alexsandro da Silva, o “Branco”, também é investigado pela Polícia Civil em um segundo inquérito, relacionado ao desaparecimento de outra mulher e duas crianças. Durante as diligências do caso de Ana Paula, surgiram indícios de que ele teria envolvimento no sumiço de Hevilyn Kalena de Souza Solart, de 25 anos.

Hevilyn foi vista pela última vez em outubro de 2024, quando viajava de Tefé para Manaus. Junto com ela também desapareceram os filhos, Yuri Kalel da Silva, de 4 anos, e Hanna Sophia Solart, de 9 anos.

Segundo o delegado Marcelo Lopes, inicialmente o desaparecimento de Hevilyn e das crianças era investigado pela Deops (Delegacia Especializada em Ordem Política e Social). Quando as apurações apontaram uma ligação entre ela e Alexsandro — que era ex-namorado da jovem —, a polícia instaurou um novo inquérito específico para esse caso. Familiares de Hevilyn também foram ouvidos e reforçaram as suspeitas sobre o envolvimento de Branco.

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