

Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — Na maioria dos partidos que conquistaram vagas na Câmara dos Deputados pelo Amazonas, as mulheres tiveram desempenho eleitoral inferior ao dos homens dentro das próprias chapas no primeiro turno, conforme dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Além disso, as candidatas receberam menos recursos do Fundo Eleitoral do que os homens em grande parte das siglas.
No último domingo (4), os eleitores do Amazonas elegeram sete homens e uma mulher para ocupar as oito vagas do estado na Câmara dos Deputados. Os eleitos estão filiados a cinco partidos.
Para o cargo de deputado federal, os partidos poderiam lançar até nove candidatos, número correspondente ao total de vagas em disputa pelo estado acrescido de uma. Desse total, pelo menos 30% das candidaturas deveriam ser femininas.
A maioria das siglas lançou o número máximo de candidatos: Republicanos, Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV), Podemos, PSB, PSD, DC, Missão, Avante, MDB, PL, Federação União Progressista e Federação Psol-Rede. Com isso, todas tiveram ao menos três mulheres na disputa.
Novo e PDT lançaram oito candidatos cada, enquanto a Federação Renovação Solidária (PRD-Solidariedade) apresentou sete candidaturas.
Para garantir às mulheres condições mais equilibradas de disputa, a legislação eleitoral determina a destinação de pelo menos 30% dos recursos do Fundo Eleitoral às candidaturas femininas. Esse percentual, no entanto, é calculado em âmbito nacional e não necessariamente se reflete na distribuição dos recursos entre os candidatos de uma mesma chapa a deputado federal em cada estado.
No Amazonas, entre partidos que conquistaram vagas, os homens concentraram a maior parte dos recursos em diversas siglas.

Desempenho
No PL, que conquistou duas vagas, as três mulheres que disputaram terminaram nas últimas posições do ranking interno de votação da sigla: Micka Sevalho, com 3.073 votos; Dra. Patrícia Sicchar, com 2.321; e Paula Portela, com 1.158.
Os dois mais votados, Alexandre Salazar, que recebeu 212.948 votos, e Alfredo Nascimento, com 59.271, concentraram 85,1% dos recursos do Fundo Eleitoral enviados pela Direção Nacional aos candidatos no Amazonas. Cada um deles teve R$ 3 milhões para a campanha.
As mulheres receberam R$ 200 mil cada para realizar a campanha, mesmo valor destinado aos demais homens do partido que disputaram o mesmo cargo.
Cenário semelhante ocorreu no MDB, que também conquistou duas vagas. Elas serão ocupadas por Adail Filho, que recebeu 137.148 votos, e Saullo Vianna, com 91.726.
Entre as mulheres, apenas Vanda Witoto obteve votação expressiva, ficando como a quarta mais votada do partido, com 43.891 votos.
Caila Carim, com 1.726 votos; Dra. Amanda Pinheiro, com 1.277; e Beth Docinho, com 901, ficaram nas últimas posições da lista, com votações substancialmente inferiores às dos demais candidatos. O homem menos votado na sigla, o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto, obteve 17.662 votos.
Na divisão dos recursos do Fundo Eleitoral, Vanda recebeu valor semelhante ao destinado aos homens que tiveram os maiores repasses no partido, Adail e Saullo. Ainda assim, na distribuição geral, os homens do MDB concentraram 70% dos recursos.
Arthur Virgílio e Jesus Alves receberam R$ 2,6 milhões cada; Caila, R$ 2,2 milhões; e Natan Macena, R$ 2 milhões. Beth e Amanda receberam R$ 220 mil cada.
No Republicanos, as três mulheres que concorreram também ficaram nas últimas posições do ranking interno de votos. O partido conquistou uma vaga, que será ocupada por Amom Mandel.
Viviane Lima obteve 2.889 votos; Adriana Borges, 990; e Gláucia Rebelo, 254. Na sigla, Massami Miki foi o homem menos votado, com 3.559 votos.
Entre as mulheres, Viviane recebeu R$ 1,6 milhão do Fundo Eleitoral, enquanto Adriana recebeu R$ 215 mil e Gláucia, R$ 175 mil.
Os homens concentraram 75,3% da verba do Fundo Eleitoral enviada aos candidatos a deputado federal no Amazonas. Enquanto eles receberam R$ 6,2 milhões, as mulheres tiveram R$ 2,06 milhões.
Silas Câmara recebeu o maior valor, R$ 2,6 milhões. Amom, único eleito pela sigla, não recebeu recursos do Fundo Eleitoral.
O cenário de baixo desempenho das candidaturas femininas também foi identificado no PSD, que conquistou uma vaga.
Delegada Débora Mafra, com 9.191 votos; Nath Nascimento, com 9.132; e Ana Paula Mesquita, com 6.026, foram as menos votadas do partido. O homem menos votado na sigla, Jorge Oliveira, recebeu 10.695 votos.
No PSD, os homens concentraram 77,8% dos recursos. Átila, Sidney e Pauderney receberam R$ 2 milhões cada. Débora, Nath e Ana receberam R$ 600 mil cada.

Exceção
Entre os partidos que garantiram vaga na Câmara dos Deputados, a Federação União Progressista foi a única em que homens e mulheres tiveram desempenho mais equilibrado tanto na votação quanto na divisão dos recursos.
Na federação, uma das mulheres foi eleita, Joana Darc; outra, Thaysa Lippy, ficou como segunda suplente; e a terceira, Therezinha Ruiz, como quarta suplente.
Joana Darc recebeu R$ 1,9 milhão da Direção Nacional do União, mesmo valor repassado a Fausto Júnior e Thaysa Lippy. Therezinha Ruiz recebeu R$ 1,3 milhão da Direção Nacional do União, oriundo do Fundo Eleitoral.
Partidos sem eleitos
O desempenho inferior das candidaturas femininas também foi identificado em alguns partidos que não conquistaram vagas na Câmara dos Deputados pelo Amazonas. Em parte dessas siglas, mulheres ficaram nas últimas posições do ranking interno de votação.
No Podemos, Rita da Enfermagem recebeu 381 votos e Vanete Carvalho, 140, ficando nas duas últimas posições do partido. A terceira candidata mulher, Pastora Ruth Costa, obteve 654 votos e foi a quarta mais votada da sigla.
No Avante, Dra. Aryel Almeida foi a candidata mais votada do partido, mas a legenda não alcançou votação suficiente para conquistar uma vaga na Câmara.
Entre as demais mulheres da sigla, Cris Paiva recebeu 3.178 votos e ficou em antepenúltimo lugar, enquanto Eunice Nascimento, com 2.075 votos, terminou na última posição. Radyr Júnior foi o penúltimo colocado, com 3.153 votos.
Na Federação Renovação Solidária, Lene Souza, com 191 votos, e Keylla Marinho, com 185, ficaram nas últimas posições entre os candidatos da federação.
Exceções
O cenário, no entanto, não se repetiu em todas as siglas que ficaram sem representação na Câmara. Em alguns partidos, sobretudo entre legendas de menor votação, homens e mulheres tiveram desempenhos mais próximos dentro das próprias chapas.
No PSB, que apresentou quatro candidaturas femininas, Melyssa Geber, com 2.756 votos, foi a segunda mais votada do partido. Loira do Salgado, com 1.483 votos, ficou em quarto lugar; Christiane Melchior, com 406, em sexto; e Márcia Silva, com 391, em sétimo.
No DC, também houve maior equilíbrio entre homens e mulheres. Gláucia Amazonas, com 192 votos, ficou em quarto lugar; Professora Lene Maia, com 158, em sexto; e Doutora Amanda Souza, com 125, em oitavo.
No Novo, que lançou oito candidaturas, Soraya Cohen recebeu 179 votos e foi a quarta mais votada da legenda, enquanto Diana Rodrigues, com 131 votos, ficou em quinto lugar.
No Missão, Luciana Viga teve 537 votos e alcançou a segunda posição dentro do partido. Patrícia Benzaquem, com 383 votos, ficou em quinto lugar, e Iana Nadina, com 196, em sétimo.
Na Federação Brasil da Esperança, as candidaturas femininas também apareceram em posições intermediárias e superiores do ranking interno. Anne Moura foi a segunda mais votada, com 21.675 votos; Marília Freira, com 6.593, ficou em quarto lugar; Edjane da Fetagri, com 3.624, em quinto; e Adriane Xavier, com 2.669, em sexto.
