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Política

PGR diz que acordo de delação de Palocci deve ser avaliado com cuidado

27 de abril de 2018 Política
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Antônio Palocci foi condenado a 12 anos de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção (Foto: Agência Brasil)

Do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – O acordo de delação premiada firmado entre o ex-ministro Antonio Palocci e a Polícia Federal ainda pode vir a ser contestado pela Procuradoria-Geral da República. A informação foi dada nessa sexta-feira, 27, em Paris, pela procuradora-geral, Raquel Dodge, que afirmou “desconhecer” os termos e a “extensão das cláusulas” do entendimento entre as duas partes.

Segundo Raquel Dodge, as negociações não foram realizadas na “jurisdição de Brasília”, o que obrigará a PGR a estudar em detalhes o acordo para decidir o que fará a respeito. “Não conheço o caso, não foi feito na jurisdição de Brasília e oportunamente o meu gabinete, ou a instância cabível, certamente examinará esse documento. Aí a manifestação será feita oportunamente”, garantiu.

“Eu não posso adiantar nenhum ponto de vista exatamente porque não examinei que documento é esse, como foi feito, qual a extensão das cláusulas. Tudo precisa ser avaliado com muito cuidado”, reiterou Raquel Dodge.

Palocci era homem de confiança do PT e dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, entre 2003 e 2016. Na quinta-feira, o jornal O Globo revelou que o acordo entre o ex-ministro e a PF havia sido assinado. Uma primeira negociação já havia acontecido entre sua defesa e o Ministério Público, sem que se chegasse a um acordo. Palocci está preso de forma preventiva desde setembro de 2016, em Curitiba, e condenado a 12 anos de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção ativa na negociação dos contratos com a Odebrecht para aquisição de sondas do Estaleiro Enseada do Paraguaçu e da Sete Brasil.

Durante o processo, Palocci afirmou ao juiz Sérgio Moro que o ex-presidente Lula, quando estava no cargo, deu seu aval a um “pacto de sangue” com a construtora Odebrecht, que envolveria o pagamento de R$ 300 milhões ao PT em propinas pelos contratos assinados.

PGR e a Polícia Federal têm diferenças sobre a que órgão cabe assinar acordos de delação premiada, e em casos anteriores a decisão coube ao STF (Supremo Tribunal Federal). Para entrar em vigor, o acordo PF-Palocci também precisará de homologação da Justiça.

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Assuntos Brasília, Lula, Odebrecht, PGR, Raquel Dodge, Sérgio Moro, STF
Redação 27 de abril de 2018
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