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>Dia a Dia

Preso na Operação Eminência Parda, Zé Lopes vira réu por lavagem de dinheiro

6 de dezembro de 2019 >Dia a Dia
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Quatro investigados na Maus Caminhos viraram réus por lavagem de dinheiro (Foto: Reprodução/ATUAL)
Por Felipe Campinas, da Redação
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MANAUS – O empresário José Lopes, preso no dia 30 de julho deste ano na Operação Eminência Parda, sexta fase da Operação Maus Caminhos, e a secretária dele, Edite Hosoda Monteiro, viraram réus por crime de lavagem de dinheiro. A denúncia foi ajuizada pelo MPF (Ministério Público Federal) e aceita pelo juiz Marllon Souza, da 2ª Vara Federal Criminal do Amazonas, nessa quinta-feira, 28.

Além do pecuarista e da secretária, viraram réus o médico Mouhamad Moustafá, apontado pelo MPF como líder do esquema de fraudes que desviou R$ 115 milhões da saúde pública do Amazonas, e a advogada Priscila Coutinho, indicada como chefe do núcleo financeira do grupo. O empresário Gustavo Macário Bento, que foi indiciado pela Polícia Federal pelo crime de peculato, não foi denunciado pelo MPF.

De acordo com a denúncia, José Lopes, mais conhecido como Zé Lopes, recebeu de Mouhamad Moustafá, entre março de 2014 e julho de 2016, o montante de R$ 26 milhões, divididos em 25 parcelas mensais de R$ 1.040.000,00. Segundo o MPF, o dinheiro é fruto dos desvios de verbas públicas da Saúde do Amazonas praticados pelo médico.

A denúncia diz que Mouhamad era controlador do INC (Instituto Novos Caminhos), que tinha contrato de gestão com a Susam (Secretaria de Estado de Saúde) para gerir a UPA Campos Salles, a UPA Tabatinga e o CRDQ (Centro de Reabilitação de Dependentes Químicos). O médico também comandava o grupo econômico composto pelas empresas Salvare, Simea e Total Saúde, que eram as principais fornecedoras do INC.

De acordo com o MPF, Priscila Coutinho, atuando como chefe do núcleo financeiro da organização criminosa, ajudou Mouhamad e Zé Lopes a lavar dinheiro. Ela seria a responsável por viabilizar financeiramente a quantia a ser entregue por Mouhamad a José Lopes, desde a fase da retirada de recursos nos bancos até a entrega dos pacotes de dinheiro com a quantidade exata a ser paga.

Ainda conforme a denúncia, Edite Monteiro, apontada pelo MPF como “funcionária de confiança de José Lopes há décadas”, teria, no dia 9 de julho de 2015, prestado auxílio a Zé Lopes e Mouhamad ao receber, no mínimo, a quantia de R$ 246 mil das mãos do médico. O valor, segundo a denúncia, era proveniente dos crimes de peculato pelos quais Mouhamad foi denunciado.

Eminência Parda

José Lopes ficou 44 dias preso no CDPM (Centro de Detenção Provisória Masculino) e, atualmente, cumpre prisão domiciliar com monitoramento por tornozeleira eletrônica. Ele virou alvo da ‘Maus Caminhos’ a partir de provas colhidas através de quebras de sigilo telefônico autorizadas pela Justiça, que, posteriormente, autorizou busca e apreensão, sequestro de bens e quebras de sigilo bancário e fiscal dos investigados.

Conforme o MPF, o empresário “possui forte poder político, com trânsito e influência no mais alto escalão da administração pública do Amazonas, e também poder econômico, sendo sócio legalmente constituído de nove empresas, com indícios de que seja controlador oculto de outras, que seriam operadas por interpostas pessoas”.

No relatório parcial da Polícia Federal, o delegado Alexandre Teixeira cita 13 eventos de entregas de dinheiro a Zé Lopes. Conforme as investigações, os encontros eram sempre agendados com “história cobertura”, em que ambos usavam nomes de medicamentos para identificar dinheiro com objetivo de ocultar a entrega da propina, como esse evento ocorrido em março de 2015.

Em mensagem recuperada pela PF, Mouhamad combina com Zé Lopes para entregar um “Naprix”, medicamento indicado para o tratamento de pressão alta.

A denúncia contra Zé Lopes, Edite Hosoda, Mouhamad Moustafa e Priscila Coutinho tramita na 2° Vara Federal Criminal do Amazonas com o número 1012389-71.2019.4.01.3200.

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Assuntos Edite Hosoda, Mouhamad Moustafa, Operação Maus Caminhos, Priscila Coutinho, Zé Lopes
Felipe Campinas 6 de dezembro de 2019
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