
Por Feifiane Ramos, do ATUAL
MANAUS — O conhecimento indígena sobre a floresta amazônica, energia solar e de biomassa para comunidades isoladas, agricultura sem agrotóxicos e urbanização com construções autossustentáveis são soluções amazônicas para problemas ambientais.
As propostas foram elaboradas por pesquisadores da região e constam em documento entregue ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, nesta quarta-feira (20), em Manaus. A solenidade teve participação da primeira-dama Rosângela da Silva – a Janja, no Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia com a Presidência da COP30. O evento ocorreu na Ufam (Universidade Federal do Amazonas).
Os pesquisadores definiram seis temas para as propostas: energia, gestão ambiental, agricultura, saúde, recursos hídricos e áreas urbanas e formação e inovação. As sugestões serão debatidas na Agenda de Ação do Mutirão Global contra a Mudança do Clima, com foco no período de 2025 a 2035.

COP popular
O documento foi elaborado a partir da colaboração de 70 instituições acadêmicas e centros de pesquisa da região. O ministro Márcio Macêdo, Secretaria-Geral da Presidência da República, afirmou que as sugestões elaboradas no Amazonas são importantes para compreender as diferentes realidades da Amazônia e dar voz à população local.
“A COP não é uma festa, a COP é um processo e o que vocês estão fazendo hoje é a COP. É um debate sobre a COP. É fundamental que a academia entre processo, nesse debate como está sendo feito assim”, disse.
Segundo Márcio Macêdo, a COP30 será a maior já realizada por ocorrer em plena Amazônia. “Porque essa COP não vai ser uma COP do luxo, não vai ser uma COP complexa. Vai ser uma COP simples, feita na floresta, mas será a maior COP feita na história das COPs do mundo. Se fala muito da amazônia, mas pela primeira vez é e Amazônia que vai falar para o mundo. São os povos da Amazônia que vã colocar as suas demandas para o mundo”.
A primeira-dama Janja, que passou dois dias em comunidades do Amazonas, ressaltou a importância de ouvir mulheres para conhecer iniciativas sustentáveis ligadas ao manejo, ao empreendedorismo feminino e ao turismo de base cultural.
“Acho que isso é a conexão da academia com os povos da floresta. Desenvolver programas, pesquisas científicas que levem dignidade às florestas”, disse Janja, reforçando ser necessário, a partir da ciência e da inclusão, encontrar soluções para os que ainda sofrem com necessidades básicas, como a falta de dignidade menstrual.
André do Lago disse que os movimentos sociais são importantes na construção de propostas para um direcionamento e soluções aos problemas climáticos. “É essencial que tenhamos os movimentos sociais na COP. Essa COP tem que ser inclusiva. Temos que juntar o Brasil para mostrarmos para o mundo que nós estamos unidos em torno da Amazônia, que a regão que é tão associada a problema e a desafios é a região de onde vão sair as maiores soluções para o mundo”, disse o embaixador.
Documento
De acordo com o secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, Olavo Noleto, cada tema do documento inclui propostas sobre as especificidades amazônicas, priorizando soluções sustentáveis e a participação das comunidades locais.
No campo da energia, são sugeridas fontes renováveis como solar, biomassa, hidrogênio verde e microgeração descentralizada, voltadas principalmente para comunidades isoladas. Em gestão ambiental, a carta defende ações de restauração florestal, combate ao desmatamento e manejo sustentável, com protagonismo das populações indígenas e tradicionais.
Para a agricultura, as propostas incluem o fortalecimento de sistemas agroflorestais, a valorização de produtos da sociobiodiversidade e a garantia de segurança alimentar. Nas áreas urbanas e de recursos hídricos, o texto recomenda arquitetura bioclimática, mobilidade sustentável e gestão integrada das águas.
Arquitetura bioclimática busca criar edifícios confortáveis e eficientes em termos energéticos, utilizando os recursos naturais do ambiente local, como sol, vento e chuva, para reduzir o consumo de energia e o impacto ambiental.
No eixo da saúde, os pesquisadores propõem a necessidade de adaptar os sistemas às mudanças climáticas e reforçar a vigilância epidemiológica integrada a dados ambientais. Já em formação e inovação, o documento sugere investir na capacitação de profissionais para a economia verde, incentivar o empreendedorismo sustentável e valorizar culturas tradicionais por meio da inovação tecnológica.
Apesar do potencial da região, a carta também identifica obstáculos como a precariedade da infraestrutura, limitações orçamentárias, entraves legais e a desvalorização dos conhecimentos tradicionais. Para superá-los, defende a modernização de laboratórios, investimentos contínuos em ciência e tecnologia, financiamento da bioeconomia e da agroecologia e maior cooperação internacional.
