
Por Pietra Alcantara, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – Os veículos elétricos e híbridos podem representar até 50% da frota brasileira em circulação entre 2036 e 2040, segundo projeção divulgada pelo Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) em relatório anual sobre a frota nacional.
O cenário surge em meio ao crescimento acelerado das vendas de eletrificados no país, mas ainda esbarra na resistência do consumidor brasileiro, que é majoritariamente ligado aos modelos a combustão. Hoje, os eletrificados representam cerca de 1,4% da frota circulante brasileira, participação que era de apenas 0,1% em 2021.
Segundo o Sindipeças, a taxa média de crescimento anual desses veículos na década chega a 75,6%, impulsionada pela ampliação da oferta, incentivos tributários e entrada agressiva das montadoras chinesas no mercado nacional.
Apesar do avanço dos elétricos nas concessionárias, os carros movidos a combustão seguem como preferência da maior parte dos consumidores brasileiros. Levantamento da consultoria EY mostra que 49% dos consumidores no País ainda preferem veículos com motor a combustão interna, enquanto apenas 9% demonstram interesse direto em elétricos a bateria.
Os híbridos aparecem como principal porta de entrada para a eletrificação. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que as vendas de automóveis e comerciais leves eletrificados quase dobraram no primeiro quadrimestre de 2026, passando de 70.433 para 138.886 unidades.
Travas
Segundo a pesquisa da EY, a principal barreira para adoção dos elétricos segue sendo a infraestrutura de recarga. Entre os entrevistados que não pretendem comprar um veículo elétrico, 36% afirmam não possuir estrutura de carregamento em casa ou no trabalho, enquanto 33% citam a falta de estações públicas.
O custo inicial dos veículos e preocupações com baterias também aparecem entre os principais entraves. Ao mesmo tempo, o aumento do preço dos combustíveis e preocupações ambientais surgem como fatores que impulsionam o interesse pelos eletrificados.
Avanço chinês
O avanço das montadoras chinesas aparece como um dos principais motores da transformação do mercado brasileiro. Segundo o Sindipeças, o crescimento das importações vem sendo puxado principalmente pelas fabricantes asiáticas, que concentram boa parte da estratégia nos veículos híbridos e elétricos.
A tendência acompanha o cenário global. Na China, os elétricos já representam mais da metade das vendas de veículos novos, enquanto a União Europeia registrou, no fim de 2025, a primeira liderança mensal dos elétricos sobre os carros a gasolina.
