
Do ATUAL
MANAUS – Três Rotas de Integração Amazônica a partir de Manaus com países vizinhos buscam ampliar a logística para o comércio na fronteira Norte do Brasil. Mas os caminhos definidos pelo governo federal não consideram a realidade amazônica e não incluem o transporte aéreo e a BR-319 (Manaus-Porto Velho/RO). Os itinerários também têm pontos fracos, afirma Augusto César Barreto Rocha, doutor em Engenharia de Transportes e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas).
Em debate no Diálogos Amazônicos, canal da FGV (Fundação Getulio Vargas) no YouTube, com participação de João Villaverde, secretário de articulação institucional do Ministério do Planejamento e Orçamento, e Márcio Holland, professor da FGV, Barreto disse que o projeto geopolítico do governo federal para a integração da Amazônia “é encantador”, mas carece de incluir a realidade logística amazônica.
O especialista defende que o projeto das rotas de integração das fronteiras do Brasil com os países sul-americanos não pode ser uma “distração para o que realmente necessitamos para a região amazônica”. “O que nos interessa são hidrovias verdadeiras, a BR-319 e uma infraestrutura para o interior do Amazonas para conectar com o Sudeste”, diz Augusto César.
“Há séculos falamos em infraestrutura da Amazônia e não fazemos nada. Há séculos debatemos a necessidade de hidrovias, mas só temos os rios. E a seca demonstra quanto faz falta uma infraestrutura na nossa região”, acrescenta.

Segundo o especialista, do ponto de vista da hidrovia entre Manaus e Itacoatiara, há uma série de restrições e não há nenhuma evidência de que a dragagem resolva esse problema. “A dragagem do ano passado não funcionou. É possível que a dragagem deste ano funcione quando ela começar. Qual a solução de longo prazo? A gente precisa estudar hidrovias na Amazônia. A gente não sabe como fazer”, disse.
Augusto Barreto afirma que o plano nacional de logística de transporte não contempla a logística na região. “Recursos públicos são torrados ano após ano como se fosse a solução e não será a solução. Pensar em rotas de integração sem rotas aéreas é um desperdício de reflexão. O aeroporto de Manaus é o terceiro maior de carga do país”, cita o professor, lembrando que as viagens aéreas para países vizinhos são mais rápidas e baratas saindo de Manaus.
Na logística terrestre, o especialista lembra que existe o gasoduto Coari-Manaus que assegura o fornecimento de gás natural para a capital, mas a produção de gás no Campo do Azulão, no município Silves, é escoada para Roraima pela BR-174. “Existe a possibilidade de consumo de energia por dutovia, além do Linhão de Tucuruí [de energia elétrica]. Parte do problema da BR-174 hoje é que tem muito caminhão carregando gás e a rodovia não está dimensionada para esse tráfego de carretas para abastecer a geração de energia de Roraima”.

A Rota 3 – Quadrante Rondon, segundo Barreto, é uma oportunidade logística para a recuperação da BR-319.
Leia mais: Veículos formam fila quilométrica na BR-319 e afetam até aulas no AM
O professor cita também que a BR-319 e as hidrovias são projetos de longo prazo, mas que devem ser considerados no projeto geopolítico do governo federal como necessárias para Manaus. “Esse projeto deve trazer para nós ações que interessam para a Amazônia e não somente para os nossos vizinhos (países), colocando os nossos ribeirinhos como meros consumidores”, diz Augusto Barreto.
As três rotas amazônicas são a da Ilha das Guianas, Multimodal Manta-Manaus e Quadrante Rondon. O planejamento do governo é torná-las viáveis até 2026.
O projeto “Rotas” foi assinado em dezembro de 2023 e prevê investimentos de até R$ 50 bilhões, com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), do Bid (Banco Interamericano de Desenvolvimento), do CAF e do Fonplata (Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata).
Leia mais: Rota que inclui o Amazonas será a primeira a entrar em operação

