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Política

Rede e PDT contestam no STF suspensão de processo contra Ramagem pela Câmara

9 de maio de 2025 Política
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Alexandre Ramagem
Deputado Alexandre Ramagem: PDT e Rede Sustentabilidade alegam que suspensão de processo contra ele é inconstitucional (Foto: Bruno Spada/Agência Câmara)
Por Lucas Keske, do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – A Rede Sustentabilidade e o PDT acionaram o STF (Supremo Tribunal Federal) contra a decisão da Câmara dos Deputados que suspendeu a ação penal envolvendo o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e outros acusados de crimes contra o Estado brasileiro. A suspensão foi aprovada na noite de quarta-feira (7) em votação no plenário da Casa.

Na arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), os partidos alegam que a decisão da Câmara é inconstitucional e apontam irregularidades no uso da prerrogativa de imunidade parlamentar para justificar a suspensão da ação.

Os autores da ADPF sustentam que a imunidade não poderia se aplicar ao caso de Ramagem, já que os crimes dos quais é acusado teriam sido praticados antes de sua diplomação como deputado. Além disso, afirmam que a prerrogativa não pode alcançar os demais réus do processo, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), já que não exercem mandato legislativo.

“A manutenção dessa decisão representa grave precedente institucional, que poderá ensejar a reiteração de atos similares, inclusive quanto a outros parlamentares denunciados pelos mesmos fatos, comprometendo a integridade do sistema acusatório e o regular funcionamento da jurisdição penal de competência desta Corte”, diz trecho da ação.

Para os partidos, esse entendimento “excessivamente permissivo” quanto à imunidade parlamentar representa uma ameaça institucional, pois pode desencadear um efeito dominó, em que o Congresso passe a barrar ações penais em casos semelhantes, sem observar os critérios legais e morais que deveriam nortear tais decisões.

“Reforça-se, ademais, que essa prerrogativa não se confundiria com impunidade, tampouco significaria a impossibilidade de responsabilização criminal”, afirma o texto.

Em nota, o deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE) disse que houve violação do princípio constitucional da separação dos Poderes. “Essa foi uma clara estratégia para livrar Bolsonaro e seus cúmplices das responsabilidades criminais sobre a tentativa de golpe que pretendia retomar o regime militar no Brasil. A nossa ação é também em respeito ao próprio Congresso Nacional que golpistas queriam dissolver”, afirmou.

A ADPF será analisada pelo STF, que poderá decidir pela suspensão dos efeitos da votação na Câmara e pela continuidade da ação penal. O PSOL também anunciou que entraria com uma ação semelhante no STF, para tentar anular a resolução aprovada na Câmara.

Entenda o caso

A Câmara aprovou uma resolução que determina a suspensão da ação penal no Supremo Tribunal Federal contra o deputado Alexandre Ramagem, na quarta-feira (7). No entanto, o texto deixa uma brecha para inclusão de Jair Bolsonaro e outros 32 acusados por envolvimento em uma trama golpista. Segundo especialistas, é uma extrapolação do que a legislação permite, já que os demais réus não exercem mandato eletivo.

Desde 2001, a Constituição autoriza que o Congresso Nacional paralise o curso de processos judiciais contra parlamentares, desde que haja maioria de votos no plenário. Contudo, essa prerrogativa se restringe a congressistas no exercício do mandato e é válida somente para delitos cometidos após a diplomação, conforme apontam juristas. Dessa forma, a norma constitucional não alcança Bolsonaro nem os demais envolvidos.

O STF agendou para esta sexta-feira, 9, a partir das 11h, o julgamento da decisão da Câmara que determinou a suspensão da ação penal. A análise será feita no plenário virtual da Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes (relator do caso), Flávio Dino, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Cristiano Zanin. É a mesma turma da Corte que tornou Ramagem e Bolsonaro réus em 26 de março. A votação deverá ser concluída até a próxima terça-feira (13).

O pedido para que o texto fosse apreciada de forma colegiada partiu de Moraes, após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), informar oficialmente ao presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, sobre a deliberação do plenário da Casa.

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Assuntos Alexandre Ramagem, Câmara dos Deputados, PDT, plano golpista, Rede Sustentabilidade
Cleber Oliveira 9 de maio de 2025
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