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Dia a Dia

PF conclui que ‘Colômbia’ mandou matar Dom Phillips e Bruno Araújo

23 de janeiro de 2023 Dia a Dia
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Eduardo Fontes disse que PF indiciará mais duas novas pessoas (Foto: Murilo Rodrigues/ATUAL)
Por Felipe Campinas e Iolanda Ventura, do ATUAL

MANAUS – A Polícia Federal concluiu que Ruben Dario da Silva Villar, o “Colômbia”, foi o mandante dos assassinatos do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, informou o delegado Eduardo Fontes, em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira (23). O crime ocorreu em junho de 2022 no Vale do Javari, oeste do Amazonas.

“Hoje, eu não tenho dúvidas para falar para vocês que, sim, nós temos um mandante nesse crime. As investigações já se encontram na fase final, e nós temos indícios veementes que apontam para o “Colômbia” como mandante desses delitos”, afirmou Fontes.

A polícia também descobriu que a arma usada nos assassinatos foi fornecida por Edivaldo da Costa de Oliveira, irmão de Amarildo da Costa de Oliveira, o “Pelado”. Conforme Fontes, Colômbia e Edivaldo serão indiciados pelo crime de duplo homicídio.

Fontes disse que polícia também apurou que um sobrinho de Amarildo, que é menor de idade, participou da ocultação dos cadáveres. Em razão disso, os investigados serão indiciados por corrupção de menores.

“Mandante”

De acordo com o delegado, além de fornecer para Jefferson e Amarildo munições calibre 16 – o mesmo tipo usado nos assassinatos dos ativistas, Colômbia providenciava embarcações para a realização da pesca ilegal e pagou o advogado de Amarildo quando ele foi preso.

“Ele fornecia as munições para o Jefferson e para o Amarildo. Essas munições são as mesmas que foram utilizadas para o homicídio, as munições calibre 16. Nós temos provado que ele fornecia embarcações para a realização da pesca ilegal, que era muito combatida por Bruno. O Colômbia aparece efetuando o pagamento inicial do advogado de defesa de Amarildo”, afirmou Fontes.

A Polícia Federal apurou que Colômbia ligou para um dos investigados na véspera o crime. O conteúdo da conversa, no entanto, ainda não foi analisado.

Colômbia foi preso em julho de 2022. Ele foi até a Delegacia da Polícia Federal de Tabatinga prestar esclarecimentos a respeito de informações que o associavam aos assassinatos, mas apresentou documento falso e foi preso em flagrante.

Ele foi solto em outubro, mas voltou a ser preso em dezembro porque deixou de usar tornozeleira eletrônica e informou endereço que não foi localizado por oficial de justiça. No dia 18 deste mês, o juiz Fabiano Verli rejeitou pedido dele para ser solto novamente.

Arma

Os investigadores identificaram que Edivaldo da Costa de Oliveira, que era suspeito apenas de participar da ocultação dos cadáveres, forneceu a espingarda usada para matar Bruno e Dom. “Até então, nas nossas investigações iniciais, ele teria participado da ocultação dos cadáveres, mas ficou evidente também que ele participou auxiliando materialmente no homicídio”, disse Fontes.

“Ele não estava nas embarcações, mas ele entregou a espingarda calibre 16 nas mãos do Jefferson ciente de que ele a utilizaria no assassinato do Bruno. Ele forneceu a arma de fogo que foi utilizada no crime. Essa arma não foi encontrada, apesar de exaustivas buscas por nós realizadas, inclusive utilizando detectores de metais”, completou Fontes.

Até o momento, apenas Amarildo, Oseney de Oliveira, o “Dos Santos”, e Jefferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha”, respondiam pelos assassinatos. O trio foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) em julho de 2022. O interrogatório deles iria iniciar nesta segunda-feira, mas foi adiado para março deste ano.

Amarildo cumpre a prisão na Penitenciária Federal em Catanduvas, no Paraná, e Oseney e Jefferson na Penitenciária Federal em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Pesca ilegal

Para a Polícia Federal, o motivo dos assassinatos foram os prejuízos que a fiscalização de Dom e Bruno causavam à pesca ilegal na região. Conforme Fontes, foram os mesmos motivos que resultaram na morte do ativista Maxciel Pereira dos Santos, que também atuava na região, em 2019.

De acordo com Fontes, os investigadores analisam outras provas decorrentes de quebras de sigilo. “A gente precisa realizar algumas análises. Nós fizemos um aprofundamento investigativo fazendo uso de todas as técnicas de investigação possíveis, ordinárias, extraordinárias, quebra do sigilo bancário, fiscal, telefônico, telemático”, disse o delegado.

Assista ao vídeo:

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Assuntos assassinatos, Caso Dom e Bruno, Eduardo Fontes, manchete, Vale do Javari
Felipe Campinas 23 de janeiro de 2023
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