
Por Vinícius Novais, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), afirmou que o comando das Casas do Parlamento está sendo conivente diante dos escândalos do Master e do INSS porque os casos chegam a grandes nomes da política. Para o parlamentar seria necessário instalar uma comissão para investigar o caso do Banco Master e a não instalação é uma omissão do Legislativo.
Em entrevista ao programa Roda Viva, nesta segunda-feira (16), Viana ressaltou diversas vezes a importância de que a CPMI seja prorrogada para que possa concluir as investigações e aprofundá-las. Quando fala sobre o assunto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Viana disse ouvir que ele analisa o pedido. O senador vê 80% de chance de que o pedido seja aceito. “Sou otimista, mas se não for prorrogada sei que não fui omisso”, afirmou.
Dados sobre Vorcaro
Carlos Viana afirmou que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça foi coerente ao pedir de volta os dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
Viana disse acreditar que, após o conteúdo pessoal ser separado do material que interessa à investigação, os dados do aparelho serão devolvidos à CPMI. “Não nos interessa se ele tinha vídeos íntimos de garotas de programa, queremos saber onde foi parar o dinheiro”, disse Viana. O Banco Master virou alvo da investigação por causa de suspeitas de fraudes em empréstimos consignados para aposentados e pensionistas.
Questionados sobre os habeas corpus concedidos por Mendonça para envolvidos no caso, Viana reafirmou a coerência do ministro. Quando perguntado sobre a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que derrubou a quebra do sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Viana afirmou que considerou o ato “político”. O senador, porém, disse que respeita a ordem de Dino.
Viana afirmou ainda que a CPMI não poderá convocar governadores nem investigar parlamentares, porque a incumbência seria do STF. “Não faz sentido convocar o governador Tarcísio, de São Paulo, ou a ex-presidente Dilma Rousseff. Devemos explicações aos aposentados”.
O senador disse que bens apreendidos no inquérito poderão ir a leilão para ressarcir o governo, que devolveu os valores aos aposentados vítimas dos desvios.
