
Por Teófilo Benarrós de Mesquita, da Redação
MANAUS – A venda da Reman (Refinaria de Manaus) concentrará em grupo privado o fornecimento de combustível às distribuidoras na região Norte, diz a pesquisadora Carla Borges Ferreira, do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Segundo ela, estudo da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) mostra que a venda para o Grupo Atem vai reforçar o monópolio regional para o setor privado e aumentar a volatilidade dos preços dos derivados. Nessa condição, a tendência é encarecer o preço de combustíveis nos estados da região.
A explanação ocorreu na manhã desta quarta-feira (23) em audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado Federal. No encerramento da reunião senadores e sindicalistas sugeriram que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) anule o processo de venda, ainda em andamento. Nove parlamentares participaram do debate.
A pesquisadora citou o exemplo da privatização da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, para o grupo árabe Mubadala, e que resultou em reajuste de derivados de petróleo acima dos praticados pela Petrobras. Cloviomar Cararine, analisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos), reforçou o exemplo da Ladulpho Alves.
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O coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas, Marcus Ribeiro, disse que o processo de venda da Reman pode ser revertido porque ainda não foi concluído.
Carla Ferreira disse que o Ineep estimou o valor de mercado da Reman em US$ 279 milhões, mas o grupo Atem comprou o complexo por 70% do valor – US$ 189 milhões. “A venda, ainda em processo, foi por um preço muito abaixo do valor de mercado da estrutura da refinaria da Reman”, afirmou.

A pesquisadora citou outros impactos desfavoráveis no processo de privatização, como o favorecimento ao monopólio regional e “provavelmente a manutenção de preços em patamares mais altos”. “A nova gestão controladora da Rlam promoveu reajuste de forma muito mais intensa do que a própria Petrobras”, lembrou Carla Ferreira. “A Bahia ultrapassou todos os estados em preço de diesel, o que leva a entender que o argumento da promoção da concorrência é um tanto falacioso”, disse.
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Sobre a Reman, Carla Ferreira disse que “na verdade vai se criar um monopólio regional do setor privado no refino no Amazonas o que pode implicar no aumento do preço para a região Norte, ao contrário do que se tem dito com a possibilidade de venda da refinaria”.
Carla observou que a atual gestão da Petrobras vai na contramão do que se tem feito no mundo. “Enquanto as petrolíferas internacionais atuam de forma a integrar cada vez mais suas empresas, torná-las cada vez mais vertical, atuando do poço ao posto, a gestão atual da Petrobas não tem essa visão estratégica de empresa integrada e verticalizada”.
A produção da Reman atende os estados do Pará, Amapá, Rondônia, Acre e Roraima, além do Amazonas. É a segunda a entrar em processo de venda, das oito refinarias que a Petrobras pretende privatizar.
O primeiro processo de venda finalizado foi da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia. O Ineep calculou o valor da Rlam em US$ 3 bilhões, mas o grupo árabe pagou US$ 1,65 bilhão.
Os senadores que participaram da audiência pública foram: Plínio Valério, Omar Aziz, Alessandro Vieira, Angelo Coronel, Flávio Arns, Geordano, Vanderlan Cardoso, Espiridião Amim e Wellington Fagundes.
