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Política

Mensagens revelam ligação de Jaques Wagner com ex-sócio do Banco Master

31 de julho de 2026 Política
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Jaques Wagner havia negado envolvimento com o Banco Master (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Jaques Wagner é investigado por ligação com esquema do Banco Master (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Mensagens extraídas do aparelho celular do ex-sócio do Banco Master Augusto Ferreira Lima, mostram, segundo a Polícia Federal, tratativas relacionadas à marcação de encontros entre o banqueiro e o senador Jaques Wagner a serem realizados no gabinete do parlamentar.

De acordo com a conclusão da PF, “as mensagens analisadas indicam que um desses encontros teria contado com a participação de Messias, possivelmente em referência a Jorge Messias, advogado-geral da União”. Wagner também mostra preocupação com o local do encontro, dizendo que o gabinete seria mais “discreto” e “protegido”.

As mensagens foram tornadas públicas nesta quinta-feira (30), após o ministro André Mendonça, relator da operação Compliance Zero, derrubar o sigilo das investigações.

Procurado por meio da AGU, Jorge Messias ainda não se manifestou A defesa de Jaques Wagner ainda não se manifestou sobre os documentos. Na ocasião da operação, ele negou ter atuado em favor do ex-banqueiro.

De acordo com as mensagens, em 19 de abril de 2024, Wagner envia uma mensagem de áudio a Augusto Ferreira Lima questionando se eles podiam se encontrar no gabinete. O ex-banqueiro responde algum tempo depois que não havia visualizado a mensagem em tempo hábil.

No dia 28 daquele mês, porém, Augusto Ferreira Lima afirma a Wagner que estava em Brasília. Durante o dia seguinte, eles conversam por chamada de voz e Wagner envia a seguinte mensagem:

“Ô Guga..é.. eu falei com o Messias agora e o presidente infelizmente chamou ele amanhã um pouco por causa dessas confusões.. então ele pediu se poderia ser horário de almoço. Que eu continuo achando que o melhor lugar pra fazer seria no meu gabinete, que é o mais protegido e discreto pra todo mundo.. pra ele é natural tá lá, você já teve várias vezes lá com André. Então não teria tanta atenção chamada. Até porque eu posso ir lá embaixo, chegar mais ou menos junto com você na hora que for marcada e subo e você não precisa nem passar pela identificação. Então, eu quero ver se pra você dá, porque ele acabou de me avisar e aí eu confirmaria com ele… sei lá.. meio-dia.. Eu tenho CCJ, mas eu espero que meio-dia já tenha terminado e eu posso fazer lá ou na própria liderança do governo, que é mais perto da comissão, é lá embaixo. É até mais fácil de chegar, entendeu? Veja aí e me mande um zap. Abraço”.

No dia seguinte, às 11h58, próximo ao horário mencionado no áudio, Augusto Ferreira Lima, enviou mensagem a Jaques Wagner informando que havia chegado.

Às 14h03 daquele mesmo dia, cerca de duas horas após o início do encontro que teria contado com a presença de Messias, há registro, no chat entre o ex-banqueiro e o AGU de mensagem automática do WhatsApp avisando que Messias “usa uma duração padrão para mensagens temporárias em novas conversas”, indicando que ele teria adicionado o contato de Augusto Lima naquele momento.

Celular monitorado

O ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a quebrar o sigilo telefônico do ex-líder do governo Lula no Senado e monitorar seu telefone celular após suspeitar do vazamento de um pedido de operação da PF contra o petista, apresentado na Operação Compliance Zero. Procurada, a defesa de Wagner ainda não se manifestou.

Detalhes dessa investigação foram antecipados pelo Estadão. A investigação da PF apura pagamentos de propina do Banco Master para Jaques Wagner e aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador usou o mesmo esquema da aquisição de imóveis de propina para o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. Além disso, a PF identificou que o dono do Master, Daniel Vorcaro, marcou encontro com Wagner no Senado, disponibilizou avião “em hangar discreto” para o senador e citou em um diálogo que o senador seria um intermediário para mandar recado a Lula.

O ministro retirou o sigilo do processo que tratou da quebra do sigilo telefônico e monitoramento do celular de Wagner nesta quinta-feira (30). Na decisão que autorizou o monitoramento da antena do celular de Wagner durante dez dias, Mendonça citou que recebeu um pedido de audiência em seu gabinete no mesmo dia em que a PF protocolou o pedido de operação contra o petista.

“Impende realçar a ocorrência de fato que agudiza os riscos de vazamento indevido da operação no presente caso. Trata-se de solicitação de audiência, por parte de um dos investigados, recebida pelo meu gabinete, enquanto Ministro relator do caso, no mesmo dia em que aportaram as representações da Polícia Federal relacionadas à presente fase investigativa (09/06/2026), inclusive em horário anterior à distribuição de algumas das representações formuladas”, escreveu na decisão.

Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. Um dia depois da operação, Wagner tentou efetuar a venda de um terreno de R$ 15 milhões na região metropolitana de Salvador, mas a operação foi barrada pelo cartório por causa de uma ordem de bloqueio de bens.

A PF pediu o monitoramento da antena de seu celular por receio de que uma vigilância feita em campo pelos agentes despertasse a desconfiança de que a operação estava prestes a ser deflagrada. É comum esse trabalho de campo, por exemplo, para identificar endereços dos alvos antes de uma busca e apreensão.

“Nesse cenário, diligências ostensivas de campo, vigilância presencial ou coleta aberta de informações junto a terceiros podem expor prematuramente a investigação, permitindo troca de aparelhos, destruição de provas digitais, evasão, ocultação de documentos ou coordenação de versões”, justificou André Mendonça.

Presentes

A PF encontrou uma lista de “lembranças de fim de ano” em conversas que estavam no celular do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. No material, uma secretária de Lima sugeriu dar garrafas de vinho de até R$ 5,3 mil a seis políticos, a maioria deles da Bahia.

Estão na lista o senador Jaques Wagner (PT), o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), o governador baiano, Jerônimo Rodrigues (PT), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), que é candidato a governador da Bahia.

O Estadão procurou os citados por meio de mensagens, e-mails institucionais ou das respectivas assessorias de imprensa. O único a retornar até o momento foi Rueda. “Garrafas? Não recebi”, respondeu ele. O espaço para manifestações está aberto.

“Chefe, só para lembrar ao sr da escolha para as lembranças de final de ano”, escreveu a secretária de Augusto de Lima ao banqueiro em 17 de dezembro de 2024.

Ela sugere, então, presentear os citados com garrafas de vinho, que vão de R$ 2,5 mil até R$ 5,3 mil. Lima responde que falariam depois. “Embora os valores envolvidos sejam relativamente modestos quando comparados às cifras relacionadas às fraudes já descortinadas no âmbito desta Operação da Polícia Federal, é certo que tais condutas podem caracterizar a concessão de vantagens em razão da função pública, uma vez que todos os destinatários elencados ocupam ou ocuparam caros relevantes na esfera política do Estado da Bahia”, escreveu a Polícia Federal.

Segundo a PF, embora Augusto Lima não tenha confirmado qual lembrança foi escolhida, há evidências que os vinhos foram enviados aos destinatários.

No dia 23 de dezembro, a secretária enviou foto de garrafas de vinho embaladas para presente. Nas etiquetas, é possível ler cartões escritos “De: Guga (Augusto Lima) Para: Jaques”, e também para o publicitário Guilherme Sodré Martins, o Tio Guiga, apontado pela PF como uma pessoa próxima e de confiança do senador. O Estadão não conseguiu contato com Martins.

A investigação da PF apura pagamentos de propina do Banco Master para Jaques Wagner e aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador usou o mesmo esquema da aquisição de imóveis de propina para o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.

A PF identificou que o dono do Master, Daniel Vorcaro, marcou encontro com Wagner no Senado, disponibilizou avião “em hangar discreto” para o senador e citou em um diálogo que o senador seria um intermediário para mandar recado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

(Reportagem: Ricardo Corrêa, Aguirre Talento, Pedro Augusto Figueiredo e Hugo Henud)

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Assuntos André Mendonça, Banco Master, Daniel Vorcaro, Jaques Wagner
Cleber Oliveira 31 de julho de 2026
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