
Do ATUAL
MANAUS – O senador Omar Aziz (PSD) subiu à tribuna do Senado nesta terça-feira (10) para denunciar que o governador Roberto Cidade (União Brasil) retirou R$ 100 milhões da UEA (Universidade do Estado do Amazonas) para cobrir o rombo nas contas da Amazonprev (Fundação de Previdência do Estado do Amazonas) causado por investimentos no banco Master. A instituição investiu R$ 50 milhões nos fundos fraudulentos do Master.
De acordo com o senador, o decreto foi assinado nesta terça-feira para transferir dinheiro do fundo mantenedor da universidade para as despesas da Amazonprev.
“Nós temos visitado os municípios, sabemos que a UEA está de mal a pior, e ainda tirou os recursos deles. Para quê? Para pagar o rombo do banco Master, tirou R$ 100 milhões da pesquisa e da compra de um hospital universitário da universidade, que é o rombo que o Master deixou no Amazonas”, afirmou Aziz.
As aplicações da Amazonprev nos fundos do banco Master foram feitas durante a administração do ex-governador Wilson Lima (União Brasil), a quem o senador acusa de agir junto com Roberto Cidade.
“É a mesma coisa: Roberto Cidade e Wilson Lima são os mesmos – só o sobrenome que é diferente -, mas é a mesma pessoa, o mesmo modus operandi e a mesma disciplina em relação aos maus cuidados com o erário”, diz Aziz.
Providência
O senador pediu providências para os órgãos de fiscalização e controle estaduais e federais.
“Estou fazendo um apelo ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao Ministério Público do meu estado, ao Ministério (Público) Federal, à Polícia Federal, à PGR (Procuradoria-Geral da República) para que tomem providências em relação à grande gandaia que se tornou o erário no meu estado. Não foi um real, foram mais de R$ 228 milhões”, disse.
Omar Aziz recebeu apoio dos senadores Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB), que pediram aparte durante o discurso.
“Vossa Excelência traz hoje à tribuna desta Casa, para o conhecimento do Brasil, algo extremamente lamentável. Diz ao Brasil que, nos últimos sete anos, o Estado do Amazonas obteve uma receita de R$ 220 bilhões, mas deixou de acrescentar que, além dessa receita de R$ 220 bilhões, houve um endividamento do estado em outros tantos bilhões de reais”, diz Braga.
O líder do MDB acrescenta que 25% da receita corrente líquida do estado está comprometida com o pagamento do endividamento do Estado.
“Isso nunca aconteceu na história do Estado do Amazonas, nunca. Eu fui governador por dois mandatos, Vossa Excelência foi por um mandato. Nós estamos na vida pública, há muitos anos, acompanhando vários governos. Nunca houve um endividamento de 25% da receita corrente líquida”, disse.
No mesmo tom, o senador Plínio Valério lamentou o fato de levar um tema como esses ao conhecimento do Brasil, mas disse ser necessário.
“Senador Omar, eu sei o quanto é doloroso para o senhor e para o Eduardo trazerem isso para o Brasil, aqui, do Senado. Nós conversamos sobre isso, a sua tristeza em ter que dizer isso, colocar esses números, essa vergonha nossa, a vergonha de todos nós, amazonenses, e trazer para cá, para o Senado. Ora, tirar R$ 100 milhões da UEA, dizer que a saúde tem um padrão elevado”, disse Valério.
Outro fundo
Além da UEA, o senador afirmou que foram retirados também R$ 100 milhões do fundo de micro e pequenas empresas.
“Em menos de um mês, esse cidadão que assumiu o governo agora começou a baixar decreto. O primeiro decreto que ele baixou, foi para tirar R$100 milhões do fundo de micro e pequenas empresas, que pode chegar a R$ 200 milhões para usar no custeio. Tira do pequeno e do médio empresário”, acusa.
