
Do ATUAL
MANAUS — O Amazonas está entre os estados brasileiros com menor mobilidade social do país. De acordo com o Atlas da Mobilidade Social Brasil, apenas 19,8% dos filhos de famílias que estavam na metade de menor renda têm chance de alcançar a metade mais rica da população na vida adulta. Isso significa que 80,2% tendem a permanecer na metade de menor rendimento, índice superior à média nacional de 66,6%.
O estado aparece à frente apenas do Acre e do Amapá no ranking de mobilidade social, que mede as possibilidades de ascensão econômica entre gerações. O levantamento é resultado de uma parceria entre o IMDS (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social) e o Prospera Lab.
Além da baixa probabilidade de alcançar a metade de maior rendimento, o estudo mostra que apenas 6% dos amazonenses oriundos das famílias mais pobres têm chance de integrar o quarto de maior renda do país. Desse grupo, somente 1,1% poderão chegar ao décimo mais rico da população.

Maiores dificuldades
As desigualdades são ainda mais acentuadas quando considerados fatores como sexo e raça. Entre os amazonenses com maior probabilidade de permanecer na metade mais pobre da população, 89% são mulheres, enquanto entre os homens o percentual é de 70,8%.
O levantamento também aponta que 89,5% das mulheres não brancas tendem a permanecer na metade de menor rendimento, indicando a sobreposição de desigualdades de gênero e raça na mobilidade econômica.
Em nível nacional, o Atlas estima que 88,1% das mulheres oriundas de famílias de menor renda permanecem na metade mais pobre da população, contra 68,7% dos homens.
Escolaridade dos pais
O estudo também evidencia a influência da escolaridade dos pais sobre as oportunidades dos filhos. No Amazonas, entre aqueles com maior probabilidade de permanecer na metade de menor renda, 80,7% têm pais com ensino fundamental incompleto ou menor escolaridade. Entre os que têm pais com ensino fundamental completo e ensino médio incompleto, o percentual é de 75,9%.
Segundo os pesquisadores, quanto menor o nível de escolaridade dos pais, maiores são as chances de os filhos permanecerem nas faixas de menor rendimento.
Como o estudo foi realizado
O Atlas da Mobilidade Social Brasil analisa a relação entre a renda dos pais e a renda alcançada pelos filhos na fase adulta. Para isso, os pesquisadores identificaram famílias que estavam na metade de menor renda familiar per capita entre 2006 e 2010, selecionando aquelas com filhos ainda crianças ou adolescentes.
Em seguida, acompanharam a renda desses filhos já adultos, entre 2015 e 2019, comparando os dois períodos para estimar as probabilidades de ascensão econômica.
O levantamento calcula cinco indicadores: a chance de alcançar o décimo mais rico da população, o quarto de maior rendimento, a metade mais rica, permanecer na metade mais pobre e superar a condição econômica dos pais em pelo menos dez pontos percentuais.
Quanto maior a influência da renda dos pais sobre o rendimento dos filhos, menor é o nível de mobilidade social de uma região, segundo os organizadores do Atlas.
